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Ditadura e Anistia

03 de junho de 2009

Artigo publicado no jornal A TARDE em 1/04/2009                               

 

 

Quando o poeta disse que “é preciso estar atento e forte”, o verso já não mais lhe pertence. Ganhou  a boca do povo e hoje, confesso, não me sai da cabeça.

Com os 45 anos passados da ditadura implantada no Brasil através do Golpe Militar de 1964, com todas as perdas que ela representou, seria inacreditável pensar que haveria quem minimizasse seus atos.  

Com artigos como “ditabranda” e “ditadura à brasileira”, a mídia paulista  publicou  posições que minoram a ação nefasta dos anos repressivos daqueles tempos.

Estamos atualmente revendo questões tocantes à Lei da Anistia, em que a sociedade brasileira agora mais livre para se expressar, começa a se dar conta que a nossa anistia foi promulgada sob a ditadura, portanto essa mesma anistia não poderia ser a que o povo esperava e necessitava, muito menos e por isso mesmo, poderia ser justa. Tornou-se lei sem que a sociedade  tivesse  podido estabelecer um amplo e livre debate. Ao contrário, nossas manifestações em prol da anistia se deram enquanto continuavam a ocorrer prisões e torturas.

Enquanto nação, sequer pudemos questionar  a morte de Jango, nosso  Presidente deposto pelo Golpe Militar em 1964, que teve seu corpo trazido já sem vida para terras brasileiras e de cuja morte, hoje sabemos, existem fortes indícios de  assassinato, conforme publicação recente da revista “Carta Capital”.

Em fins dos anos 1970, o povo clamava por anistia e na sua ânsia por vê-la concretizada em plena ditadura,  a sociedade como um todo,  com suas feridas abertas e cheia de saudades do Brasil, de um Brasil interrompido , saudades de seus filhos que tinham ido, alguns “prá nunca mais”, não se deu  conta que a anistia “perdoava” torturadores e torturados, igualando perante a lei as vítimas e seus algozes.

Desta forma a anistia que tivemos foi a possível para aquele momento e serviu também como estancamento da dor coletiva.

A Argentina, o Chile e o Uruguai,  países da América Latina que à época sofreram golpes militares, tiveram processos encaminhados contra os crimes cometidos pelos regimes de exceção após o retorno à normalidade do Estado Democrático de Direito.

No Brasil, a União tem tornado público os arquivos da ditadura , sendo necessário fazermos uma reflexão mais apurada dos fatos para prováveis desdobramentos.

Qual sentido teria a busca de tal documentação?  Não se trata de catarse e sim de apuração.

Acredito ser importante estarmos atentos  com essa nova onda de apagar a historia de nosso País , pois da mesma maneira que existe quem tenta negar a existência do Holocausto,  já podemos vislumbrar uma proposta de esquecimento tomando forma,  nutridora de uma passividade ideologicamente trabalhada em nossa cultura sob o pretexto de ser revanchismo, a demanda por justiça.

Estejamos atentos com tais iniciativas e sejamos fortes na irredutibilidade de nossos direitos.

 

postado por Maísa Paranhos. às 14:55

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