Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

As tardes passadas movem moinhos

05 de abril de 2011
Artigo publicado em A TARDE , Salvador, 14/3/2011


É a mesma história sempre: damos uma geral em nossos armários, estantes e gavetas; jogamos calhamaços de papel fora e, assim, ordenamos nossas vidas acreditando piamente que isso é possível, sobretudo quando tal fato ocorre nos finais ou inícios dos anos. Temos a sensação de uma renovação automática, desde que façamos o prometido a nós mesmos: ordem e mudança. Seria uma quase paródia da nossa “Ordem e Progresso”?
Este ano comecei em débito, retardatariamente, vai ver as transformações em minha vida não virão, pode ser... Deparo-me, hoje, rodeada por quilos do jornal A TARDE separados devidamente, com os recortes das notícias importantes, sem os quais não poderia viver. São recortes não só deste ano, mas um verdadeiro “dossiê” daquilo que meus valores me ditam ser indispensável guardar ao longo do tempo. Porém, num ato rebelde invulgar, resolvo fazer uma “limpa” também nos “intocáveis”: aqueles que nunca relemos, mas guardamos, talvez numa tentativa vã de estancarmos o tempo ou talvez de dizermos para alguém, ou histericamente prá todos, Fidel está doente, o Lula quitou a dívida externa, o “Cultural” acabou e a Alexandria, nunca mais... Honduras sofreu um Golpe Militar, e Nestor Kirchner morreu...Tentativas de contenção de um tempo que sempre foi veloz, mas que hoje não nos permite a decantação do que se lê. As informações, aos milhares a cada fração de segundo, não esperam. Notícias são descartáveis.
Sinto-me devorada por elas. Tento lê-las todas, ordenar--me para, assim, atingir, bandeirosa e positivamente, o progresso em minha vida, porém sou vencida pela realidade que se impõe , e descubro que terei de me reinventar. Descubro que garantir-me é tornar-me permeável à minha contemporaneidade.
As tardes passadas, tristes ou alegres, pungentes ou medíocres, deixam seus rastros impressos em nosso corpo e alma, na memória e , diferentemente das águas, continuam a mover, por vezes quixotescamente, os nossos moinhos, instrumentos de nossos desejos a nos impulsionar.


postado por Maísa Paranhos. às 00:09

Comentários

Nenhum comentário foi registrado para este post.
Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.