Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

Abolição sem terra

30 de novembro de 2009

                                            

 

Publicado em  A TARDE, Salvador, BA

30/novembro/2009

 

Pablo Neruda, em seu poema Amor América, nos conta que “O  homem terra foi...” como longe foi o tempo em que nossos índios sequer conheciam a propriedade e foram roubados daquilo que lhes era extensivo e sagrado, a terra, este bem maior do qual todos dependemos.

Originário de uma sociedade herdeira de complexas formas contratuais do uso  fundiário, o colonizador dela  se apropriou , estabelecendo aqui as Capitanias Hereditárias cuja lógica de concentração, de poder de mando e de exclusão social  advindos, perdura até hoje.

Portugal,  implantando o binômio escravidão/latifúndio, não permitiu a formação da   pequena propriedade  camponesa, escoando nossas riquezas para mãos inglesas, possibilitando, assim, a industrialização européia.   

Independente em 1822, o Brasil passa a ter suas  terras devolutas liberadas por menos de trinta anos pois A Lei de Terras de 1850, além de normatizar as posses e propriedades pré existentes, instituía que a terra, livre após a Independência, só poderia ser adquirida mediante compra e venda, aprisionando-a. Ou seja, somente a obteria aquele que tivesse poder aquisitivo para fazê-lo.

Desta forma, o ex-escravo, que a partir de 1888 é um sujeito livre , passa a ser prisioneiro de uma outra condição social também sub-humana, pois sem uma reforma agrária que acompanhasse a Abolição, teve negada a terra que lhe permitiria  a  base material de sua verdadeira cidadania. Bem sabemos que muitos ex-escravos, sem alternativas, retornaram a seus antigos donos, ficaram sub-empregados ou caíram na mendicância.  

As Políticas Públicas afirmativas e reparadoras, tão necessárias, ignoram em sua grande maioria, uma das principais  reparações, ou seja, a justa distribuição de terras  que poderia fixar o homem no campo, evitando o inchaço das cidades e sua conseqüente  violência.; tornando terras improdutivas em produtivas, abaixando o preço dos alimentos e erradicando  a fome; dinamizando a economia e possibilitando o aumento do poder aquisitivo da população.

Prover a terra ao povo  deve ser compreendido como uma reparação necessária a toda nação brasileira.

A Escravidão é impagável, porém a Abolição precisa ser completada e a terra, sacralizada.

 

 

 

 


postado por Maísa Paranhos. às 16:34

Artigo: 24 de agosto, 55 anos sem Getúlio Vargas

30 de novembro de 2009

24 de agosto: 55 anos sem Getúlio Vargas

 

A data de 24 de agosto torna obrigatória a formulação de algumas reflexões políticas, num país cada vez mais descrente em relação aos seus políticos. Afinal, há 55 anos, um único tiro de revólver calou a toda uma oposição raivosa, amparada por amplos setores das forças armadas do país, que exigiam a deposição imediata do maior estadista de toda a história brasileira. Com 72 anos de idade, no ano de 1954, o líder inconteste da Revolução de 30 colocou fim a sua vida, adiando um golpe de Estado que se concretizaria 10 anos depois, quando seu herdeiro político João Goulart sofreu na pele a mesma implacável perseguição na quartelada de 64.

Getúlio Vargas, o homem que ao longo de sua vida oscilou entre as extremidades do amor e o ódio, entre as elites e os pobres, encontrou no gesto extremo do suicídio a solução para a que o país não fosse tomado pelas idéias liberais da UDN, do governador da Guanabara Caros Lacerda. Na prática, o Presidente Vargas postergou o golpe dos grupos econômicos e financeiros internacionais, aliados a grupos nacionais, revoltados contra o regime de garantia do trabalho, e contra a independência do povo brasileiro.

Mas quem é este homem, acusado de ditador no Estado novo, mas que voltou à Presidência da República nos braços do povo, eleito pelo voto, derrotando o Brigadeiro Eduardo Gomes em 1950? Este homem, que há 55 anos deixava a vida para entrar na história, é nada menos que o criador do moderno Estado Brasileiro, é o líder que pôs um fim à política de oligarquias da República Velha, e é o presidente a quem o Brasil deve a criação da Consolidação da Legislação Trabalhista. Pouco ainda? O Gaúcho de São Borja fomentou a industrialização brasileira, dobrou o salário mínimo, proposto por seu ministro de Trabalho Jango, criou a Petrobrás, e Eletrobrás, obras que causaram uma onda de agitação em seus opositores.  

Seu legado de luta contra qualquer forma de espoliação das riquezas da nação, de luta pela libertação do trabalhador brasileiro, a favor da pátria soberana, continua aceso. Não faz muito tempo, houve até o esforço inútil de um Presidente da República em acabar com a era Vargas. Porém o sacrifício do mestre Getúlio está marcado eternamente na alma da população do Brasil, e seu sangue continua correndo nas veias dos seus seguidores. Viva Getúlio Vargas!

Christopher Goulart 
                                                                   Presidente Memorial João Goulart 

postado por Christopher Goulart às 10:48

Artigo: O inimigo íntimo de Jango

30 de novembro de 2009

O INIMIGO ÍNTIMO DE JANGO

 

 

Pergunte ao seu inimigo o que ele diria sobre a sua vida. Certamente ele falaria sobre os piores aspectos possíveis para macular sua imagem. A imprensa noticiou recentemente sobre a intimidade de um presidente da República devassada por seus algozes, a mando dos líderes dos regimes autoritários latino-americanos. Os documentos do SNI e serviço secreto uruguaio, trazidos a público, comprovam um fato que há anos o Instituto Presidente João Goulart vem investigando, justamente para resgatar a biografia e trajetória política daquele que representou a queda da democracia no Brasil em 1964.

Os passos da família Goulart eram monitorados 24 horas por dia, não em razão da desenvoltura empresarial de Jango, mas sim de sua atuação política, pois o retorno do presidente derrocado ao Brasil representaria um futuro projeto exitoso de candidatura à presidência da república, com o apoio tanto da direita como das esquerdas. Prova disso foi a formação da frente ampla em 1966 no exílio uruguaio, que tinha o apoio de Carlos Lacerda (UDN) e Juscelino Kubitchek (PSD), todos cassados pelo regime militar e buscando uma alternativa democrática.

O verdadeiro fato político importante, entre tantas mesquinharias descritas nos relatórios dos arapongas, é o de que a reabertura segura, lenta e gradual para o retorno da democracia brasileira, articulada pelo General Golbery do Couto e Silva, não contava com a presença ativa de João Goulart no cenário nacional, e vale recordar: Jango morreu com 57 anos de idade e com um projeto político em andamento. O “império” devassado do presidente não foram os seus bens patrimoniais e suas transações comerciais, pois o presidente já era muito rico antes de ingressar na política. O que realmente foi destruído pela sua oposição golpista foi o projeto de nação que o gaúcho João Goulart visava com as reformas de base, jamais vistas na prática em toda a história do nosso país.

 

Todas estas novas informações agora compartilhadas com a sociedade gaúcha, algumas verdadeiras, outras não, só têm sentido se servirem para uma profunda reflexão política. O destino injusto e até mesmo trágico de Jango, que inclui a hipótese de assassinato, está diretamente ligado com a história de um cidadão honesto, empreendedor, com um nítido propósito de reformar as velhas estruturas políticas, sociais e econômicas da nação, amparadas pelas oligarquias. Quais poderosos interesses econômicos, nacionais e internacionais, seriam contrariados com os severos ajustes da máquina Estatal proposto por João Goulart? A Lei de remessa de lucros poderia responder a esta indagação.

Jango só retornou ao Brasil sem vida, e sequer teve tempo para poder se defender de tantas calúnias a ele atribuídas. Mas a sociedade gaúcha pode começar a fazer justiça com a memória deste estadista deposto, na interpretação do saudoso Darcy Ribeiro, “muito mais em virtude de seus acertos do que seus erros.”

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango

     

       

 

postado por Christopher Goulart às 10:46

Artigo:Por uma nação coletiva

30 de novembro de 2009

POR UMA NAÇÃO COLETIVA

Há muito tempo perdura em nosso país uma profunda descrença em relação à política. Sempre foi assim, e provavelmente sempre será. Tal sentimento negativo, como conseqüência de tantos escândalos sucessivos, é o mesmo que invadiu as mentes de muitos jovens de ontem, que assola os de hoje, e, certamente, será o senso comum da análise política elaborada por nossos filhos. E o resultado natural desta descrença é conhecido: uma massa de jovens analfabetos políticos, sujeitos a manipulações nocivas ao futuro da pátria brasileira, no momento em que deixam de questionar o porquê desta realidade.  

É dessa forma que os jovens se tornam coniventes com a pulverização gradativa de um conceito de nação coletiva. Muitos sequer questionam a idéia de um país que realmente seja para todos, e não somente para alguns. A mesma população que elege é a que depois critica. Óbvio demais, não é mesmo? Em todos os processos eleitorais prega-se a renovação, mas a obviedade das mazelas sociais, políticas e econômicas persistem no tempo.

Nos discursos proferidos, a intenção de manter acesa a esperança do povo está sempre presente. Afinal, o povo vive de esperança, e os políticos vivem da esperança do povo. Mas o que este povo tão sofrido não pode jamais esquecer, é que aqueles que os representam devem estar comprometidos com causas públicas. É o bem comum da sociedade que está em jogo. É a pretensão de colocar em prática um ideal de nação coletiva, onde todos os brasileiros estejam inseridos.

Vale lembrar que não existe fatalismo na política, pois ela será o que nós fizermos dela. Portanto, é determinante o entendimento exato de coisa pública, e jamais misturar tal conceito com o âmbito de interesse privado. Mais do que isso. Os homens públicos devem estar preparados para enfrentar a difícil tarefa de nunca ceder às tentações do poder, e, ao mesmo tempo, combater detentores de privilégios. Afinal, um político é apenas um empregado do povo. Ou pelo menos assim deveria ser.

É hora de aplicarmos na prática a essência de uma nação coletiva. Mas o que é mesmo uma nação? Ernest Renan, escritor, filósofo e historiador francês que viveu no Século XIX, em conferência realizada na Sorbonne, em 11 de março de 1882, assim a definiu: “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual”. “Uma nação é, então, uma grande solidariedade, constituída pelo sentimento dos sacrifícios que fizeram e daqueles que estão dispostos a fazer ainda”.

O Brasil ainda é um bebê em relação à democracia e, por isso, ainda é preciso consolidar a cultura do coletivo, contrapondo-nos ao perigo de sacramentar uma sociedade alienada, individualista, amoral e sem identidade cultural. Seguidamente nos deparamos com uma pergunta básica: “O que eu vou ganhar com isso?” Porque então não começarmos a perguntar “O que o meu país ganha com isso”?

 

 

 

 

Christopher Goulart

Presidente da Associação do Memorial João Goulart

 

 

postado por Christopher Goulart às 10:45

Artigo: Política, ideologia e renovação no DCE

30 de novembro de 2009

POLÍTICA, IDEOLOGIA E RENOVAÇÃO NO DCE

 

O Rio Grande do Sul acompanhou, através dos meios de comunicação, o resultado final da eleição recente do DCE da UFRGS, que resultou na vitória de uma chapa “não esquerdista” como muitos ressaltaram. O próprio Prefeito da cidade de Porto Alegre declarou que a vitória foi uma façanha semelhante à eleição dele quando derrotou o PT na eleição Municipal, ao passo que, o novo jovem presidente do DCE, respondeu que “não é pra tanto”. Tudo noticiado por Zero Hora.

Interessante é verificar que tal fato, traz à tona alguns posicionamentos que remetem ao constrangimento da adesão juvenil de tempos nem tão distantes, em ser “de direita ou de centro direita no meio acadêmico”. Como jovem, e ex-aluno universitário, penso que não é a circunstância de ser de direita ou esquerda o motivo fundamental que elege um novo presidente de Diretório Acadêmico. O estudante, como toda a sociedade de forma geral, prega por mudanças, quando detecta que algo não vai bem, e a alternância de poder é um dos pilares mais sólidos da democracia.

Portanto, o processo de renovação política sempre é bem-vindo, e não seria diferente dentro de uma instituição tão respeitada quanto a UFRGS, universidade esta que se orgulha da formação de dois presidentes da República: Getúlio Vargas e João Goulart. Mais: Foi lá que o Governador Leonel Brizola consolidou sua formação acadêmica. Todos estes homens públicos são referências que fundamentam a essência do verdadeiro trabalhismo brasileiro, banido do cenário político durante os anos de chumbo.    

Ocorre que, ao associar tendenciosamente tal eleição estudantil como “queda do muro de Berlim da UFRGS”, e não mencionar, por exemplo, a queda do muro imaginário de Nova Iorque ocorrida neste último ano, simbolizado pela crise econômica gerada pelo Neoliberalismo, formaliza-se um julgamento político temeroso e de nenhuma contribuição democrática. Política estudantil não pode ser construída com ressentimentos advindos do passado.

Se assim fosse, poderíamos lembrar então que uma das primeiras contribuições democráticas da “revolução de 1964”, como muitos saudosistas da velha ARENA gostam de rotular, foi justamente incendiar o prédio da UNE no Rio de Janeiro. Lembraríamos do assassinato do Estudante Edson Luis, ou talvez da prisão dos estudantes no Congresso de Ubiúna em 1968. Então, melhor olharmos para o futuro, e não apenas para o passado.     

A “onda da galera”, como classificou meu nobre colega de profissão, em artigo publicado aqui nesta página, eram convicções de valorosos jovens, que clamavam por reformas estruturais e institucionais em nosso país já na década de 60. Eram jovens que lutavam contra a ditadura militar, com o objetivo de reconquistar liberdades constitucionais, cerceadas pela força das armas; jovens que sofreram na pele a força da arbitrariedade de outros tempos.

Mas hoje, com a democracia consolidada, os jovens que exercem a política estudantil, devem sim ter conhecimento de fatos históricos, mas jamais se deixar contaminar com velhos conceitos viciados. Então, melhor ficarmos com a interpretação do jovem presidente eleito sobre este debate ideológico: “Não é pra tanto!”.    

 

 

 

Christopher Goulart

Advogado

Presidente da Associação Memorial João Goulart

postado por Christopher Goulart às 10:42

Artigo: Ocultação da história brasileira

30 de novembro de 2009

OCULTAÇÃO DA HISTÓRIA BRASILEIRA

 

“Tem dias que agente se sente como quem partiu ou morreu, agente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu.” Assim inicia a composição de Chico Buarque na música intitulada Roda Viva. E o mundo realmente dá voltas. Ao compasso do fortalecimento de nossa democracia, conquistada com tanto sacrifício do povo brasileiro, gradativamente, a história se impõe. Crimes cometidos num passado recente ressurgem literalmente das cinzas, como denota a denúncia que o MPF de São Paulo ofereceu contra o Ex-governador Maluf e o Senador Romeu Tuma, entre outros.

A realidade perversa dos tempos de regime ditatorial que acossou nosso país, hoje choca a população brasileira. Segundo a Procuradora de São Paulo, “ambos contribuíram para que ossadas permanecessem sem identificação, em valas comuns dos cemitérios, e atestaram falsos motivos de morte a vítimas de tortura”.         

Enquanto Maluf chama a acusação de “ridícula”, o corregedor do Senado – pela quarta vez, provavelmente ainda não tenha recebido a intimação do MPF de São Paulo sobre o caso. Também não deve ter recebido o ofício remetido pelo MPF do Rio Grande do Sul, no mês de agosto, indagando sobre questões ligadas ao provável assassinato do Presidente Jango, pois até a presente data, não se tem nenhuma resposta do Corregedor do Senado.

Ridículo mesmo é a insistência de muitos personagens principais do regime autoritário, senhores como Tuma e Maluf, em ocultar uma página vergonhosa da história do Brasil. Denunciar estes crimes, e tantos outros ocorridos, não pode ser caracterizado como revanchismo, como muitos saudosistas da ditadura gostam de taxar. Uma interligação do passado ao presente, no tocante à inadmissibilidade de atos de violação de direitos humanos, aponta para a construção de regimes democráticos sólidos e estáveis, fundamentados na justiça e no direito, e jamais no medo e na violência.

Christopher Goulart

Presidente da Associação Memorial João Goulart

postado por Christopher Goulart às 10:40

PORQUÉ SÓ DUAS CANDIDATURAS NO BRASIL PLURIPARTIDARIO?

24 de novembro de 2009
PORQUÉ SÓ DUAS CANDIDATURAS NO BRASIL PLURIPARTIDARIO?





Quem não se lembra do bipartidarismo que a ditadura nos impôs durante os anos de um país sem liberdade, de um país sem destino, de um país amarrado a censura com os direitos individuais tolhidos?



Quem não se lembra do nosso sistema político que se dizia lá no exílio era a legitimação política de dois partidos a uma feroz ditadura; um era o partido do sim, outro do sim senhor, na época da ARENA e MDB?



Demoramos muito tempo e paulatinamente viemos aprimorando dia a dia, eleição trás eleição o nosso sistema político, partidário e eleitoral, caminhando sempre na busca da melhora de nosso amadurecimento democrático. E fomos adiante quando conseguimos superar, logo em um primeiro momento o trauma de um impeachment de nosso primeiro presidente eleito, pelo voto direto, o triste episódio de Fernando Collor de Mello como há anos imaginávamos e sairmos ilesos em nossa emergente democracia pós-ditadura.



Por que hoje os políticos que agrupados em grandes partidos, PMDB, PT, PSDB tentam através de um sentimento mal interpretado querer propagar a tolice de inculcar a teoria que nossa próxima eleição presidencial tenha que ser entre o branco e o preto? Entre o lobo e a ovelha? Entre só uma esquerda e uma direitona? Entre só um candidato estatizante e outro privaticionista?



Nós brasileiros sabemos que a grande quantidade de pequenos partidos muitas vezes agem de forma servil aos grandes partidos, mas tê-los funcionando, sem dúvidas é uma conquista democrática da qual não podemos abrir mão com o risco de regredir na conquista livre e soberana da democracia plena.



Mas pior, muito pior é submeter-nos ao autoritarismo pragmático que tentam estes pseudo-donos da política que preza a raposa cuidar do galinheiro, como faz o PMDB, PT, DEM e PSDB, pensar que nós brasileiros após conquistar vários degraus de nosso processo democrático tenhamos que votar já no primeiro turno em apenas dois candidatos, como se fôssemos uma tropa de bois a passar entre o brete e a porteira.



Têm-se vários partidos funcionando, não necessariamente temos que escolher no que pensam as raposas dos grandes partidos de grandes alianças.



Para o bem destes partidos seria lógico que em nosso sistema eleitoral de dois turnos, tivéssemos a liberdade de escolher no primeiro, o candidato de nosso partido, até para ver o desempenho e fortalecimento dos mesmos, uma vez que vivemos em uma democracia pluripartidária e estes vários partidos só se fortalecerão lançando os seus própios candidatos. Teria que ser uma obrigação que ainda não tem base legal, mas que eleição pós- eleição iremos aperfeiçoando para dar robustez ideológica a estes partidos e não aos homens que neles militam.

Mas aí vem a cooptação dos maquiavélicos dirigentes dos grandes partidos querendo fazer do primeiro turno um embate plebiscitário entre os seus dois candidatos.



Mas pelo andar da carruagem vamos ter o que o nosso Brasil e seus eleitores merecem,

caindo por terra a vontade unívoca de conduzir os votos da população plebiscitariamente.



Que bom seria ter Cristovam Buarque candidato pelo PDT, Marina pelo PV, Ciro Gomes pelo PSB, Dilma pelo PT, Serra pelo PSDB, Cesar Maia pelo DEM, Eloísa Helena pelo PSOL e candidatos a presidência também pelo PP, pelo PRB,

e por todos os outros que queiram ter essa representação no primeiro turno para consolidar o pleito.



Sem dúvidas o panorama seria diferente e vários candidatos favoritos cairiam no caminho como castelos de cartas.



Será mais um avanço da conquista de nosso povo em derrubar oligarquias políticas a serviço de seus interesses pessoais.



A vontade das raposas não prevalecerá!











Artigo de João Vicente Goulart.

Brasilia 14 de agosto de 2009.
postado por Joao Vicente Goulart às 15:25

STF promulga: " O brasil de joelhos diante da Italia".

24 de novembro de 2009



ARTIGO de João Vicente Goulart.

STF promulga: “O Brasil de joelhos diante da Itália”

 

 

             Como brasileiro não posso neste momento deixar de externar meu espanto sobre o desfecho do caso Battiste no Supremo Tribunal Federal da Nação.

 

Não bastasse ter sido o julgamento de um crime supostamente penal, onde o empate de quatro votos a quatro garantiria a posição em favor do réu, vimos à sanha política manifestar-se no último voto de minerva dado pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, proferindo um voto eminentemente político para colocar em xeque mais uma vez o peso da decisão de manter Battiste no território nacional na mão do Presidente Lula.

 

Não bastasse esta posição do ministro Gilmar Mendes de colocar o Brasil de joelhos diante de entregar uma vida de um lutador por reformas incontestes,  ou de procurar saber  por que a Itália não realizou as mesmas pressões políticas quando este permaneceu por mais quase dez anos no território da França.

 

Quer com seu voto, Ministro Gilmar Mendes colocar o Brasil nos moldes de subserviência internacional, não podendo o executivo ter a prerrogativa de conceder o refúgio político aqueles seres humanos perseguidos pelos poderosos de outrora?

 

Ou quer ministro Gilmar Mendes provocar mais uma vez a instabilidade constitucional de nosso presidente eleito e reeleito por maioria da vontade emancipada de nosso povo brasileiro?

 

Quer vossa excelência auto reafirmar-se, claro com a extrema vaidade pessoal, que o cargo que ocupa não lhe dá esse direito?

 

Lá de longe, no exílio que nos abrigou refugiados desde a ruína do edifício do Estado de direito que nos trouxe o golpe de 1964, pelo menos tivemos esta proteção de outros países latino-americanos que nos abrigaram enquanto no nosso país muitos covardes de todos os setores se aliavam a ditadura militar para abrigarem-se sob suas asas, inclusive com sustentação do judiciário que botava panos quentes nos desaparecimentos, nas mortes, nas torturas e viviam aqui dentro de nosso país como se este fosse um oásis de tranqüilidade jurídica, social e econômica.

 

Tenho fé e esperança em nosso país.

 

Com Jango, meu pai, o Presidente constitucional que foi morto no exílio, onde estava refugiado por ter lutado politicamente contra as opressões e arbitrariedades, sejam elas jurídicas, sociais de castas ou econômicas que dominam a economia popular, pude ver de longe que meu país evoluía para a abertura política da anistia e a volta dos exilados.

 

O que não esperava, é que depois do avanço político as nossas instituições que deveriam proteger a pessoa humana, continuam tão retrógadas como na ditadura, ou pior, pois a vaidade pessoal é um câncer daqueles prepotentes que tudo acham poder.

 

Inclusive ajoelhar o Brasil diante da Itália!

 

 

 

                                                      João Vicente Goulart

                       Diretor do IPG-Instituto Presidente João Goulart

 

 

                                          Brasília 19 de novembro de 2009.
postado por Joao Vicente Goulart às 15:20

Subordinar nossa soberania aos vetos de Israel - era só o que faltava

23 de novembro de 2009


Subordinar nossa soberania aos vetos de Israel - era só o que faltava


Sionistas usaram de todas as suas armas para impedir a visita do presidente do irã


Os sionistas fizeram de tudo para impedir a vinda de um chefe de Estado com o quzal mantemos excelentes relações. Alguns gatos pingados foram às ruas, mas o grão rabino Asquenazi de Israel, Yona Metzger, foi mais longe: exigiu que o presidente do Senado, José Sarney, jogasse pesado contra a visita, do nosso interesse. Na delegação iraniana, quase 100 empresários virão conversar sobre o aumento dos nossos negócios, que são os mais vantajosos no Oriente Médio.
"O Muro de Sharon, em lugar de oferecer uma legítima proteção contra o terrorismo, semeia o ódio ao adentrar profundamente na Cisjordânia, ampliando a ocupação de terras palestinas, e tornando ainda mais insuportável a vida de dezenas de milhares de pessoas. Privadas de condições mínimas para uma vida digna, estas se tornarão novas presas do caldo de cultura do terrorismo".
Moisés Storch, coordenador dos Amigos Brasileiros do Movimento PAZ AGORA, de Israel. (Revista Espaço Acadêmico, novembro de 2003)



Tinha outras prioridades, mas uma mensagem repassada pelo combativo parceiro JC Lago Neto, assinada por Gerardo Xavier Santiago, me pôs na arena, no intuito de repudiar a infeliz cobrança feita sobre a "ausência da esquerda", na manifestação de uma meia dúzia de sionistas e alguns exibicionistas contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
O signatário parecia à cata de uma explicação para sua própria adesão ao evento, cujo "abre alas" era a bandeira do Estado Israel, responsável por tantos massacres, torturas, assassinatos, apropriação da água e por uma política expansionista sem freios, contra a qual, provavelmente, esse mesmo senhor, ao que me conste, não levantou sua voz.
Eu diria: quer fazer média com os donos do mundo, tudo bem, é um direito que a nossa Constituição lhe assiste. Mas investir furiosamente contra quem não admite interferências estrangeiras em nossas relações diplomáticas, aí é forçar a barra.
Ato contra nossa soberania
O protesto, que não teve sequer a adesão do grosso da colônia judaica (250 mil no Brasil, dos quais 35 mil no Estado do Rio), questionava um ato de soberania do governo brasileiro, que mantém relações diplomáticas com o mundo inteiro, como é de bom conselho.
Declarava simplesmente, de forma arrogante e inconveniente, que o chefe de Estado brasileiro não podia receber o chefe de Estado do Irã, hoje o mais amedrontador inimigo do sionismo estabelecido em território da Palestina.
Não podia porque Israel e Irã estão às turras e o Brasil, segundo esses manifestantes, deve se subordinar aos israelenses, que têm uma milionária quinta coluna entre nós.
Quer dizer: antes de receber qualquer chefe de Estado estrangeiro, seria obrigação do governo brasileiro obter um NADA A OPOR do regime de Tel Aviv, chefiado hoje pela fina flor do expansionismo neonazista, muito mais violento do que o dos antecessores, que quase destruíram Gaza ainda há pouco, deixando 2 mil palestinos mortos por seus impiedosos bombardeios.
E a ditadura sionista, pode?
O sr. Geraldo Xavier Santiago disse que estava ali, ao lado da meia dúzia de judeus sionistas, para protestar contra a "ditadura dos aiatolás". Será essa "ditadura" diferente da "ditadura dos rabinos e militares", onde os partidos religiosos são o fiel da balança do governo que continua implantando assentamentos judaicos na Palestina e tem hoje um MURO muito maior do que o estigmatizado Muro de Berlim?
Não me cabe neste texto entrar na discussão da realidade interna do Irã, até porque ainda está gravada em minha memória a deplorável guerra Irã-Iraque, fomentada pelo governo Reagan, que durou oito anos (1980-88) e custou um milhão de vidas, deixando um rastro de destruição ainda por apagar-se. Nesse conflito, os Estados Unidos e seus aliados armaram o governo de Saddan Hussein e o jogaram contra o vizinho, após revogar unilateralmente o acordo fronteiriço de 1975, assinado em Argel.
Falo como testemunha ocular dos fatos
Estive pessoalmente no Oriente Médio. Conheci Tel Aviv e, principalmente a região do Mar da Galiéia, onde a população de 70 dos 210 municípios israelenses ainda é predominantemente árabe, embora o Estado sionista venha construindo cidades paralelas, reservadas exclusivamente aos judeus.
Em Jerusalém, presenciei um agressivo regime policial de controle dos passos de todos os moradores. Para encontrar o professor Sari Nusseibeh, reitor da Universidade Árabe de Jerusalém (que havia sido fechada pelo governo sionista e ia ser cortada ao meio pelo tal MURO), fui conduzido junto com o meu colega Rubens Andrade a um escritório camuflado, no sótão de uma loja de tecidos da cidade velha. O reitor, reconhecido no mundo inteiro por sua postura pacifista, vivia numa espécie de clandestinidade, pelo simples "crime" de dirigir a Universidade arbitrariamente fechada.
Naquele julho de 2002, o então presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yaser Arafat, estava recluso em seu escritório de Ramalah e foram infrutíferas as gestões do encarregado de Negócios do Brasil, Roberto Santos, para que pudéssemos visitá-lo.
Conseguimos chegar à Cisjordânia por Jericó, cidade de dez mil anos, cujas atividades estavam totalmente paralisadas pelos tanques israelenses. Vimos destruídas as duas usinas de dessalinização da água do mar, escolas fechadas, hospitais destruídos e um ambiente de verdadeiro campo de concentração, assim descrito pelo ministro e negociador Saeb Erekat, que nos recebeu em clima de tensão no escritório da Autoridade Palestina, em Jericó.
Estado pirata e expansionista
Não dá para entender como alguém que se diz defensor das vítimas da "ditadura dos Aitolás" fecha seus olhos para os crimes continuados, com milhares de vítimas fatais, praticados por um Estado imposto de fora para dentro, que desde o seu primeiro dia vem violando as próprias resoluções da ONU que o criaram, juntamente com o Estado Palestino, jamais permitido pelos terroristas do Irgun e do Haganah, que hoje inspiram a política beligerante de um país que desviou recursos da "ajuda humanitária" para construir seu arsenal atômico, fato admitido acidentalmente pelo ex-premier Ehud Olmet, durante entrevista a um canal alemão em 2006.
É muito estranho que aqui se faça a defesa cega da política belicista de Israel, quando lá mesmo, como pude testemunhar, cresce um movimento pacifista, denominado PAZ AGORA, que já reuniu 500 mil pessoas numa grande manifestação por um acordo, desprezado solenemente pelo grupo radical que governa o país.
Foi de um integrante desse movimento que ouvi indicações sobre o arsenal atômico israelense, que teria de 80 a 200 ogivas atômicas, em razão de que não admite aderir ao Acordo de Não Proliferação das Armas Nucleares.
Até prova em contrário, o Estado de Israel, concebido no início do Século XX, segundo proposta do sionista austríaco Theodor Hertz, como aglutinador dos judeus de todo o mundo, é hoje uma realidade. No entanto, dos 15 milhões de judeus, apenas 7,4 milhões vivem Israel.
Os outros ou preferem os bons negócios fora, principalmente nos Estados Unidos, cuja colônia soma 5,6 milhões, segundo o Instituto de Planejamento de Políticas do Povo Judeu (JPPPI), ou não sentem atração pelo monstrengo em que se transformou o sonho das vítimas de séculos de perseguição e fugas.
Quando a incoerência compromete
Como lembrei anteriormente, há mais judeus no parlamento do Estado islâmico do Irã, do que não judeus no parlamento de Israel, embora os árabes representem quase 20% da sua população. Na última eleição, os partidos da minoria árabe só puderem concorrer por decisão da Corte Suprema, já que o tribunal eleitoral havia decidido excluí-los.
Dá para levar a sério o cidadão que se diz indignado com a "ditadura dos aiatolás" e nada diz contra o regime de terror imposto por um Estado intolerante e racista?
Dá para calar quando ele sobrepõe as angústias dos judeus sionistas aos interesses do Brasil, que tem no Irã o seu maior e melhor parceiro comercial em todo o Oriente Médio?
O governo brasileiro faz muito bem em conversar com o líder iraniano, da mesma forma que faz muito bem em estreitar as relações com a China, que, ao contrário do Irã, é governada por um partido único.
E deve aproveitar o respeito granjeado por sua política externa para interferir efetivamente em favor da paz, contra as agressões ainda em curso no Iraque e no Afeganistão, e a favor de um acordo no Oriente Médio, que passa inevitavelmente pela reformulação radical da política do governo israelense, tal como preconiza o movimento PAZ AGORA, cuja inquietação não chega ao conhecimento dos brasileiros por motivos óbvios.
E tem o dever de ser firme ao intervir em favor do reconhecimento do Estado Palestino, criado, aliás, pela mesma Resolução que gerou Israel.
postado por Pedro Porfírio. às 13:11

A verdade sobre a Venezuela- u ma democracia d ireta com eleições transparentes

02 de novembro de 2009
A verdade sobre a Venezuela - uma democracia direta com eleições transparentes.

Quem foi contra seu ingresso no Mercosul queria agradar a Israel, esquecendo o Brasil



"Será desconfortável admitir a Venezuela porque o presidente Hugo Chávez não reconhece o Estado de Israel, que tem um acordo bilateral (?) com o Mercosul".
Senador João Agripino, líder do DEM

"A Venezuela está investindo muito na modernização de sua infra-estrutura e acreditamos que, com a nossa experiência em obras pesadas, podemos dar uma grande contribuição para o desenvolvimento do país".
César Gazoni, diretor comercial construtora Camargo Correa para a América Latina.

 

Essa votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul serviu para mostrar a pequenez que sobressai no comportamento dos nossos parlamentares. Quem era da base governista, somou os 11 votos ao do PSOL, garantindo folgada maioria à aprovação. Os cinco senadores do PSDB e do DEM, que insistem em fazer oposição como incorrigíveis trogloditas, preferiram se queimar numa postura contrária aos interesses econômicos do Brasil e fazer o gosto de Israel, que não se conforma pela atitude corajosa do presidente Hugo Chávez que, em janeiro de 2009, rompeu relações com o regime sionista, depois dos impiedosos massacres da população civil de Gaza, com mais de dois mil inocentes mortos.
Os senadores oposicionistas sabiam que se há um país que vai ganhar com a admissão da Venezuela no Mercosul esse país é o Brasil, que tem no vizinho o seu melhor parceiro comercial. Sob pretexto de rejeição a práticas de Chávez, que teriam caráter antidemocrático, os tucanos e os representantes do DEM reduziram uma questão de interesse nacional - um assunto de Estado - a um jogo partidário irresponsavelmente mesquinho.
Nessa hipócrita defesa da "democracia" na Venezuela, foram desautorizados até pelo principal líder da oposição a Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que veio ao Senado brasileiro falar do interesse geral em seu país pelo ingresso no Mercosul, independente das divergências e críticas ao seu governo.
A políticos com o histórico de Tasso Jereissati carece autoridade moral para falar em democracia. Com certeza, o controle que exerce sobre a política cearense desde que o governador Gonzaga Motta o fez seu sucessor na onda do "Plano Cruzado", em 1986, não é o melhor exemplo de democracia.
Democracia de sobra com eleições transparentes
Devo dizer, pelo testemunho de quem esteve na Venezuela em 2006 sem qualquer vínculo oficial, isto é, por minha conta, que as eleições naquele país são muito mais transparentes e seguras do que no Brasil. Lá, além do eleitor ser submetido a uma identificação digital numa bateria de computadores, o voto eletrônico é também impresso, permitindo a sua conferência. Em 2006, a Comissão Eleitoral, com a assistência de delegações oficiais da OEA e de vários países, selecionou 45% das urnas para comparar o voto eletrônico com o impresso.
Além disso, o modelo de consulta popular através de plebiscito torna o exercício do poder muito mais exposto ao julgamento do povo. Todas as mudanças constitucionais  na Venezuela tiveram de ser submetidas a aprovação dos cidadãos. Aqui, já fizeram mais de 50 emendas à Constituição sem que o povo sequer tenha tido conhecimento.
Para um país que sofreu um golpe de Estado em 2002, seria querer muito desejar que o governo ficasse à espera de uma nova tentativa e não punisse alguns golpistas. Quando estive em Caracas, todas as estações de televisão faziam oposição, juntamente com os principais jornais do país -
El Universal e El Nacional. Para ter acesso à televisão, Chávez recorria ao canal estatal e às estações comunitárias que, ao contrário do Brasil, se disseminam com liberdade e cobertura legal.
Entidades empresariais e os "ruralistas" atuam com desembaraço na oposição radical ao governo. Essa oposição inclui boicotes de mercadorias e resistências ao controle de preços para forçar o desabastecimento e a inflação. Por conta desse quadro, a Venezuela importa hoje 70% dos alimentos que consome.
A ampla maioria que o governo tem na Assembléia Nacional ocorreu por conta de um boicote nas eleições parlamentares de 2005, postura que a "direita" reconhece hoje como um erro fatal. Mesmo assim, dissidentes da aliança estabelecida naquele ano exercem a oposição, sob a liderança do partido PODEMOS.
O ódio à semente de uma nova América Latina
Portanto, nada mais insustentável do que alegar que a Venezuela despreza a democracia. O que semeia o ódio dos seus adversários é a sua proveitosa cruzada nacionalista, contra a qual os interesses dos trustes se articulam. Com a ascensão do coronel bolivariano, o quadro na América Latina começou a mudar e hoje há um ambiente de dignidade  e culto da soberania nacional na maioria dos países da América Latina. Esse ódio é tão obstinado que até Fidel Castro e a revolução cubana foram colocados em segundo plano pelos grupos aliados dos trustes norte-americanos.
Ao ser eleito pela primeira vez em 1998, Chávez deu fim ao Pacto de Punto Fijo, que perdurara por quarenta anos, com a alternância no poder entre representantes das oligarquias, através dos partidos Ação Democrática e Social Cristão - COPEI. Até então, a Venezuela era o país com maior índice de corrupção da América do Sul. Para se ter uma idéia: em 1973, com a primeira ação articulada da OPEP, o preço do barril do petróleo subiu de US$ 3,00 para US$ 12,00. O produto dessa elevação gigantesca foi todo para os bolsos das oligarquias.
Em consequência da degeneração administrativa e do empobrecimento do povo, apesar das altas do petróleo, o país chegou a um clima de revolta em fevereiro de 1989, no "Caracazo", quando mais de 500 venezuelanos foram mortos pelos militares em dois dias de manifestações desesperadas.
Ex-guerrilheiro faz oposição a Chávez
Quando estive em Caracas, entrevistei Douglas Bravo, o líder das guerrilhas que tiveram grande atuação na década de 60, principalmente nos Estados de Falcón e Mérida. Estava comigo o colega Wellington Mesquita. Morando num modesto apartamento no centro de Caracas, o ex-líder guerrilheiro fez severas críticas a Chávez, acusando-o de "fazer acordo com as petrolíferas estrangeiras".
Fiquei surpreso com sua oposição radical ao presidente que tirava o sono de Bush. Mas ele, com mais de 70 anos (embora bastante conservado) havia recomendado a seus seguidores o voto em brancono pleito em que Chávez foi reeleito.
Durante a entrevista, ele recebeu várias visitas de pessoas que pensavam como ele, muitos de sua geração de guerrilheiros. Quando estávamos saindo, chegava a seu apartamento um grupo de ex-guerrilheiros guatemaltecos que também se mantinham em posições "à esquerda" de Chávez.
Conversei também com  homens  de "direita", entre representantes do comércio, indústria e das áreas rurais. Estes estavam convencidos da vitória do candidato oposicionista Manuel Rosales, governador do Estado de Zúlia, o maior produtor de petróleo, que não precisou abandonar o cargo para disputar a Presidência. E, ao conhecerem o resultado, admitiram que a vitória de Chávez aconteceu em eleições limpas e incontestáveis.
Faço esse relato para dizer finalmente: com a oposição como essa, que continua vestindo a carapuça reacionária e ainda não entendeu bulhufas do processo social, Lula se sente à vontade para tirar do bolso do macacão a sua sucessora, que até hoje não disputou nem eleição para síndico de edifício.
No caso da Venezuela, os tucanos de São Paulo e de Minas, principais estados exportadores para esse país, haviam recomendado mais prudência aos representantes da oposição na Comissão de Relações Exteriores. Mas estes, dos Estados do Nordeste e do Pará, preferiram pagar o mico de quem recorre a qualquer impostura para justificar um voto contra os interesses do Brasil,  pensando que é assim que se faz oposição. No que, aliás, contaram com a solidariedade de José Sarney e Fernando Collor, dois dos generais da base governista, que declamaram impropérios no mesmo diapasão.

 

 

 

O comércio que junta a fome com a vontade de comer
 A Venezuela importa 70% de tudo o que consome e representa o maior superávit da balança comercial brasileira. Já é nosso sexto maior destino comercial. De 2003 a 2008, as exportações para a Venezuela cresceram de 758%, saltando de US$ 608 milhões para US$ 5,15 bilhões. Cerca de 72% dessas exportações são de produtos industrializados, com elevado valor agregado e alto potencial de geração de empregos. Além disso, grandes obras lá são realizadas por empresas brasileiras, como a Oldebrecht, a Andrade Gutierez e a Camargo Corrêa. Hoje, o Brasil tem com o país vizinho seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões, 2,5 vezes superior ao obtido com os Estados Unidos (US$ 1,8 bilhão).

Empreiteiras brasileiras são as preferidas na Venezuela
Na Venezuela de Hugo Chavez, os negócios da Odebrecht são ainda mais espraiados. As linhas 3 e 4 do metrô da capital Caracas, com um total de 12 quilômetros de túneis, vão sendo construídas pela empresa sob contratos de US$ 185 milhões. O projeto de irrigação El Diluvio-El Palmar, na região fronteiriça com o Brasil, foi conquistado este ano pelo valor de US$ 96 milhões. Enquanto isso, uma ponte de 3,1 quilômetros sobre o rio Orinoco (foto), 165 quilômetros de estradas e dois quilômetros de viadutos vão ficando prontos no interior do país, com previsão de entrega para maio de 2006. A fatura total desses empreendimentos é de US$ 600 milhões.

A construtora Camargo Corrêa inaugurou em feveriro úlimo as obras de reconstrução da barragem da represa de El Guapo, a 150 quilômetros de Caracas, na Venezuela. A barragem restabeleceu o abastecimento de água para mais de 400 mil habitantes de uma importante região do Estado de Miranda, próximo à capital. .A obra custou cerca de US$ 110 milhões.
 Em 2006, a Andrade Gutierrez assinou contrato para a construção de um estaleiro e quatro navios petroleiros entre 2007 e 2009 na Venezuela, segundo carta de intenção assinada com a PDV Marina, subsidiária da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O estaleiro será construído na região leste do país, informou a PDVSA. O documento prevê ainda a conclusão de dois navios em construção em território brasileiro e a fabricação de mais dois na Venezuela.
O estaleiro será a primeira infra-estrutura venezuelana com tecnologia de ponta para a fabricação, manutenção e reparo de navios de grande porte e plataformas marítimas.O projeto faz parte de um plano mais amplo chamado "Siembra Petrolera 2006-2012", que inclui ainda o aumento da frota da PDV Marinha para 60 navios.Desta forma, a PDVSA terá petroleiros com capacidade de até 400 mil toneladas, fabricados nesta nova instalação.
A Andrade Gutierrez e a estatal venezuelana de siderurgia assinaram acordo em stembro de 2008  para a construção de uma usina siderúrgica no Estado de Bolívar, na Venezuela, orçada em 1,8 bilhão de dólares. A siderúrgica venezuelana terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de aço líquido por ano e será construída em parceria com a Empresa de Produção Social Siderúrgica Nacional.

 

postado por Pedro Porfírio. às 12:28

ELECCIONES EN Uruguay

01 de novembro de 2009

"El país está políticamente dividido en mitades, con dos puntos de diferencia"

 

El director de la consultora Cifra dice que la diferencia en el balotaje del domingo 29 de noviembre la marcará el candidato que sepa captar al electorado que está en la "mitad de la cancha", y que no son "particularmente amantes" del frenteamplista José Mujica ni del nacionalista Luis Alberto Lacalle. Ese electorado está en todos los partidos. Luis Eduardo González saca tres conclusiones del resultado del domingo 25: el estancamiento del Frente Amplio, la confirmación de que políticamente el país está dividido en dos mitades, y que la segunda vuelta determinará cuál de estas dos mitades es un "poquito más grande que la otra". Para González, en caso de que Mujica sea presidente nada indica que pueda cambiar drásticamente la relación del Poder Ejecutivo con el Parlamento, donde el Frente Amplio tendrá mayoría. Incluso, prevé que la mayor oposición al gobierno vendrá de la interna de la coalición de izquierda, como le ocurrió al presidente Tabaré Vázquez. "Lo esencia será cómo encarar esa oposición interna dentro del FA", explica el director de Cifra. Con respecto a la mayoría que Mujica tendría en la bancada de gobierno (dominada por el MPP), González cree que eso le puede jugar en dos sentidos: a favor o en contra. En caso de que el ganador del balotaje sea Lacalle, "naturalmente se le otorgará mucho más importancia" al Parlamento, dado que el Poder Ejecutivo no tendrá mayorías, concluye.

Carlos Ríos

-¿Qué lecturas se pueden sacar de los resultados de las elecciones del domingo 25?

-Las conclusiones más generales son tres. Lo que se suponía que había terminado en 2004, se confirmó que efectivamente se había terminado. Esto es, un proceso sistemático de crecimiento de lo que entonces era la oposición de izquierda, que se ambientaba por las insatisfacciones de la población y por el cambio de las estancias de la oferta política de la propia izquierda. Ahora que la izquierda llegó al gobierno las cosas se plantean de otra manera. Segunda gran conclusión es que el país sigue dividido aproximadamente en dos mitades políticas, con un matiz que es que las dos mitades son ahora más parecidas, y por esa razón hay segunda vuelta. O sea, no es un mundo político parecido al de 2004 ni tampoco al de 1999, está en una posición intermedia, más cercana probablemente a 2004 que a 1999. Y la tercera es que lo que hace la elección de fines de noviembre es simplemente ratificar cuál de esas dos mitades, con los liderazgos actuales, es un poquito más grande que la otra.

-Los resultados del domingo 25 marcaron una caída del Frente Amplio y del Partido Nacional y un fuerte crecimiento del Partido Colorado. ¿A qué responde esto?

-La reflexión desde la perspectiva de las dos mitades, tiene la ventaja de ver el bosque y no los árboles. Sí, el Partido Nacional cayó mucho, pero el Partido Colorado mejoró mucho. Bueno, compare la votación sumada de blancos y colorados en 2004 y da muy similar. La diferencia en realidad se parece muchísimo a la caída del FA. O sea, un asunto es la posición relativa de blancos y colorados, y otro asunto, que es mucho más variable, es la gran estabilidad de las dos mitades. Ese me parece que es el tema, políticamente hablando, más importante. Por eso, entre otras cosas, es que hay que mirar con prudencia el resultado de noviembre. Sí, Mujica arranca con alguna ventaja. Pero esa ventaja es modesta, porque el fondo del asunto está en las mitades y no en los partidos. Mitades con diferencias pequeñas y nadie se deja cortar el cuello por dos puntos porcentuales, que es la diferencia entre esas dos mitades.

-Es decir que Mujica arranca con ventaja para el balotaje.

-Sí, claro. Pero el problema es cuál es el tamaño de la ventaja. Muchos colegas dicen muy enfáticamente que la probabilidad de una derrota de Mujica es casi nula. Bueno, yo creo que las cosas no son de ninguna manera tan drásticas. Porque creo que probablemente lo más importante no está en los partidos sino en las mitades. Cuando miro esas mitades, el FA votó 48% y blancos más colorados votaron 46%. Entonces, la diferencia entre las dos mitades son solamente dos puntos. Y, repito, dos puntos porcentuales no son suficientes para decir que la probabilidad es nula. No, no, no, dos puntos porcentuales son solo dos puntos. Puede ser un poco más, puede ser un poco menos. La ventaja de Mujica se ve mejor mirando esos dos puntos, que mirando la distancia entre el FA y el PN. En 1994 los tres partidos llegaron a la posición del triple empate; en 1999 el FA se transforma en el partido más votado; en 2004 fue mayoría absoluta, y ahora se estabilizó, se estancó con un modesto retroceso. Entonces creo que la perspectiva más importante para encarar la política uruguaya sigue siendo la de las dos mitades. Y si eso es correcto la diferencia de chances entre Mujica y Lacalle se mide mejor por las diferencias entre las dos mitades que es 48% a 46%, solo dos puntos, que por diferencia entre la votación del FA y del PN, o por ejemplo entre la popularidad personal de Mujica y Lacalle. Ese es el punto.

-El FA registró una caída de votos en Montevideo y en el interior, igual que el Partido Nacional. ¿Cómo se explica?

-El FA en el interior salió en plata, perdió algunas décimas de puntos. O sea, se estancó en el interior y cayó realmente en Montevideo. El que cayó más en el interior fue el PN. Ahora, la explicación de las dos cosas es muy diferente. El FA cae por un conjunto de factores generales que tienen que ver con las grandes dimensiones de las expectativas previas, con la pérdida de la inocencia, ya fue gobierno y hay un montón de episodios complicados que lo afectan precisamente por ser gobierno. Ahora el gobierno de la izquierda ya no es blanco y negro con el gobierno de los partidos tradicionales. El país está un poquito mejor, eso es lo que ve la mayoría de la gente; pero es un poco mejor, no se formó otro país, es el mismo un poquito mejor. Y el gobierno también es un poco diferente, pero no es otra cosa. Esa discusión de fondo es la que está detrás de los titulares de estos días. El doctor Vázquez dice no, esto no enfrenta proyectos de país, enfrenta formas de gobierno. Pero para parte de la izquierda que sigue viendo la cosa como una confrontación radical eso no es aceptable. Ahora bien, el proceso de crecimiento de la izquierda en Montevideo había avanzado muchísimo, tanto que en octubre de 2004 el FA había recibido más del 60% de la votación. Bueno, en algún momento tenía que empezar a bajar. Mientras que en el interior, el proceso arranca casi 20 puntos atrás, mucho más lento, no mejoró pero por lo menos le dio para aguantarse y no caer. En cuanto al PN, si el argumento de las mitades el cierta, se refiere a estilos, a campañas y a candidatos. Pero en realidad la mitad puede cambiar de partido favorito, porque ahora es más fácil pasar de votar blanco a votar colorado, y de votar colorado a votar blanco. Y eso es lo que hace la diferencia. Pero si usted mira la suma de votos blancos y colorados en 2004, y mira ahora, lo que se observa es una gran paridad.

-¿A qué atribuye el repunte del Partido Colorado?

-A mi modo de ver, en 2004 el partido fue rechazado por buena parte de su electorado porque no sintonizó con las principales preocupaciones, y el electorado termina yéndose. Mientras que en las internas de junio muestra un cambio radical en el liderazgo que se ha expresado claramente en una campaña de formas y sustancia muy diferentes. Y evidentemente lo que ocurrió fue que la gente vio con buenos ojos esos cambios y a mucha le pareció muy apropiado, casi a sabiendas de que no eran opción de gobierno, renovar el PC. Creo que la fórmula colorada se complementaba perfectamente sumando dos mensajes bastante distintos. El gran acierto fue expresarse sin fisuras, sin contradicciones. De León es el mensaje a los colorados como sangre de toro. Muchachos y muchachas vuelvan a casa, la estamos poniendo en orden. Y Bordaberry es la expresión de renovación. De León abrió hacia adentro y Bordaberry hacia afuera. Parece claro que la caída del FA, en Montevideo en particular, se produjo por un crecimiento de la votación colorada e independiente. AP es pequeña y expresa el tamaño de la oposición desde la izquierda. Si el FA es capaz de recuperar esos votos en noviembre, entonces va a ganar con más de dos puntos. Y si la candidatura de Lacalle logra mostrarse realmente hospitalaria para esta clase de votantes, entonces la distancia va a ser más pequeña y Lacalle podría ganar.

-¿Cómo cree que se deben parar Mujica y Lacalle para el balotaje? ¿Cuáles son las mejores estrategias?

-Las estrategias exitosas para noviembre serán las que de alguna manera sean capaces de apelar, de motivar a esos votantes que están más bien en el medio de la cancha, que no son particularmente amantes ni de Mujica ni de Lacalle. Entonces, el problema central es el lenguaje o el enfoque apropiado para ese electorado.

-Usted dijo la semana previa a las elecciones del 25 de octubre, que en los tres partidos hay pequeños grupos que, por ejemplo, en el Frente Amplio no votaría por Mujica en una segunda vuelta, y en el Partido Nacional y Partido Colorado que no lo haría por Lacalle. ¿Cuánto pueden pesar en la definición?

-Que existen esos pequeños grupos todo el mundo lo sabe, es difícil medirlos con precisión. Justamente la acción más eficaz sobre esos pequeños grupos es la que va a definir en noviembre.

-¿Cómo vislumbra un gobierno de Mujica con mayoría parlamentaria y uno de Lacalle con un Parlamento dominado por la oposición?

-Una vez le preguntaron a un jesuita por qué ustedes contestan siempre una pregunta por otra pregunta, y el interpelado contestó "por qué no". Yo le pregunto a usted cuál fue la principal oposición a este gobierno del FA. Me parece que cuando uno reflexiona con cuidado a la conclusión que llega es que la principal oposición no estuvo en los partidos fundacionales, sino que fue interna, desde adentro del FA. Bueno, si eso es así, no veo razones dramáticas para que cambie en los próximos cinco años si el FA es gobierno. Entonces, paradójicamente, cualquiera sea el ganador de esta elección, si los liderazgos políticos actúan con prudencia, y tratando de buscar el retorno al gobierno en 2014, entonces la mecánica política no va a ser tan distinta. Lo esencial va a ser cómo encarar esa oposición interna adentro del FA.

-Ahora, si Mujica es presidente tendrá al MPP, su propio sector político, dominando la mitad de la bancada del FA. Eso es un cambio importante con respecto a lo que se vio en el gobierno de Vázquez.

-Sí, pero desde el punto de vista de la construcción de acuerdos, del mantenimiento de políticas incrementales, la mayoría del FA de Mujica es bueno y es malo, y no se sabe cuál de las dos cosas va a ser más importante. Es bueno porque Mujica tiene mayor ascendiente sobre su propia fuerza. Pero es malo porque esos aliados políticos se sienten ganadores y van a sentir que las que ganaron son sus ideas, sus enfoques, y van a querer actuar en consecuencia. Potencialmente, esto abre más problemas hacia el futuro de los que tuvo este gobierno. Precisamente porque Vázquez era una figura más neutral hacia dentro del FA, y por eso mismo era visto como un ancla de unidad. Es la famosa imagen del banquito de tres patas: el presidente, Danilo Astori y José Mujica. En el caso de que Lacalle fuera presidente, naturalmente se le otorga mucho más importancia a la legislatura.

-¿A qué se debe que hayan fracasado las dos propuestas de plebiscito, la de anulación de la ley de Caducidad y la del voto epistolar?

-Como ustedes saben, el domingo nosotros metimos la pata. La caducidad es un tema muy importante para muchos uruguayos. En realidad teníamos las cosas más claras antes del domingo que el domingo mismo, pero eso es consecuencia de que las bocas de urna son complicadas. Y así me fue. En cuanto a la Caducidad, las cosas ocurrieron como si todos los que se expresaban por anular efectivamente la votaron, pero la abrumadora mayoría de los que no sabían qué hacer no la votaron. Entonces, la anulación no capturó ningún indeciso. En cuando al voto epistolar, la cosa fue todavía peor, porque no solo el voto a favor no capturó indecisos, sino que perdió intenciones de voto a favor. Fueron comportamientos muy diferentes del electorado. En el caso de la Ley de Caducidad no hubo un liderazgo político firme y claro. En el caso del voto epistolar no había nada dramático, para la gente era clarísimo que no había problemas morales de fondo. Y al final la gente optó, también ante la ausencia de liderazgo, por no votar.

El "mundo real" y el de las encuestas

Luis Eduardo González dice que el impacto de las encuestas "es modesto" y que "no influyen en lo que la gente cree que va a ocurrir".

"Los votantes son mucho más influenciados por lo que son nuestros ámbitos inmediatos, los amigos, la familia, vecinos, compañeros de trabajo. Ese es el mundo real. Un lunático que aparece en televisión y que dice tales o cuales cosas y que nadie sabe si tiene una computadora grandota o una bola de cristal, o qué, es mucho menos real", dice el director de Cifra. Sin embargo, las encuestas sí inciden en una forma indirecta, aclara. "Los liderazgos políticos critican mucho las encuestas, sobre todo cuando no les dan bien -cosa que me parece muy respetable y razonable a condición de que se haga conforme a normas mínimas de educación y altura- pero les hacen caso. Me parece que a esta altura la experiencia acumulada en Uruguay muestra que las encuestas profesionales, las que viven básicamente de su trabajo, tienden a estar mucho más en lo cierto que en el error. Entonces les hacen caso. Y al hacerles caso, las encuestas influyen indirectamente en la gente, no porque actúen sobre el pensamiento de la gente, sino porque actúan sobre el menú de ofertas a los votantes", explica.

 

El País Digital
postado por Marcos Goulart às 12:39