Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

Abolição sem terra

30 de novembro de 2009

                                            

 

Publicado em  A TARDE, Salvador, BA

30/novembro/2009

 

Pablo Neruda, em seu poema Amor América, nos conta que “O  homem terra foi...” como longe foi o tempo em que nossos índios sequer conheciam a propriedade e foram roubados daquilo que lhes era extensivo e sagrado, a terra, este bem maior do qual todos dependemos.

Originário de uma sociedade herdeira de complexas formas contratuais do uso  fundiário, o colonizador dela  se apropriou , estabelecendo aqui as Capitanias Hereditárias cuja lógica de concentração, de poder de mando e de exclusão social  advindos, perdura até hoje.

Portugal,  implantando o binômio escravidão/latifúndio, não permitiu a formação da   pequena propriedade  camponesa, escoando nossas riquezas para mãos inglesas, possibilitando, assim, a industrialização européia.   

Independente em 1822, o Brasil passa a ter suas  terras devolutas liberadas por menos de trinta anos pois A Lei de Terras de 1850, além de normatizar as posses e propriedades pré existentes, instituía que a terra, livre após a Independência, só poderia ser adquirida mediante compra e venda, aprisionando-a. Ou seja, somente a obteria aquele que tivesse poder aquisitivo para fazê-lo.

Desta forma, o ex-escravo, que a partir de 1888 é um sujeito livre , passa a ser prisioneiro de uma outra condição social também sub-humana, pois sem uma reforma agrária que acompanhasse a Abolição, teve negada a terra que lhe permitiria  a  base material de sua verdadeira cidadania. Bem sabemos que muitos ex-escravos, sem alternativas, retornaram a seus antigos donos, ficaram sub-empregados ou caíram na mendicância.  

As Políticas Públicas afirmativas e reparadoras, tão necessárias, ignoram em sua grande maioria, uma das principais  reparações, ou seja, a justa distribuição de terras  que poderia fixar o homem no campo, evitando o inchaço das cidades e sua conseqüente  violência.; tornando terras improdutivas em produtivas, abaixando o preço dos alimentos e erradicando  a fome; dinamizando a economia e possibilitando o aumento do poder aquisitivo da população.

Prover a terra ao povo  deve ser compreendido como uma reparação necessária a toda nação brasileira.

A Escravidão é impagável, porém a Abolição precisa ser completada e a terra, sacralizada.

 

 

 

 


postado por Maísa Paranhos. às 16:34

Comentários

Nenhum comentário foi registrado para este post.
Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.