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O golpe em Honduras

01 de julho de 2009

Artigo publicado no jornal A TARDE em 30/6/2009, Salvador, BA                                       

 

Um golpe militar foi dado em Honduras neste Domingo, 29 de junho.

Um golpe foi dado em toda a América Latina que começa a ressurgir de suas próprias cinzas e de suas próprias feridas, ainda não totalmente saradas.

O presidente Zelaya, eleito constitucionalmente pelo povo hondurenho, foi seqüestrado de sua residência presidencial por um grupo de militares golpistas  e enviado para Costa Rica. No momento, encontra-se na Nicarágua fazendo pronunciamentos ao mundo de que a renúncia da qual falam os golpistas, é mentirosa.

O presidente hondurenho, faria uma consulta popular  para obtenção do direito ao  encaminhamento de uma Constituinte. Segundo a grande mídia, essa futura Constituição permitiria ou não a sua reeleição.

Numa Constituinte,  os deputados são eleitos para escreverem uma nova Carta Magna, ou seja, o desejo de um povo é expresso através do voto. Nada mais nos conformes de uma democracia representativa.

A questão que se coloca não é técnico-jurídica. É sim, política. Quando a correlação de forças não está favorável aos grupos das elites, estes passam a achar que é inconstitucional uma consulta  popular encaminhada por um Presidente da República, feita em pleno exercício de seus poderes.

Aliás, poderia existir algo mais democrático do que uma consulta popular direta de um Presidente a seu povo que ele dirige e por ele foi escolhido? Uma consulta que não cairia nos estigmas dos lobbies  nem das, às vezes, abusivas negociações feitas por  “baixo do pano”? Algo mais democrático e claro do que se fazer uma pergunta direta e obter uma resposta direta, sem intermediários para interpretar as respostas dos interrogados?

Assim funciona uma  consulta popular tão odiada e perseguida pelas  oligarquias de nosso Continente. Aconteceu na Bolívia e na Venezuela recentemente.

O que está ocorrendo atualmente em Honduras fere a soberania de todos os nossos povos latino-americanos.

Recém saídas de ditaduras golpistas, nossas democracias deverão se unir no sentido de apresentar sua solidariedade ao povo hondurenho.Tal como ocorreu na Bolívia. ano passado.

Os dirigentes dos estados latino-americanos apoiaram de imediato o povo boliviano ao  intermediarem negociações entre as forças políticas daquele País, impedindo o golpe.

É irônico, talvez, que enquanto a Bolívia era violada ano passado, no Chile e no mundo verdadeiras comemorações ocorriam para homenagear o Centenário de nascimento de Salvador Allende, morto em decorrência do Golpe militar naquele País, no 11 de setembro de 1973.  

Hoje, solidarizar-se ao povo hondurenho, não reconhecer o atual governo implantado pelo regime de força, é o mínimo que os nossos dirigentes podem fazer para a garantia da soberania  de Honduras.

 

   

 

 

postado por Maísa Paranhos. às 11:33

1 Comentário

05/07/2009 às 13:06
Carlos escreveu:
Concordo com sua colocação quando diz que a questão é política e não técnico-jurídica! Devemos pensar na democracia e esta nasce com o direito do cidadão em exercer a política. Os militares não são os verdadeiros guardiões da soberania. É cidadão que deve exercer esta função. Parabéns pelo artigo!

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