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Bolsonaro quer decidir sobre Venezuela sozinho, mas já mostrou que não consegue sem militares

publicada em 02 de maio de 2019

Bolsonaro quer decidir sobre Venezuela sozinho, mas já mostrou que não consegue sem militares



O dia em que Guaidó antecipou o ataque ao governo Maduro mostrou que o chanceler Ernesto Araújo abasteceu Bolsonaro com informações que se provaram erradas ao longo do dia

Por Jornal GGN 


Foto: Agência Brasil


Jornal GGN – Quando Jair Bolsonaro escreveu nas redes sociais que qualquer intervenção na Venezuela será decisão “exclusivamente” dele, não estava tentando afrontar o Congresso – que precisa dar autorização para guerra. A ideia, segundo aliados do presidente, era mandar um recado para os militares que auxiliam o governo. A informação foi apurada pela coluna Painel, segundo publicação desta quinta (2).

“A fala de Bolsonaro seria, então, um lembrete de que a decisão sobre a posição oficial do governo, em última instância, é dele.”

O problema é que a deflagração da tentativa de golpe por parte de Juan Guaidó e aliados mostrou ao Brasil que, sem a opinião dos ministros-militares, Bolsonaro teria decidido com base em informações erradas, e provavelmente tomaria atitudes que levariam a resultados muito diferentes do esperado.


Isto porque o chanceler Ernesto Araújo atestou que é fortemente influenciado pelos Estados Unidos, ao passo em que não mantém canal de comunicação aberto com todas as fontes da Venezuela necessárias para entender as movimentações em tempos conturbados.

O jornalista Tales Faria foi quem informou que, na reunião do governo Bolsonaro para tratar da tentativa de golpe de Guaidó (no dia 30/4), Araújo levou apenas “informações do governo norte-americano e de aliados do autoproclamado presidente da Venezuela, Juán Guiadó, que se mostraram erradas”.

Araújo comprou a versão de que Guaidó realmente tinha apoio majoritário da cúpula militar, o que se revelou uma mentira ao longo dia.

Foram os ministros-generais Fernando Azevedo (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete), assim como o vice Hamilton Mourão, que pediram cautela a Bolsonaro, porque desconfiaram das informações. Mourão trabalhou na Venezuela e até hoje cultiva boa relação com os militares de lá. Apurou que a situação não era favorável a Guaidó, como este último dizia. Ao lado dos ministros-generais, fincou o pé na dúvida a respeito da aposta de Araújo.

No final do dia, os ministros-generais provaram que estavam certos sobre ter sobriedade. Resumo da ópera: a balança pendeu para os lado deles, o que fez Mourão esvaziar as ações de Guaidó em declarações à imprensa. O recado de Bolsonaro, tentando afastar a tutela militar, veio naquela mesma noite.

Ainda segundo o Painel, “o fato de o presidente não descartar definitivamente uma ofensiva armada contra o ditador Nicolás Maduro faz com que governadores se fiem na resistência dos militares a qualquer ato desse tipo para apostar no distanciamento do Brasil de um eventual conflito. Políticos de estados importantes acionaram generais para medir a temperatura em Brasília.”
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