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Um projeto de poder sem projeto de país, por Frederico Firmo

publicada em 12 de maio de 2019
Um projeto de poder sem projeto de país, por Frederico Firmo
Muitos tentam ver o binômio Guedes e Bolsonaro como dois polos . Mas Guedes com sua ignorância econômica é apenas um Bolsonaro com diploma de ensino superior.

Por Frederico Firmo 





Um projeto de poder sem projeto de país, por Frederico Firmo

Este é um governo que nasceu sem projeto. Inicialmente Bolsonaro e os políticos que se agregaram a seu redor não tinha sequer pretensões ao poder. Como outras legendas e outros candidatos Bolsonaro pretendia apenas a vitrine da disputa eleitoral, quem sabe amealhar tantos votos e cadeiras como a extrema direita em muitos países. A auto destruição da direita e dos seus partidos ocorreu no processo suicida de acusar o opositor de todos os seus próprios males. A grande luta contra a corrupção visando assassinar moralmente o PT e as esquerdas se voltou rapidamente contra os inventores da corrupção. Assassinaram moralmente a política que se transformou na tal velha política. Um bordão muito útil do ponto vista eleitoral.

A imprensa com os seu motes e bordões se encarregou de distanciar cada vez mais a narrativa dos fatos da própria realidade. A mídia se especializou na desinformação, utilizando para isto todos os meios de informação. Era preciso esconder a realidade para que uma narrativa pudesse se impor. Era preciso criar monstros e quimeras e depois acusar os monstros criados de criarem monstros. Fazendo censura dos fatos e da realidade a imprensa dizia lutar pela liberdade de expressão e de informação. ( Um exemplo tipico foi a proibição do nome Lula e finalmente a proibição de sequer mencionar sua entrevista recente).

Quando alguém questionava notícias baseadas em vazamentos arguiam ser um atentado à liberdade de informação. Apenas Kamel podia censurar. A regulamentação da mídia com a quebra dos monopólios foi tratada como uma censura típica de países comunistas. E Waack e suas companheiras televisivas ecoavam com Sardenberg e Merval a luta contra o populismo, que seria outro bordão para criminalizar qualquer política pública.


Mesmo sendo capitalistas, qualquer forma de incentivo a empresas nacionais se transformou em mera corrupção. Deram destaque a um procurador imberbe e messiânico que não sabia fazer power points. Do judiciário só sobrou a comarca do Conge. Em outro canal os vendilhões do templo vislumbraram as possibilidades de chegar a um poder maior, embora não bíblico. Mobilizaram suas forças em nome de Deus da Bíblia, da Terra Plana e do Criacionismo. Com tamanho exército cruzado ampliaram seus poderes das Câmaras de Vereadores, para o Congresso e embora não ousassem pensar chegaram ao Palácio.
A mídia continuou jogando um véu sobre a realidade. Depois de transformar toda a política em corrupção, transformaram todo o país em balas perdidas e feminicídios.

A indústria desapareceu dando lugar às oscilações da bolsa e do mercado. O desemprego era evocado só quando necessário para algum ataque. A arte se transformou em lei Rouanet, e a comédia se transformou em Gentilli, as redes comandadas por Robots e ou Zumbis aprenderam com Olavo de Carvalho a odiar os acadêmicos e os intelectuais. Aprenderam com Olavo que mandar tomar no c* é chique, e ao mesmo tempo é bom pagar o dízimo para Edir Macedo.

Neste momento a realidade já não fazia mais parte da cena. O pais inteiro num transe não discernia mais entre o que é e o que não é. Até a famosa luta contra as fake news entra no contexto de fazer com que todos desconfiem de todos. Este é o cenário perfeito para que Bolsonaro que era apenas candidato a candidato eterno, como Emayel, se transformasse em candidato presidencial e chegasse ao poder. Claro que a tal facada teve também um papel, mas não decisivo. Como disse seu filho na época. Esta facada vai eleger meu pai.

Neste caldo um projeto de propaganda politica, que era a candidatura Bolsonaro, se transformou em projeto de poder. Destroçados PSDB e PMDB e DEM correram para tomar conta do mito. Como sempre baseando-se na própria arrogância supuseram que como sempre manobrariam a partir dos bastidores. Não emplacaram seus economistas de pedigree e tiveram que, a contragosto, apoiar Guedes. Quem não lembra as palavras desabonadoras dos Mendonça de Barros e outros.

A intelectualidade antipetista torcia o nariz, mas afirmou seu apoio contra o tal mal maior. A mídia titubeou mas também, contra o tal mal maior, correram a apoiá-lo. O fizeram com restrições é verdade, mas era puro jogo de cena para uma posterior pressão. Ledo engano, afinal, já neste momento do segundo turno o projeto de Bolsonaro havia se tornado um projeto de poder solo e estava diposto até mesmo a desafiar certa imprensa. Na sua tentativa de destruir o que consideravam inimigo, pequenez de nossas elites políticas e empresariais os levou a uma auto destruição e abriram a porta para um presidente sem projeto.

Ele chega ao poder, porém não tem projeto. No meio do caminho sem ter provado do poder e reconhecendo a falta de projeto econômico hipotecou a Guedes, o celebre posto Ipiranga. E Guedes só tinha um único projeto, a privatização da Previdência. O mercado financeiro continua exultante até hoje e fala através de seus porta-vozes na mídia, que todos devem perdoar “os pequenos erros do presidente”, em favor da tal REFORMA. A mídia como um todo bate diuturnamente neste mesmo bordão.

Quanto mais a economia afunda, quanto maior o desemprego e a informalidade mais despenca arrecadação e mais se comprometem as contribuições previdenciárias . Já se tem 28 milhões a menos de contribuintes. Ms isto não computado no tal déficit. Afinal isto é receita, e Guedes só entende de gastos. A mídia no auge da irresponsabilidade continua sua campanha chantageando a população com a frase de que se não houver reforma será um caos.

Mas o tempo passa e fica cada vez mais difícil esconder uma realidade que está cada vez mais explosiva. Os inconsequentes da política e da imprensa, continuam esticando a corda, embora saibam que o país não aguenta a paralisia por mais um ano. E este é o tempo mínimo para a tal reforma. E para sair desta barafunda será necessário revogar a tal PEC do orçamento. O que demandará mais tempo. Todos sabem que o país só vai se recuperar se investimentos do estado voltarem a movimentar a economia.

Guedes querendo atrelar tudo ao mercado financeiro prefere manter a PEC e propor que o país se endivide. Logo Guedes irá propor que voltemos ao FMI. No momento o que temos é um governo com poder mas completamente fora da realidade e sem nenhum projeto social e econômico, apenas o projeto Guedes de capitalização.

Muitos tentam ver o binômio Guedes e Bolsonaro como dois polos . Mas Guedes com sua ignorância econômica é apenas um Bolsonaro com diploma de ensino superior, truculento autoritário e ideológico. Ambos apenas surfam nas correntes geradas lá atrás pelos artífices do golpe e da PEC do orçamento. Guedes lembra Meirelles, que com todos os seus títulos no mercado, em sua campanha presidencial repetia sempre o mesmo bordão, “eu sou competente “,e jamais se apercebeu que estava diante do país e não de seu umbigo. Se Meirelles e Guedes são expoentes do Mercado, isto me fortalece a ideia de que o mito não é apenas Bolsonaro, mas também o Mercado.

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