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O revanchismo e a rachadura

19 de junho de 2009

                                  

Há alguns dias o Ministro da Defesa,  Nelson Jobim, declarou que a punição para os militares acusados de terem torturado pessoas durante a ditadura militar é revanchismo, que não contassem com ele para tal objetivo. E mais, que se assim o Brasil o fizesse,  ficaria escravo do passado e que devemos olhar prá frente, ter os olhos no futuro.

Não sei bem por qual motivo, veio-me  à cabeça certas frases, “Prá frente Brasil”, “Brasil, país do futuro”, “Brasil, gigante adormecido”, “Ninguém segura este País”. Talvez pelo fato de ver o meu País, em alguns momentos pontuais, adiando questões presentes, postergadas a um "futuro", sempre por acontecer.

Bem, mas voltemos às declarações do Ministro da Defesa que disse ser revanchismo a punição para os militares torturadores.

Vale a pena antes ressaltar que os militares torturadores não foram a maioria.

Não foram todos os militares que rezaram a cartilha da Segurança Nacional da Escola das Américas gerenciada pelos EUA, onde se ensinava  como se obter tal segurança, reprimindo, torturando e assassinando os “inimigos” do País, os comunistas e seus simpatizantes.

Também não foi a maioria dos militares que teve a desonra de exportar técnicas de tortura para outros militares de  Países da América Latina, com métodos mais avançados e  eficazes para obtenção de informações através do suplício.

Não foram todos os militares  os responsáveis pela perseguição a outros militares, cidadãos brasileiros cujo único “crime” foi desejar um País com diferenças menos díspares, um País mais justo.

Quando a Nação brasileira reivindica a punição dos torturadores, não está propondo  “olho por olho, dente por dente”.

O revanchismo é  atitude que não passa pela elaboração consciente do saber jurídico.

Como sociedade civil organizada, sob o Estado Democrático de Direito, a Nação requer que se faça justiça.

Fazer justiça implica a revisão da Lei da Anistia, lei esta, promulgada sob um regime ditatorial.

Fazer justiça implica, no caso, a apuração das mortes , desaparecimentos, assassinatos e torturas que são crimes cometidos sob o Regime Militar implantado no Brasil com o Golpe Militar de 1964.

Não investigar tais crimes e não punir os seus autores, coloca em questão a própria natureza do que seja Justiça.

Ao contrário de outros Países de nosso Continente, poderíamos vestir a camisa do País da impunidade, sem nenhum conflito.

E  aí sim, estaríamos condenados  a sermos escravos de um passado em aberto.Seríamos uma Nação cindida.

A Memória ficaria com uma rachadura denunciadora de uma ferida não estancada, de perene hemorragia  dos torturados e ofendidos deste nosso País dos idos 1960. 1970, 1980...

 

 

 

   

 

   

 

postado por Maísa Paranhos. às 01:05

2 Comentários

29/03/2013 às 21:37
Marcelo escreveu:
sou professor de Hitória e Geografia,acredito na importância da lei que permite a divulgação publica dos arquivos secretos do períododa ditadura militar,para revelar os responsáveis por vários crimes. Contudo, se esses criminosos não forem presos a impunidade se fortalece, na Argentina são presos.
29/03/2013 às 21:22
Marcelo escreveu:
sou professor de Hitória e Geografia,acredito na importância da lei que permite a divulgação publica dos arquivos secretos do períododa ditadura militar,para revelar os responsáveis por vários crimes. Contudo, se esses criminosos não forem presos a impunidade se fortalece, na Argentina são presos.

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