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Bolsonarismo paralisa ajuda do BNDES ao combate à coronavirus

publicada em 22 de março de 2020
Bolsonarismo paralisa ajuda do BNDES ao combate à coronavirus



Ontem, Montezano impediu que um pedido da Fiocruz, de ajuda para a fabricação de kits contra o coronavírus, fosse apresentado em reunião de diretoria. Sua alegação foi a de que o Ministério da Saúde já dispõe de recursos para tal.

Por Luis Nassif 


Gustavo Montezano, presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) é mais uma das pessoas do círculo íntimo da família Bolsonaro. Era companheiro de farras e violência dos filhos de Bolsonaro, tendo sido condenado por arrombar portão de condomínio, por terem reprimido uma farra no apartamento que contava com a presença de Eduardo Bolsonaro.

Ontem, Montezano impediu que um pedido da Fiocruz, de ajuda para a fabricação de kits contra a coronavirus, fosse apresentado em reunião de diretoria. Sua alegação foi a de que o Ministério da Saúde já dispõe de recursos para tal.

É reflexo direto das afirmações do presidente da República Jair Bolsonaro, de que se trata de apenas uma “gripezinha” e que acaba se alastrando por toda a cadeia de comando.

O banco tem tradição em fortalecer instituições de pesquisa contra epidemias.

Em 2016 aprovou R$ 27,6 milhões para desenvolvimento de vacina contra a dengue. Mais R$ 23 milhões para combate à Zika, servindo para a fabricação de kits de diagnóstico. Tem recursos para apoiar a rede das filantrópicas, que respondem por 60% dos leitos do SUS. Mas nada é efeito devido à influência direta do bolsonarismo

Release recente, da Associação dos Funcionários do banco, mostrou o que poderia ser feito nesta hora.

Em outros tempos, segundo seu presidente, Arthur Koblitz, por meio do Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico (Funtec) — o BNDES aprovou apoio não reembolsável de R$ 23 milhões para o plano da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de combate à epidemia, com desdobramento também para os casos de dengue (com apoio ao Instituto Butantã) e chikungunya, que ocorreram intensamente na mesma época.

Leia também: Os Bolsonaro e a guerra contra a China: Nassif entrevista Miguel Nicolelis
Há várias formas de atuação do banco.

“O BNDES poderia agir, por exemplo, na ampliação da produção de kits de diagnóstico; na ampliação de número de leitos; na ampliação da oferta de equipamentos e insumos essenciais. A respeito desse último tema, podemos citar o caso dos já famosos ‘respiradores’. Há fabricação nacional por duas empresas que, inclusive, atendem critérios de conteúdo mínimo local. Uma das empresas é inclusive apoiada hoje pelo Banco (via o programa Criatec).

O banco poderia agir na expansão das fábricas dessas empresas e, ao mesmo tempo, via Finame (Programa de Financiamento à Produção e Comercialização de Máquinas e Equipamentos), comercializar seus respiradores para hospitais a taxas incentivadas, talvez à taxa zero”, destaca o presidente da AFBNDES”.

Em maio do ano passado, ainda sob a gestão de Joaquim Levy, o BNDES lançou uma linha de crédito direta para fabricantes da área de saúde, que pode se constituir em outra linha de apoio para o combate ao Covid-19, e um programa de apoio à gestão das Santas Casas, instituições de saúde que atravessam há anos uma série crise financeira. Instituições filantrópicas de saúde são responsáveis por quase 60% dos leitos disponíveis para o SUS. “Mas nem mesmo sobre uma possível extensão destes programas para o contexto atual se ouve falar por parte da diretoria do BNDES. As devoluções bilionárias feitas pelo banco ao Tesouro poderiam ser muito úteis nesse momento tão trágico de pandemia. Mas elas já foram destinadas para o pagamento da dívida pública. É preciso parar imediatamente com tais devoluções para que o dinheiro seja escoado para ajudar no combate à crise”, assinala Koblitz.
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