Terça-feira, 02 de junho de 2020.

*Petroleiros lançam desafio a Bolsonaro*

publicada em 09 de fevereiro de 2020


*Petroleiros lançam desafio a Bolsonaro*



Petroleiros em greve de todo o Brasil lançam desafio ao presidente Jair Bolsonaro em carta pública.

Diante do debate entre governadores de 22 estados e o presidente Jair Bolsonaro a respeito da redução de impostos dos combustíveis, estes trabalhadores através de suas entidades representativas retrucam o desafio populista lançado pelo presidente lançando um novo desafio a Bolsonaro.


Confira a carta dos Petroleiros:

"Senhor presidente, você recebeu nos últimos dias um desafio advindo de governadores de 22 estados a respeito do preço dos combustíveis. Eles cobram do governo a redução do imposto federal sobre os combustíveis. O senhor respondeu dizendo que se eles zerarem o ICMS estadual, a União zera também o imposto federal.

Nós petroleiros que estamos todos os dias fazendo esse país andar com a produção de combustíveis da maior empresa do Brasil, resolvemos entrar nesse debate.
Lançamos, então, um desafio ao presidente Jair Bolsonaro:
Em uma briga de responsabilidades entre os poderes, quem sai perdendo é sempre o povo que amarga um crescimento descomunal nos preços da gasolina, gás de cozinha e diesel nos últimos anos.

Se o senhor está realmente comprometido com a baixa dos preços dos combustíveis “na bomba do posto” ou no preço do botijão – que afeta ainda o preço de diversos produtos como os alimentos –, o senhor deveria mudar a política da paridade de preços da Petrobras.

Desde 2016 a Petrobras segue o *preço internacional do petróleo* para determinar o preço de venda dos combustíveis. O que fez o preço do diesel, por exemplo, crescer de R$2,618 em 2016 para R$3,371 em 2019.

Acontece, que isso privilegia suas concorrentes estrangeiras em detrimento da Petrobrás.
Por ter um custo de produção baixo, *a Petrobrás pode garantir um preço abaixo do mercado internacional e ainda ter um enorme lucro*.

Mas, ao contrário do que diz, o senhor e seu indicado para a presidência da Petrobras, Roberto Castello Branco, têm praticado uma política anti-nacional.

*As refinarias brasileiras diminuíram sua produção de derivados de petróleo*, que hoje estão em torno de 70% de sua capacidade, enquanto a importação de derivados do petróleo cresceu de 147 para 197 milhões de barris (bep) do ano de 2015 a 2019 (Fonte: ANP).
Cada vez mais, vendemos o petróleo bruto para o exterior para depois importar mais caro os derivados do petróleo, quando *poderíamos produzi-los aqui no Brasil a um preço bem mais barato.*
Ficaremos, assim, cada vez mais dependentes das variações do mercado internacional.
O coronavírus, por exemplo, está derrubando a demanda de petróleo na China, segundo maior consumidor de _commoditie_ no mundo.
Com isso, a Petrobras pode amargar uma redução das suas margens, uma vez que o país asiático responde por mais de 30% das exportações de petróleo do Brasil – no caso da petroleira estatal, esse mix gira em torno de 70%.

Com o abandono de outros setores, além da E&P, a estatal se arrisca a fechar, pois com qualquer grande abalo no preço do petróleo, a empresa não terá margem de manobra para dividir suas receitas em outros setores (como nas refinarias, distribuição e revenda).

Ao contrário de defender a soberania nacional e estimular a produção nacional de combustível, vocês estão propondo vender metade das refinarias brasileiras para os estrangeiros e fechar a Fábrica de Fertilizantes do Paraná, acabando com postos de trabalho no Brasil para criar empregos fora do país.
Ao invés de se ocupar com os interesses de empresas estrangeiras, *os senhores deveriam se preocupar* – como dizem defender – *com as milhares de famílias brasileiras que ficarão sem emprego com o fechamento da FAFEN-PR e das refinarias.*

É verdade que os impostos
brasileiros são grande parte do preço do petróleo, mas são uma forma da renda petroleira ir para o Estado para garantir direitos básicos à população.

Entretanto a verdadeira causa do aumento do preço dos combustíveis não está aí, já que a carga tributária em essência continuou a mesma nos últimos anos e está dentro da média mundial. *O que mudou, portanto, foi a política de paridade de preços da Petrobrás que segue hoje a referência de um preço que nada tem a ver com os custos da Petrobrás,* mas que facilita a concorrência de empresas estrangeiras no mercado brasileiro, encarecendo o combustível para os que mais precisam.

*O desafio, então, está lançado. Se o senhor, Bolsonaro, está realmente preocupado com o preço dos combustíveis para os brasileiros, mude a política de preços da Petrobrás, pare as privatizações das refinarias e fábricas de fertilizantes e aumente a produção nacional de derivados do petróleo.*
Só assim o senhor estará sendo, de fato, e não só em palavras, nacionalista.

*Federação Nacional dos Petroleiros - FNP*

Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 2020
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