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Direito, o berço político

publicada em 06 de agosto de 2018
Direito, o berço político
Pro­fis­são que traz ha­bi­li­da­des es­sen­ci­ais de um lí­der po­lí­ti­co
Postado por Guilherme Magalhães Mesquita



Ao con­tem­plar a his­tó­ria po­lí­ti­ca bra­si­lei­ra, ob­ser­va­mos pro­fis­sões dis­tin­tas en­tre seus go­ver­nan­tes. Al­gu­mas são com­pa­tí­veis com ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e ou­tras nem tan­to. Evo­can­do uma de­las, a ad­vo­ca­cia sem­pre es­te­ve pre­sen­te na for­ma­ção de vá­rios can­di­da­tos. No­mes co­mo Jo­ão Gou­lart (co­nhe­ci­do po­pu­lar­men­te co­mo “Jan­go”, foi um ad­vo­ga­do e po­lí­ti­co bra­si­lei­ro, 24° pre­si­den­te do pa­ís, de 1961 a 1964), Jo­sé Sar­ney (ad­vo­ga­do, po­lí­ti­co e es­cri­tor bra­si­lei­ro, que ser­viu co­mo o 20.º Vi­ce-Pre­si­den­te do Bra­sil em 1985 e o seu 31.º Pre­si­den­te de 1985 a 1990), Tan­cre­do Ne­ves (ad­vo­ga­do, em­pre­sá­rio e po­lí­ti­co bra­si­lei­ro, ten­do si­do o 33.º pri­mei­ro-mi­nis­tro do Bra­sil e pre­si­den­te da re­pú­bli­ca elei­to mas não em­pos­sa­do), Jâ­nio Qua­dros (foi um ad­vo­ga­do, pro­fes­sor e po­lí­ti­co bra­si­lei­ro. Foi o vi­gé­si­mo se­gun­do pre­si­den­te do Bra­sil, en­tre 31 de ja­nei­ro de 1961 e 25 de agos­to de 1961) e nos­so atu­al pre­si­den­te Mi­chel Te­mer, es­co­lhe­ram o di­rei­to co­mo o ber­ço de su­as pro­fis­sões.

Pou­cos paí­ses as­sis­ti­ram inú­me­ras trans­for­ma­ções po­lí­ti­cas quan­to o Bra­sil, e nes­sa ce­na his­tó­ri­ca, os Ad­vo­ga­dos qua­se sem­pre es­co­lhe­ram os pa­péis prin­ci­pa­is. Ge­tú­lio Var­gas, Ad­vo­ga­do, en­con­trou na sua pro­fis­são os pri­mei­ros pas­sos do ca­mi­nho que o le­va­ri­am ao seu go­ver­no di­ta­dor. E dan­do con­ti­nui­da­de his­tó­ri­ca, os mi­li­ta­res se vi­ram ame­a­ça­dos por um ta­len­to­so ju­ris­ta, Jo­ão Gou­lart, que te­ve seu go­ver­no in­ve­ja­do, der­ru­ba­do e li­de­ra­do por Ma­re­chal Cas­te­lo Bran­co. E mes­mo sem o pa­pel prin­ci­pal du­ran­te a di­ta­du­ra mi­li­tar, co­mo co­ad­ju­van­tes, os ba­cha­réis em Di­rei­to se ar­ris­ca­vam e bus­ca­vam no­vas es­tra­té­gias pa­ra se adap­tar ao Ato Ins­ti­tu­ci­o­nal nú­me­ro 5, que ex­clu­iu os di­rei­tos es­sen­ci­ais dos bra­si­lei­ros co­mo o Ha­be­as Cor­pus.

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De acor­do com o Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral a pro­fis­são mais co­mum en­tre os can­di­da­tos a Go­ver­na­dor do Es­ta­do, é a de ad­vo­ga­do. Pro­fis­são que traz ha­bi­li­da­des pró­pri­as e es­sen­ci­ais de um lí­der po­lí­ti­co, que quan­do co­lo­ca­das em equa­ção com a tran­spa­rên­cia, o re­sul­ta­do ine­vi­tá­vel é um go­ver­no de su­ces­so.

Ao se can­di­da­tar ao car­go pú­bli­co um ad­vo­ga­do de­ve se aten­tar a al­gu­mas nor­mas ne­ces­sá­rias pa­ra to­mar pos­se. O che­fe do Po­der Exe­cu­ti­vo e mem­bros da Me­sa do Po­der Le­gis­la­ti­vo e seus sub­sti­tu­tos le­gais, por exem­plo, são in­com­pa­tí­veis com a Ad­vo­ca­cia, de acor­do com a Lei Nº 8.906, de 4 de Julho de 1994:

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“Art. 30. São im­pe­di­dos de exer­cer a ad­vo­ca­cia:

I – Os ser­vi­do­res da ad­mi­nis­tra­ção di­re­ta, in­di­re­ta e fun­da­cio­nal, con­tra a Fa­zen­da Pú­bli­ca que os re­mu­ne­re ou à qual se­ja vin­cu­la­da a en­ti­da­de em­pre­ga­do­ra;

II – Os mem­bros do Po­der Le­gis­la­ti­vo, em seus di­fe­ren­tes ní­veis, con­tra ou a fa­vor das pes­so­as ju­rí­di­cas de di­rei­to pú­bli­co, em­pre­sas pú­bli­cas, so­ci­e­da­des de eco­no­mia mis­ta, fun­da­ções pú­bli­cas, en­ti­da­des pa­ra­es­ta­tais ou em­pre­sas con­ces­sio­ná­rias ou per­mis­sio­ná­rias de ser­vi­ço pú­bli­co.” Fi­can­do en­tão o Ad­vo­ga­do im­pe­di­do de exer­cer a ad­vo­ca­cia, quan­do de­ci­de to­mar pos­se do car­go pú­bli­co re­ques­ta­do.

A in­com­pa­ti­bi­li­da­de só se con­cre­ti­za no mo­men­to da pos­se, não exis­tin­do ne­nhu­ma res­tri­ção em cam­pa­nhas po­lí­ti­cas re­la­ci­o­na­do as pro­fis­sões. Po­den­do qual­quer pro­fis­si­o­nal se­ja qual for a área se can­di­da­tar e se re­la­ci­o­nar ao par­ti­do pre­di­le­to, dei­xan­do os im­pe­di­men­tos e res­tri­ções no mo­men­to do em­pos­sa­men­to do car­go pú­bli­co.

Con­tra­ri­a­men­te ao pre­cei­to em aná­li­se e res­trin­gin­do aos ser­vi­do­res do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co o STJ já de­ci­diu que o Es­ta­tu­to da ad­vo­ca­cia não os im­pe­de de ad­vo­gar. Po­rém, na prá­ti­ca, po­dem exis­tir ou­tros di­plo­mas le­gais que con­te­nham res­tri­ções, a exem­plo do art. 21 da lei nº 13.316/2016, pa­ra ser­vi­do­res do CNMP e Mi­nis­té­rio Pú­bli­co da Uni­ão:

“Art. 21. Aos ser­vi­do­res efe­ti­vos, re­qui­si­ta­dos e sem vín­cu­lo do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co da Uni­ão é ve­da­do o exer­cí­cio da ad­vo­ca­cia e de con­sul­to­ria téc­ni­ca, res­sal­va­do o dis­pos­to no art. 29 da Lei no 8.906, de 4 de ju­lho de 1994.”

Não é pos­sí­vel men­su­rar a qua­li­da­de téc­ni­ca ou éti­ca de um po­lí­ti­co ape­nas por sua for­ma­ção. Mas po­de­mos en­con­trar pa­râ­me­tros ne­ces­sá­rios a se for­mar um bom ad­mi­nis­tra­dor pú­bli­co. Ha­bi­li­da­des e pos­si­bi­li­da­des que ca­da pro­fis­são acres­cen­ta co­mo; va­lo­res, cren­ças, su­pe­ra­ções, tal­vez as que me­lhor se con­di­zem pos­si­vel­men­te nas­cem no ber­ço da Ad­vo­ca­cia.

Por fim, re­gis­tro que o ter­mo Ad­vo­ga­do pro­vém do la­tim, “Ad vo­ca­tus”, que re­ve­la aque­le que foi cha­ma­do pa­ra so­cor­rer ou­tro pe­ran­te a jus­ti­ça, sig­ni­fi­ca tam­bém pa­tro­no, de­fen­sor ou in­ter­ces­sor, mui­to ade­qua­do as ne­ces­si­da­des que qual­quer ce­ná­rio po­lí­ti­co ne­ces­si­ta.



(Gui­lher­me Ma­ga­lhã­es Mes­qui­ta, alu­no do cur­so de Di­rei­to PUC-GO, es­ta­gi­á­rio no es­cri­tó­rio Braz da Silva Ad­vo­ga­dos As­so­cia­dos)
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