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Revisionismo, trabalhismo e cirismo: os desafios ideológicos

publicada em 26 de novembro de 2018
Revisionismo, trabalhismo e cirismo: os desafios ideológicos
WENDEL PINHEIRO



Karl Kautsky, um brilhante teórico marxista no decorrer das décadas de 1890 e 1900, se tornou um reles reformista a partir da década de 1910, unindo um reformismo com teses da liberal-democracia em textos como "A ditadura do proletariado" e "Luta de classes".

Seria o mesmo Karl Kautsky que, junto com intelectuais revisionistas como August Bebel e Eduard Bernstein, criou as bases para as teses do SPD, através do Programa de Erfurt em 1891 com uma guinada à direita, a ponto de motivar críticas de Friedrich Engels!

O resultado entre as concessões ideológicas do reformismo de Karl Kautsky presentes nos textos "A ditadura do proletariado" e "Luta de classes" foi o duro texto de Vladimir Lênin chamado "A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky".

Por que digo sobre Kautsky?

Porque, embora o reformismo dele tenha elementos da liberal-democracia para defender a transição pacífica para o socialismo-democrático, o reformismo de Kautsky é diferente do reformismo do PDT a partir das visões de Jango e de Brizola!

No caso do PDT, o conteúdo nacional-reformista tem o sentido de libertação nacional. Embora respeite a legalidade democrática, a agenda trabalhista visa a participação do povo na tomada das principais decisões de um país em desenvolvimento que busca a sua emancipação.

As teses de Karl Kautsky se deram numa Alemanha com uma classe trabalhadora cada vez fortalecida e representada inclusive no campo parlamentar pelo SPD. O processo de aburguesamento e de burocratização do SPD permitiu a existência das teses do oportunismo à direita (isto é, revisionismo).

No Brasil não. O trabalhismo de Vargas, inspirado entre o socialismo utópico de Saint-Simon (com as teses de justiça social e riqueza c/ industrialização), positivismo social e as visões de Alberto Pasqualini, seria incompatível com as teses de Karl Kautsky em toda a essência!

Com a Carta Testamento, radicalizando o nacionalismo-popular e o anti-imperialismo, Vargas colocou de forma clara o quanto as classes dominantes não se importavam com o país, com os direitos sociais do povo e elementos democráticos como a soberania popular.

E a partir da Carta Testamento, tanto João Goulart quanto Leonel Brizola viam a necessidade de construção de uma agenda de emancipação nacional com ampla participação popular numa democracia diária!

Logo, se torna incompatível certas leituras do revisionismo de Karl Kautsky (e mesmo de Eduard Bernstein) para o trabalhismo brasileiro, de fundo nacional-popular e anti-imperialista.

As teses de Kautsky só serviriam para um partido socialdemocrata em uma democracia solidificada.

Em um país em desenvolvimento como o Brasil, onde as elites são antidemocráticas e não há solidez nas instituições republicanas, as teses revisionistas de Kautsky são incompatíveis. E o trabalhismo, com o seu caráter emancipador e popular, adquire centralidade na agenda nacional!

Talvez o revisionismo de Karl Kautsky encontre algum fulcro nas visões ciristas de gente como Nelson Marconi.

Só que há um problema no cirismo. Grave!

A base social do cirismo é pequeno-burguesa.

E as teses revisionistas de Karl Kautsky se direcionam à classe trabalhadora.

Diferente do cirismo, entre o nacional-desenvolvimentismo e as posições entre o centro e a socialdemocracia, Karl Kautsky advogava a transição pacífica ao socialismo com o fortalecimento político e parlamentar dos trabalhadores reconhecendo valores da liberal-democracia!

De forma que quem se diz trabalhista, mas não conhece a gênese do trabalhismo brasileiro e se guia em revisionistas como Kautsky/Bernstein como base, precisa rever seus conceitos.

O trabalhismo brasileiro transita desde o positivismo social até a Teoria Marxista da Dependência!
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