Quinta-feira, 15 de novembro de 2018.
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E a segurança do sistema eletrônico de votação?

publicada em 01 de novembro de 2018
E a segurança do sistema eletrônico de votação?
Por Marcos Rolland


Está proibido discutir a segurança do sistema eletrônico de votação?



A fé no sistema das urnas eletrônicas virou quase um dogma. Na verdade, o sistema era vulnerável, estudos demonstraram isso. Não sei até que ponto os problemas foram corrigidos. Mas creio que sobretudo a prática tornou o sistema confiável. Não houve fraude comprovada ao longo de décadas. E os resultados correspondiam ao que todos esperavam, com pequenas diferenças ou choros, em eleições muito disputadas.

Antes do segundo turno, a candidatura de Bolsonaro levantou dúvidas, fez ameaças, etc. O TSE só tratou, praticamente, do tema naquela entrevista coletiva uma semana antes da votação. Com isso, duas coisas se cristalizaram: 1ª) mais uma vez a confiança da população em geral no sistema se fortaleceu; 2ª) a extrema direita adquiriu o "monopólio" da dúvida; só eles questionavam. Eles como que anteciparam qualquer objeção a uma eventual vitória, por improvável margem. (Havia uma discussão entre eles, que a mídia repercutiu, sobre qual seria a vantagem "conveniente" para Bolsonaro nas urnas.)


Fato é que, as eleições de 2018 apresentaram muitas surpresas, especialmente em dois estados de grande peso na Federação: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nestes, não só os candidatos vencedores eram novatos na política, mas também certos números espantam.

Em Minas Gerais, o candidato do PSDB, Antonio Anastasia, cometeu a façanha de ter menos votos no segundo turno que no primeiro. Anastasia teve 2.814.704 votos no primeiro escrutínio e 2.734.452 no segundo. Ou seja, no segundo turno, após três semanas de ferrenha campanha, Anastasia não apenas falhou em abocanhar um votinho sequer daqueles que estava disputando com seu rival Romeu Zema (votos do "espólio" dos perdedores do primeiro turno), como também perdeu cerca de 81.000 votos dos que tinha amealhado no primeiro turno!

É certo que essa não foi a primeira vez que fenômeno similar ocorre em nosso País. Em 2006, nas eleições para Presidente da República, Geraldo Alckmin, também do PSDB, perdeu a eleição para Lula, tendo menos votos no segundo turno que no primeiro. Mas o caso de Anastasia em Minas Gerais, agora, tem uma circunstância "agravante", bem lembrada por Marcos Coimbra, da Vox Populi: no segundo turno, a pesquisa de boca de urna, que costuma ser muito precisa, estimou 66% dos votos válidos para Zema e 34% para Anastasia, uma margem que parecia até razoável, nas tristes circunstâncias. No entanto, as urnas revelaram algo bem diferente: 72% a 28% em favor de Zema. A diferença, em relação à boca de urna, subiu 12 pontos percentuais, muito acima do máximo que se poderia esperar segundo a margem de erro (admitindo que ambos os candidatos podem ter 2% a mais ou a menos, a diferença poderia subir ou baixar no máximo 4 pontos, num nível de confiança que, na pesquisa de boca de urna, é de 99%).

Uma discrepância também altamente improvável ocorreu no Rio de Janeiro, onde a boca de urna do IBOPE deu 45% para Eduardo Paes, ante 55% de seu oponente, sendo que ele teve apenas 40% nas urnas, contra 60% do desconhecido e misterioso juiz Witzel. Marcos Coimbra, comentando na TV 247, creditou todas as anomalias observadas nas eleições aos efeitos das fake news, atuando inclusive no dia das eleições, entre o momento em que a pesquisa de boca de urna era feita e o momento em que muitos eleitores depositaram seu voto! Ele se recusa a levar a sério a hipótese de fraude nas urnas eletrônicas, por envolver uma conjuração improvável de várias circunstâncias e várias pessoas para mudar o resultado duma simples urna. Certo, mas estaria descartada qualquer possibilidade de "hackeamento" a distância, em massa?

Sei lá, quanto a mim, prefiro desconfiar, raciocinando como Sherlock Holmes, que dizia mais ou menos o seguinte: "quando descartadas todas as possibilidades de elucidação dum caso, a hipótese que restar, por mais absurda que pareça, deve conduzir à solução". Ao menos deve ser investigada, acrescento.

Discrepâncias ocorridas nas eleições estaduais podem estar conectadas a anomalias nos números da eleição para Presidente. Relativamente à eleição presidencial, fiz uns cálculos simples, no sentido de tentar captar a lógica dos movimentos ocorridos entre a primeira e a segunda votação. A conclusão algo desconcertante é que toda a campanha do segundo turno praticamente serviu muito pouco para alterar o quadro que já se desenhava no dia seguinte ao primeiro. Quero dizer, se a votação do segundo turno tivesse sido realizada no dia seguinte à do primeiro, na segunda-feira, dia 8 de outubro, os resultados provavelmente seriam bem próximos aos colhidos no dia 28, três semanas após! Não houve movimento significativo, descontadas as indecisões que se transmudam em votos para um ou outro candidato, mas na forma previsível de plano de acordo com o perfil ideológico de cada um.

Na simulação que fiz, em planilha Excel, a partir dos resultados do primeiro turno, usei as seguintes simples premissas: de cada 10 votos de Ciro e Marina Silva, 1 só seria transferido para Bolsonaro, os outros 9 iriam para Haddad; inversamente, de cada 10 votos de Cabo Daciolo, Álvaro Dias e Amoêdo, apenas 1 iria para Haddad, os demais 9 seriam abocanhados pelo Bozo. Os votos do "centro" (Alckmin, Meirelles e Eymael) seriam repartidos meio a meio entre os dois candidatos. Por fim, o parco cabedal de Boulos, Vera Lúcia e João Goulart Filho seria integralmente absorvido por Haddad.

São premissas que me pareceram razoáveis, e o espantoso é que os resultados obtidos a partir dessa simulação quase que reproduzem perfeitamente o que ocorreu no segundo turno! Compare: a votação prevista para Haddad, no segundo turno, com base na simulação acima descrita, seria de 41,51% dos votos totais; pois bem, nas urnas ele obteve 40,58%. Uma diferença de apenas 0,93%. Quanto a Bolsonaro, a precisão é ainda melhor: 49,70% na simulação, 49,85% nas urnas. Uma diferença insignificante. Quer "pesquisa" melhor que essa?

É incrível! Tudo se passa como se os resultados do segundo turno fossem uma dedução lógica e acabada dos resultados do primeiro, adotadas premissas simples e razoáveis! É como se os efeitos das duas campanhas igualmente "radicais" tivessem se contrabalançado com precisão quase de ciência exata...

Quero deixar claro: continuo acreditando na lisura do nosso processo eleitoral, até alguma prova em contrário. Mas, ao mesmo tempo, ressuscitei minha desconfiança... Essa campanha de Bolsonaro foi conduzida com uma estratégia de guerra, como tem sido dito. Especialistas em guerra de informação e desinformação foram contratados. Não pode ser que, entre eles, há uma equipe
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