Quinta-feira, 23 de março de 2017.

Os “elos” de O Globo com o imperialismo

publicada em 17 de novembro de 2014
Os “elos” de O Globo com o imperialismo

Apoiadores do Hezbollah homenageiam o partido, também chamado de Movimento Libanês de Resistência Islâmica, em 2010

Calúnias contra o Hezbollah na imprensa brasileira fazem parte de uma campanha internacional contra o partido da resistência libanesa e também visam justificar a presença de bases militares americanas na América Latina.
Por: Natalia Forcat, no Oriente Mídia
Associated Press
No dia 09/11/2014 foi publicado um artigo calunioso no jornal O Globo, assinado pelo jornalista Francisco Leali, que além de apresentar contradições evidentes no próprio texto, se engaja na campanha levada à cabo por EUA e Israel de caluniar a resistência libanesa e criar o mito da existência de um perigo “terrorista” no Brasil com o objetivo de, entre outras coisas, induzir a opinião pública a aceitar a presença militar americana na América Latina.
A Tríplice Fronteira, alvo de EUA.
Estes ataques da mídia fazem parte de uma estratégia que combina campanhas de propaganda (como a que fazem o jornal O Globo e outros veículos de mídia como a revista Veja, no Brasil, e Infobae, na Argentina) com a pressão para conquistar maior presença militar estadunidense na região.
O Congresso Americano, chegou aprovar, em 2006, uma resolução que solicitava ao presidente americano (naquela época George Bush) que criasse uma força-tarefa para atuar contra o “terrorismo na Tríplice Fronteira”. A resolução também propunha que os países membros da OEA fossem pressionados para classificar o Hamas e o Hezbollah como organizações terroristas.
Em 24 de fevereiro deste ano (2014) foi inaugurada uma base militar no Paraguai, chamada de “Centro de Operações para Emergências”. Esta unidade foi instalada pelo Comando Sul de EUA na cidade paraguaia de Santa Rosa del Araguay com apoio do governo paraguaio eleito após o golpe de estado contra o presidente Fernando Lugo. O Comando Sul é uma organização militar do departamento de defesa dos Estados Unidos. Desta forma EUA pretende estimular a troca de governos e abrir espaço para garantir a presença militar numa região tão rica em recursos.
Quem é o terrorista?
Não é preciso muito esforço para perceber que os interesses de EUA estão bem distantes da suposta “luta contra o terrorismo” que dizem promover. O Congresso Americano aprovou, em setembro deste ano, um orçamento de 500 milhões de dólares para financiar grupos armados que praticam todo tipo de atos terroristas em Oriente Médio como o Exército Livre Sírio (ELS), o Harakat Hazm (Movimento Hazm) e a Frente Revolucionária Síria (FRS), milícias armadas que EUA classifica como “oposição moderada” ao governo sírio. As armas entregues a estes grupos, incluindo armas de grosso calibre como mísseis anti-tanques TOW, terminaram nas mãos da Frente Al Nusra (filiada a AlQaeda) e do Estado Islâmico, sendo que, no terreno todos estes grupos têm cometido o mesmo tipo de atrocidades como execuções em massa, sequestros, estupros, roubos e destruição de patrimônio (particular, público e histórico).
O critério usado por EUA classificar um grupo como terrorista ou “moderado” não tem qualquer relação com as práticas desses grupos mas com os próprios interesses geopolíticos de EUA e dos seus aliados. Por isso para EUA Hezbollah e Hamas são grupos terroristas mas o ELS, o Harakat Hazm ou a Frente Revolucionária Síria são aliados.
Guerra ao terror estimulou o aumento do terrorismo
A mídia citada no começo deste texto tenta convencer os seus leitores que o Hezbollah representa um risco para o Brasil mas quem realmente representa um risco para a região: o partido político libanês, criado para defender o seu território e sua população, ou EUA, país que mantém mais de 700 bases militares (e outras tantas secretas) em território estrangeiro em todos os continentes (com exceção da Antártica)?
A ampliação da estrutura bélica é uma questão de sobrevivência para EUA. A indústria militar e a doutrina Bush de guerra ao terror, que foi desenvolvida após o 11 de setembro, fazem parte de uma estratégia global que visa: o controle de recursos naturais (gás, petróleo, água, etc.), a desarticulação da oposição interna à política governamental através de leis como o Ato Patriótico que limitam as liberdades individuais e violam a privacidade dos cidadãos americanos e estrangeiros, o desrespeito à soberania nacional dos países que tem recursos que interessam a EUA ou que tem importância geoestratégica, o fomento da islamofobia estimulada principalmente pelo lobby sionista que age dentro de EUA e que pretende criminalizar qualquer questionamento às políticas de Estado israelenses, a manutenção da supremacia econômica, militar e política americana e a expansão do lucro da indústria de armas e de segurança.
Guerra perpétua
Como resultado da doutrina Bush, descrita como uma espécie de “Operação Condor” em escala global, o orçamento militar americano tem se expandido constantemente mas não tem trazido mais segurança nem estabilidade ao mundo, muito pelo contrário, o terrorismo tem crescido cada vez mais por causa da estratégia de patrocínio de milícias armadas em países como Líbia, Síria, Iraque e outros, o que tem levado a alguns dirigentes americanos a afirmar que a guerra contra o terror será uma guerra “perpétua”.
A “guerra ao terror” serve, na prática, para EUA aumentar sua influência militar através da implantação de bases e desta forma assegurar o controle dos recursos naturais. No caso específico da Tríplice Fronteira não podemos esquecer que essa região é rica num dos recursos mais importantes para a sobrevivência humana: a água.
As calúnias de O Globo
Entendo o contexto em que surgem estes ataques da mídia contra o Hezbollah, não temos mais que lamentar que jornalistas joguem seu prestígio no lixo assinando um artigo claramente mentiroso e tendencioso que se desmente por si mesmo. Basta ler com atenção para perceber as contradições no próprio artigo que começa com uma chamada sensacionalista afirmando a existência de “documentos” da Polícia Federal que apontariam um “elo entre o PCC e o Hezbollah”, que é tratado como um “grupo criminoso” ignorando o prestígio e a importância que o partido libanês possui. Mais adiante podemos ver que não existe qualquer documento senão apenas “indícios” sem qualquer comprovação e que a matéria toda não passa de um factoide construído em cima de notícias requentadas.
Além da calúnia cometida pelo jornal, há também a intenção clara de criminalizar toda a comunidade árabe, uma comunidade que no Brasil já supera os 16 milhões de descendentes e que tem contribuído ativamente para o crescimento e desenvolvimento do país atuando em diversas áreas como comércio, política, construção, saúde, etc. De todos os pontos de vista possíveis o artigo publicado pelo O Globo é lamentável e merece ser condenado por todos.
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Por: Natalia Forcat, no Oriente Mídia. Associated Press

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