Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018.

*O neoliberalismo recorre ao neofascismo para impor-se ao país*

publicada em 27 de outubro de 2018
*O neoliberalismo recorre ao neofascismo para impor-se ao país*

_*Pedro Tierra*_



“Quando ouço a palavra Cultura, saco meu revólver”. Esta frase não foi proferida pelo ex-capitão, nesses últimos dias, no meio da algaravia verbal que o caracteriza ao longo de sua obscura carreira parlamentar. É atribuída ao Marechal Hermann Göring, que foi indicado por Hitler como seu sucessor, durante a hecatombe nazista. No Brasil de hoje, em que a candidatura de extrema-direita se esmera em produzir diariamente doses maciças de disparates – soaria banal. Aqui se banaliza tudo em menos de 24 horas. Tudo vira motivo de piada. E a estratégia do capitão agradece.

A naturalização do absurdo, da barbárie, da violência como método único para solucionar conflitos faz parte da estratégia neofascista posta em prática no processo eleitoral em curso no Brasil. Serve-se, a extrema-direita, de avançadas tecnologias de comunicação para esconder a ausência de programa e a ignorância lapidar do farsante que apresenta ao país como candidato a presidente da república.

Munido de um whatsapp e de um inegável talento para despertar os impulsos mais desumanos, ele destrói qualquer mediação, abole o sentido coletivo da ação política e dirige-se diretamente ao indivíduo para submetê-lo ao fascínio de se tornar interlocutor do líder, ou seja, de quem supostamente encarna poder. Realiza o sonho de Margareth Tatcher: “a sociedade não existe, o que existe são os indivíduos”.

Ao se recusar a debater com seus opositores um programa de desenvolvimento para o Brasil, a campanha do ex-capitão busca fugir da evidência dos seus laços com as políticas do governo golpista de Michel Temer, rejeitadas pela esmagadora maioria da população. Para a estratégia da extrema-direita tem sido salutar desaparecer com o Temer do cenário da disputa.

A candidatura da Frente Democrática, liderada por Fernando Haddad não tem conseguido manter o foco aceso sobre o estrago que as políticas do governo golpista produziram na vida quotidiana das pessoas, para fazê-las perceber que o ex-capitão se propõe a aprofundar ainda mais a ofensiva contra os direitos conquistados pelos segmentos mais pobres da sociedade.

No processo eleitoral em curso, no Brasil, a plutocracia produziu uma associação criminosa entre a agenda do neoliberalismo – derrotada nas quatro últimas eleições – com o discurso abertamente neofascista radicalizado a partir da largada do segundo turno, com o claro objetivo de vencer a população pelo medo e pela manipulação.

É preciso que a população se sinta amedrontada. E a melhor maneira de alcançar esse objetivo, como têm feito os representantes da extrema-direita, é ameaçar as instituições do estado, incluído aí o próprio STF, da sociedade civil, a invasão da CNBB, os movimentos sociais dos trabalhadores e os adversários políticos, para testar sua solidez institucional e sua disposição de resistência. Atitude popularmente conhecida como “ganhar no grito”!

A poucas horas da urna, a meta é instituir o medo como razão social condicionante do voto. É fazer com que os cidadãos e cidadãs sintam, ao se dirigir à cabine, que votarão com uma pistola apontada para sua cabeça. E gerar esse paradoxo: voto na extrema-direita por que tenho medo da extrema-direita.

O mais antigo antídoto contra o medo não é a ira cega que pode nos levar ao isolamento e à morte, nem tampouco a esperança, indispensável para manter-nos vivos, mas o amor à Liberdade. Todo ato de criação é antes de tudo um ato de Liberdade. É por isso que o fascismo em todas as suas formas, com todas as suas máscaras, devota um ódio mortal à cultura e aos seus criadores: porque eles inventam, reinventam diariamente a humanidade com o seu talento e com o seu trabalho. Esse é o sentido da fúria que justifica a frase de Göring com que abri essa reflexão.

Como em outros tempos, o Brasil necessitará da coragem, do talento e do trabalho dos seus artistas, dos seus criadores de símbolos para resistir ao arbítrio. Quem não se comove com a participação generosa, consciente de figuras como Caetano e Chico entre outros artistas nos Arcos da Lapa? Quem não foi tocado pela coragem da voz e do gesto de Roger Waters, ao levar ao palco, no Rio, a família de Marielle Franco? Independente do resultado de 28 de outubro, devemos travar a batalha dos valores, contra a selvageria do neofascismo que hoje não parte apenas do Estado mas está disseminada na sociedade. No Brasil do ex-capitão, ser cafajeste é chic! Temos três dias para dizer ao Brasil e ao mundo que recusamos a barbárie. E que somos capazes de retomar um caminho generoso e solidário. Hoje, no Brasil, a defesa da Democracia tem nome: Fernando Haddad. O mais, por ação ou omissão, é cumplicidade com o neofascismo.


_*Pedro Tierra é poeta. Autor de Poemas do Povo da Noite.*_
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