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Conflito entre Santos Cruz e olavistas se acentua

publicada em 06 de maio de 2019
Conflito entre Santos Cruz e olavistas se acentua
Por Raphael Di Cunto e Marcelo Ribeiro





Alvo de uma campanha nas redes sociais depois de entrar em confronto com o
escritor Olavo de Carvalho, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos
Alberto Santos Cruz, foi recebido ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, no
fim do dia, em audiência não programada. Após quase uma hora e meia de
reunião,Santos Cruz, deixou o Palácio da Alvorada sem falar com a imprensa.
A assessoria de imprensa da presidência da República informou não ter
conhecimento sobre o tema da conversa.
No Twitter, a hashtag #ForaSantosCruz esteve entre os assuntos mais
comentados do domingo. Desde sexta-feira, Olavo fez postagens nas redes
sociais com ofensas escatológicas ao ministro. Em uma de suas mensagens sem termos de baixo calão, o "guru" do
presidente registrou: "Bolsonaro é um herói e um mártir. Sobreviver à facada deve ter sido menos doloroso do que
sobreviver à decepção com companheiros de quarenta anos de vida militar".
Circulou na rede ontem uma entrevista dada por Santos Cruz em 5 de abril à jornalista Vera Magalhães, da Jovem Pan e do
jornal "O Estado de S.Paulo". Os adeptos de Olavo trataram as declarações como se tivessem sido feitas agora e
alimentaram com isso a onda cibernética contra o ministro. Na entrevista de abril, Santos Cruz afirmou que "essa
possibilidade de hoje todo mundo se comunicar com todo mundo pode ajudar, mas também pode tumultuar".
"O que eu tenho a dizer é que as pessoas tenham muito cuidado com a utilização dessas mídias sociais, que não ataquem
outras pessoas, que não façam disso uma arma para a discórdia", afirmou Santos Cruz. O conteúdo da entrevista voltou a
circular nas redes sociais após uma postagem do humorista Danilo Gentili e em um momento em que o presidente e seu
filho, o vereador Carlos Bolsonaro, publicaram mensagens ainda ontem condenando a possibilidade de controle das redes,
após a retirada feita pelo Facebook de uma série de perfis que violavam as regras de uso estabelecidas pela empresa. As
mensagens foram publicadas depois de começado o bombardeio digital sofrido pelo ministro.
Antes de receber Santos Cruz, Bolsonaro acenou para o cumprimento de uma promessa de campanha e disse que assinará
amanhã, às 16h, decreto para liberar a compra de munição "à vontade" para atiradores esportivos. O decreto irá permitir
que eles transportem as armas carregadas para os clubes de tiros e quebrará o monopólio da Taurus sobre o comércio de
armas e munições.
O decreto para acabar com o monopólio da Taurus, maior fabricante de armas do país, é uma das promessas de campanha
de Bolsonaro no ano passado e conta com o apoio dos filhos do presidente, que consideram o produto vendido no Brasil de
baixa qualidade. O presidente almoçou ontem com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que é um dos defensores da
medida.
A declaração ocorreu numa rápida conversa com um atirador esportivo que o questionou sobre isso na porta do Palácio do
Alvorada, residência oficial do presidente da República, onde Bolsonaro parou para cumprimentar e tirar fotos com
populares.
06/05/2019 Conflito entre Santos Cruz e olavistas se acentua
https://www.valor.com.br/imprimir/noticia_impresso/6239919 2/2
"Vou assinar um decreto na terça-feira, às 16h. Para CAC [caçadores, atiradores e colecionadores] não vai ter quantidade de
munição não, à vontade, e vai poder transportar arma municiada. E também vai quebrar o monopólio da Taurus",
respondeu. Atiradores, como o que questionou Bolsonaro, reclamam que a quantidade de munição que podem comprar,
regulamentada por uma portaria do Ministério da Defesa, é pequena.
Cada atirador pode adquirir entre quatro e vinte mil cartuchos por ano, dependendo do nível de experiência, e os clubes de
tiro podem comprar 20 mil munições por ano para darem aulas. Eles são obrigados a transportarem as armas
descarregadas para os clubes de tiro, restrição que o presidente prometeu agora acabar.
O monopólio da Taurus, que tem sede no Rio Grande do Sul, sobre o comércio de armas e municípios, é uma situação de
fato. A atual norma, de 2000, determina que "o produto controlado que estiver sendo fabricado no país, por indústria
considerada de valor estratégico pelo Exército, terá a importação negada ou restringida".
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