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Mil violões para Víctor Jara estremecem a Chile

publicada em 17 de novembro de 2018
Mil violões para Víctor Jara estremecem a Chile
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Santiago de Chile, (PRENSA LATINA) Chamo-me Víctor, diz com orgulho um jovem violonista acompanhado a seu lado pela voz infantil de sua filha, Violeta, inmersos na multidão de músicos que veneran a Víctor Jara em Chile.
Algo tenho que ver com um dos mais notáveis artistas chilenos, repete Víctor, enquanto seu nena de uns oito anos de idade eleva seu tom para se fazer notar: sou Violeta, como Violeta Parra, e lhe canto a Víctor Jara.
São parte da muito emotiva VI edição do Festival Mil Guitarras para Víctor Jara, de todas as gerações de chilenos que não querem esquecer. Ao músico, dramaturgo, maestro, cruelmente assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet.

Ocorreu faz 45 anos, o 16 de setembro de 1973. Foi um ato de ensañamiento pelo simples fato de simpatizar com o Governo da Unidade Popular de Salvador Além. Brutalmente torturado e depois, acribillado com 44 balazos.

Sentados em sendos graderíos na praça da Paz, nas inmediaciones do Cemitério Geral, tinha pelo menos 400 violonistas anônimos, com folhas do pentagrama para interpretar composições de Jara.

O autor de Recordo você Amanda, O direito de viver em paz, O cigarrito, Prece de um Labrador, entre muitas canções, dizia que era um trabalhador da cultura. ‘O tempo dirá se ganho-me o direito de ser considerado um artista’.

Em diálogo com Imprensa Latina, o prefeito da comuna de Recoleta, Daniel Jadue, destacou a vontade de quem obstinadamente por milhares, reúnem-se a cada ano para que a memória não seja relativizada nem minimizada.

‘Este Governo conservador de Sebastián Piñera tem voltado a sacar à direita em seu verdadeiro rosto; querem passar a página, tentam suavizar os horrores da ditadura de Pinochet e protegem a criminosas de lesa humanidade’, apontou.

Jadue remarcó que sem nenhum apoio da Intendencia Metropolitana (em mãos da direita) nem de prefeitos de comunas vizinhas que também são conservadores, há muita gente que conhece o significado do assassinato de Víctor Jara.

A deputada Camila Vallejo, por sua vez, lamentou que a distorção ideológica impeça que figuras da cultura universal como Jara, ou o próprio Pablo Neruda, que neste domingo cumpre 45 anos de seu deceso, não tenham o lugar que conquistaram em Chile.

Uma mirada de pobreza intelectual, de esquemas de um conservadurismo insólito, permitem que Chile não seja capaz de colocar no pedestal que merecem Jara, Neruda ou Gabriela Mistral, por citar alguns casos.

A vereadora por Recoleta, Natalia Grutas, confessou a Imprensa Latina que os encontros das Mil Guitarras para Víctor Jara estão sempre cheios de alegria e lágrimas, pelo orgulho do ter tido e a tristeza de sua ausência física.

Mas homenageá-lo é ao mesmo tempo uma mensagem de esperança, de que não vamos render nunca por essa sociedade melhor para todos pela que tanto lutou, comentou Grutas.
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