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‘Le Monde’: “Bolsonaro, Oficial subalterno excluído do exército, deputado ultramarginal de extrema direita

publicada em 10 de janeiro de 2020
‘Le Monde’: “Bolsonaro, Oficial subalterno excluído do exército, deputado ultramarginal de extrema direita
 Por REDAÇÃO URBS MAGNA







A tradução na íntegra do texto publicado no Le Monde que está nos envergonhando no mundo. O jornal mais tradicional da França acaba com Bolsonaro e sugere toda a nossa culpa. Leia a tradução.
Por mais do que já se tenha publicado sobre Bolsonaro mundo afora, ainda é pouco, diante do fato de termos que conviver com este presidente aqui no Brasil.


A publicação do Le Monde (Bruno Meyerfeld, 30/12/2019) é uma das mais pessimistas já escritas. É dura. Bolsonaro trouxe a escuridão ao Brasil, de acordo com a matéria do jornalista que quase pergunta, a nós brasileiros, “como foram deixar que isso acontecesse?”

Abaixo, a transcrição da matéria em tradução livre”

“Brasil: Jair Bolsonaro está aí para ficar. Seria errado ver o presidente brasileiro apenas como produto de uma febre tropical temporária. Isso seria subestimar o personagem e o que ele representa”, alerta Bruno.

“Análise.

Vamos dizer: depois de um ano de mandato, polêmicas e escândalos quase diários, Jair Bolsonaro está cansado! Assim, sua agenda enviada à imprensa para 21, 22 e 23 de dezembro não incluiu nenhuma reunião oficial. Mas isso claramente não foi suficiente para diminuir a pressão.

Um dia antes da véspera de Natal, poucos dias antes de 1º de janeiro, o aniversário de sua posse, o chefe de Estado brasileiro entrou no banheiro e bateu com a cabeça. Avaliação: uma noite no hospital, um pequeno lapso de memória … mas sem consequências.



“É difícil ser presidente do Brasil”, disse Jair Bolsonaro a repórteres alguns dias antes. É verdade que nada no mundo o predestinou a ocupar tais posições. (…)

Oficial subalterno excluído do exército, deputado ultramarginal de extrema direita, zombado de seus pares por três décadas, Bolsonaro não era de modo algum um homem de poder. E menos ainda um estadista.



Com a vingança no coração, o capitão da reserva acusou o odiado “sistema”, com mais fúria e barulho do que qualquer outro líder do planeta: mentiras em série, comentários racistas ou homofóbicos, piadas escatológicas e misóginas, delírios conspiratórios, elogios à tortura e à ditadura, insultos a líderes estrangeiros …



O suficiente para fazer dos srs. Trump e Salvini cavalheiros corteses ou gentis social-democratas.

É difícil imaginar que essa tempestade possa durar até o final de seu mandato em 2022, ou até mais.

Especialmente porque a política brasileira é cheia de surpresas. Desde o advento da República em 1889, um terço dos trinta e oito presidentes do país não conseguiu concluir seu mandato devido a doenças, suicídio, renúncia, golpe, vários escândalos ou destituições mais ou menos legais.

Círculos de influência

E, no entanto, seria errado, da Europa, ver neste capitão Bolsonaro apenas um picaresco general Alcazar, produto de uma febre tropical temporária, rapidamente capturada, tratada rapidamente, rapidamente esquecida.

Seria subestimar o personagem e o que ele representa. Seria ignorar a profunda crise existencial pela qual o Brasil está passando hoje. O encrenqueiro Bolsonaro pode muito bem estar aqui para ficar. Primeiro de tudo porque ele não é mais uma pessoa marginal.



Por um espetacular tour de force, o deputado do “baixo clero” que se tornou presidente da nona potência mundial conseguiu reunir ao seu redor alguns dos mais poderosos círculos de influência do Brasil: igrejas evangélicas, lobbies militares e policiais, mídia conservadora, barões da indústria e do agronegócio, bem como grande parte dos setores de justiça e bancário.

Apesar dos escândalos, todos estão unidos em torno de seu presidente. Com esses suportes, o poder atual é tudo, menos frágil. Está no ponto de equilíbrio do estado profundo (deep state) brasileiro.



Além disso, atualmente falta ao Brasil uma alternativa séria a Jair Bolsonaro. A direita lacerada ainda está se recuperando. A esquerda permanece fragmentada e inaudível, apesar da libertação do ex-presidente Lula da prisão.

Entre as elites, por medo de boicote ou sanções internacionais, algumas apreciam a idéia de se livrar de um Bolsonaro excessivamente imprevisível.

Mas quem colocar em seu lugar, assumir a responsabilidade pelas reformas difíceis e impopulares que o país terá que empreender para sair da crise econômica em que está mergulhado?

Ninguém no Brasil quer assumir esse papel ingrato, e especialmente o exército, que reluta em levar seu campeão do dia, o vice-presidente e general Hamilton Mourão, para a linha de frente. “É o mesmo que sacrificar o soldado Jair na batalha”, diz ela para si mesma.

O lado sombrio do país

Bolsonaro não é um presidente por acaso, muito menos um clandestino no poder. Amplamente eleito com 55% dos votos e até dois terços dos votos em grandes cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo, continua popular.

Cerca de 42% dos brasileiros mantêm uma imagem positiva do chefe de Estado e quase um terço apóia sua ação no poder, número que se mantém estável desde a primavera.



Porque o transgressor pode falar com o Brasil “dele”. Suas provocações encantam seus simpatizantes, que amam o Jair nacional, barulhento e irreverente, capaz de enfrentar “moralizadores” de todos os tipos.

Esse Brasil gosta desse presidente pelo que ele é, e você pode apostar que ele o seguirá até o fim. Onde quer que ele vá. Mais profundamente, Bolsonaro é o espelho da parte obscura do Brasil, que se pensava erroneamente apagada pela década luminosa da década de 2000.

Esse país de magnificência ambiental também é uma terra condenada, desde a chegada do Europeus, à exploração e destruição implacáveis da natureza.

Esse reino de transgressão do corpo e libertação dos costumes é sempre o centro de um obscurantismo mais intolerante. Esta pátria de cruzamento, elogiada por gerações de viajantes, também se baseia em um racismo odioso, herdado de longos séculos de escravidão.



Neste baile de máscaras do Brasil, onde tudo é dito, mas onde tudo permanece oculto, “Bolso” o palhaço triunfa no grotesco rei do carnaval.

À sua maneira, confuso e ultrajante, esse presidente defende as profundas contradições de seu país e sabe como ninguém que se alimenta de suas falhas.

É tudo, menos um acidente na história. Com ou sem um golpe de fadiga, demitido ou não, reeleito ou não, esse gênio tropical perturbador não está prestes a entrar na lanterna.

O reinado de Jair Bolsonaro pode durar mais tempo do que pensamos.”
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Por REDAÇÃO URBS MAGNA

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