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O Embaixador do golpe baixo

04 de janeiro de 2010


O EMBAIXADOR DO GOLPE BAIXO
 
“Chega de intermediários, Lincoln Gordon Presidente!” Esta era uma das frases que se viam pichadas pelos muros do Brasil entre os anos de 1961 e 64, período em que o gaúcho João Goulart presidia o País. A interferência dos Estados Unidos nos assuntos de ordem interna brasileira era tão intensa que deixou sua marca na nossa história republicana, tendo contribuído de maneira decisiva para a quartelada de 1964. Passados 45 anos deste golpe baixo, patrocinado pela CIA e a Embaixada dos EUA no Brasil, a notícia recente do falecimento de Lincoln Gordon traz à tona fatos que devem ser relembrados para que as novas gerações não permitam que se repitam.
A nação brasileira precisa lembrar da atuação de entidades ligadas ao círculo empresarial, como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), em estreito contato com a CIA e seu Embaixador da época, que se dedicavam exclusivamente a desestabilizar o governo reformista de Jango.  No livro do professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, O Governo João Goulart, consta a confissão do embaixador americano sobre um gasto da ordem de US$ 5 milhões, visando alterar o resultado das eleições ao Congresso Nacional em 1962. O objetivo desta ingerência inescrupulosa era financiar os candidatos da oposição ao presidente Jango. Tal confissão foi reafirmada em 2002 durante entrevistas para programas de televisão, e a compra de políticos brasileiros corruptos foi o “grande aporte cívico” de Gordon para nosso país. Uma vergonha!
Mesmo assim, dentro de nossas fronteiras, não se ouviram as vozes de FHC ou Lula manifestando repúdio à confissão e à atitude de Lincoln Gordon. Assistimos pacificamente, em rede nacional, ao americano se orgulhando de ter rasgado nossa Constituição.
Mas Gordon foi além. Como Embaixador golpista, intermediou a Operação “Brother Sam”, que consistia no envio, por parte dos Estados Unidos, de navios de guerra e porta-aviões de ataque pesado em direção às águas brasileiras, para o caso de o Presidente brasileiro oferecer resistência ao golpe. A operação foi descoberta pela pesquisadora Phyllis Parker, autora do livro “1964: O papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 31 de março”.
Lincoln Gordon faleceu. Jango faleceu no exílio, e evitou aquela guerra civil que se desencadeava em abril de 1964, ao optar por não resistir e não sacrificar a vida de milhões de brasileiros em detrimento exclusivo de seu cargo de presidente. Mas a luta por um Brasil soberano, livre e inclusivo segue viva. E na mão de cada um de nós.
 
 
 
Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
postado por Christopher Goulart às 16:48

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