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Imprensa condenará Moro, mas não vai absolver Lula

publicada em 09 de julho de 2019
 Imprensa condenará Moro, mas não vai absolver Lula
 CONDENARÁ MORO. MAS NÃO VAI ABSOLVER LULA

por Eliara Santana*, especial para o Viomundo






Na sexta-feira (05/07), a revista Veja trouxe a capa escancarando a parcialidade do ex-juiz e agora ministro Sergio Moro.

A reportagem bem completa mostrava mais conversas comprometedoras entre Moro e o “coordenador” da Lava Jata, o procurador Deltan Dallagnol.

Causou furor até na esquerda, que saiu em polvorosa para comprar a revista (já garanti a minha, mesmo de longe). E, na mesma edição, a matéria:

“Palocci: Lula desviou propina do PT para eleições no Peru e na Bolívia”.

Lembremos que a delação de Palocci está também sob suspeita e que ela é sempre requentada pela imprensa para atacar Lula.

E vamos observar também que a ideia de que o PT recebeu de fato propina já está confirmada pela chamada – não há versão em contrário.

E, então, no domingo (07/07), a Folha de S. Paulo traz mais vazamentos, desta vez, mostrando articulações da dupla dinâmica para expor dados sigilosos sobre a Venezuela.

No entanto, a Folha de S. Paulo, na versão impressa, traz a seguinte manchete: “Maioria critica a conduta de Moro, mas considera justa prisão de Lula”

O velho “mas” modalizador da Folha, tantas vezes usados quando o assunto política econômica era positivo para os governos petistas, volta à cena.

Ele cumpre a função, entre outras, de tirar o impacto positivo do primeiro enunciado (Maioria critica a conduta de Moro), modalizando com outra informação de peso.

Desta vez, o “mas” é usado para reforçar a ideia de que a maioria da população acha “justa” a prisão de Lula.

E na capa, a chamada sobre os vazamento envolvendo a Venezuela ocupa um espaço pequeno na coluna à esquerda.

O que une a edição da Veja e a capa da Folha, além de estarem trabalhando em parceria com The Intercept Brasil?

O desejo não abertamente declarado pela não libertação de Lula.

Exatamente isso: a imprensa que criou o herói Moro e deu poder total à Lava Jato, mesmo expondo agora todas as articulações feitas pelo ex-juiz e seus colegas, NÃO QUER LULA LIVRE.

A voz a confirmar esse “desejo” é, de novo, da “a maioria da população brasileira”, segundo a Folha.

Caberia perguntar qual maioria, de que brasileiros estão falando.

O essencial é que os campos à esquerda não se deixem enganar novamente pelo canto da sereia: LULA LIVRE não é a pauta da mídia corporativa, apesar da importância da divulgação por ela.

Não sabemos o que virá em termos de vazamentos, e creio serem bastante comprometedores.

Mas o certo é que vão querer tirar “o bode” da sala para que se mantenham as estruturas já vigentes.

Lembremos sempre a máxima de Lampedusa: “É preciso que tudo mude, para que tudo continue como está” (O Leopardo).

Moro será rifado pela imprensa, mas isso não vai significar defender a liberdade de Lula, defender que ele foi preso injustamente, defender que toda a imprensa fechou os olhos e se calou enquanto Moro agia livremente.

Glenn e o The Intercept Brasil estão obrigando parte da imprensa corporativa brasileira (resta o JN…) a fazer jornalismo. Mas por enquanto.

Está no DNA dessa imprensa não gostar de Lula, dos movimentos de esquerda, e isso é mais do que visível.

E, novamente, para dar o ar de imparcialidade e credibilidade de sempre, recorrem a uma opinião publicizada (porque construída e induzida) para ser a voz de autoridade a dizer: Moro errou, mas a prisão de Lula é correta.

Isso não deveria nem mesmo ser cogitado pela manchete da Folha, pois as articulações de Moro provam que o processo de Lula foi totalmente viciado, ou seja, ele foi condenado sem provas.

A questão central a se considerar, apesar do momento “fofura” da mídia comercial é: Moro se tornou herói pelas manchetes, capas e chamadas nos jornais, revistas e TVs; a Lava Jato ganhou aura de intocável pelo mesmo caminho.

Nunca houve qualquer questionamento a Moro, mesmo quando ele, após condenar o principal candidato, se tornou ministro do outro candidato que venceu as eleições.

Talvez Veja e Folha estejam surfando na onda do The Intercept Brasil para conquistarem mais credibilidade, fingindo não ter lado. A saber pelos próximos capítulos.

Portanto, podemos comprar a Veja e voltar a ler a Folha sem culpa, mas sem nos esquecermos também de que a lógica que move os grupos empresariais de mídia – e é disso que se trata – é a disputa pelo poder.

*Eliara Santana é jornalista, doutoranda em Estudos Linguísticos pela PUC Minas/Capes.
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por Eliara Santana*, especial para o Viomundo

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