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Haddad: Putin e Erdogan teriam alertado Lula e Dilma sobre protestos, mas ninguém disse nada na época

publicada em 28 de junho de 2018
Haddad: Putin e Erdogan teriam alertado Lula e Dilma sobre protestos, mas ninguém disse nada na época



Haddad: Dilma e Lula foram alertados por Putin e Erdogan sobre protestos de 2013

“O impeachment de Dilma não ocorreria não fossem as Jornadas de Junho”, afirma


do Jornal do Brasil

O ex-prefeito Fernando Haddad afirmou, em uma longa análise da conjuntura política publicada na edição de junho da revista piauí, que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff dificilmente teria ocorrido se não fossem as manifestações de 2013, que ficaram conhecidas como “Jornadas de Junho”.

Haddad revelou que, à época, tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula foram alertados pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Erdogan, sobre a grande possibilidade de que os protestos estivessem sendo patrocinados por grandes corporações que sequer estavam no Brasil.

“Já naquela ocasião vi um estudo gráfico mostrando uma série de nós na teia de comunicação virtual, representativos de centros nervosos emissores de convocações para os atos. O que se percebia era uma movimentação na rede social com um padrão e um alcance que por geração espontânea dificilmente teria tido o êxito obtido. Bem mais tarde, eu soube que Putin e Erdogan haviam telefonado pessoalmente para Dilma e Lula com o propósito de alertá-los sobre essa possibilidade”, lembrou o petista, que é professor de Ciência Política na USP.

Segundo Haddad, já durante os protestos a percepção de alguns estudiosos da rede social era de que as ações virtuais poderiam estar sendo patrocinadas.

“Não se falava ainda da Cambridge Analytica, empresa que, segundo relatos, atuou na eleição de Donald Trump, na votação do Brexit, entre outras, usando sofisticados modelos de data mining e data analysis”.



Segundo a CNN, a Cambridge Analytica, uma empresa dos Estados Unidos, desenha seus anúncios para ter impacto psicológico específico; não há qualquer evidência de que ela tenha atuado nas Jornadas de Junho, no Brasil

Haddad conta que, frente à pressão do Movimento Passe Livre pela redução da tarifa do transporte público e diante de informações sobre possíveis patrocinadores infiltrados nos protestos, ele, então prefeito de São Paulo, estava decidido a manter posição, apesar das pressões.

Haddad conta que recebeu ligação de Eduardo Paes, então prefeito do Rio, dizendo que era melhor ceder. ‘”Não vou segurar, você vai ficar sozinho”, me disse o prefeito do Rio”.

Posteriormente, Haddad conta ter antecipado, em conversa com o governador Geraldo Alckmin, a crise institucional que atinge o país desde então, com a eleição de Dilma Rousseff para seu segundo mandato e seu adversário Aécio Neves (PSDB), que não aceitou o resultado, a deflagração da Operação Lava Jato, o impeachment da presidente, a ascensão de Temer e o desprestígio da classe política.

“A pressão interna sobre nós já atingia patamares insuportáveis e o telefonema era a gota d’água. Foi então que resolvi ir ao Palácio dos Bandeirantes e propor ao governador Alckmin que fizéssemos juntos o anúncio da revogação do aumento. Contrariado, certo de que aquilo nada tinha a ver com tarifa de ônibus, tentei com o gesto despartidarizar a questão e iniciar um processo de construção de uma política tarifária metropolitana. (…) Na chegada, quando apertamos as mãos, pouco antes da coletiva em que faríamos o anúncio, eu disse ao governador o que pressentia: ‘Podemos estar às vésperas de uma crise institucional'”.

PS do Viomundo: Se Haddad tivesse cedido desde o início, o que acabou fazendo DEPOIS, teria esvaziado as Jornadas de Junho. Simples assim. Daí que, pelo raciocínio do ex-prefeito, ele desperdiçou a chance de salvar Dilma! Mas preferiu “despartidarizar” a questão posando ao lado do tucano Geraldo Alckmin.

O bem escrito ensaio de Haddad na revista Piauí nos pareceu uma tentativa de revisionismo histórico para justificar erros que ele próprio cometeu. Por exemplo, revelou “surpresa” com os maus tratos recebidos da mídia! Não pensou em uma alternativa para falar diretamente aos eleitores? Uma pena…

Entre 2014 e 2016 as circunstâncias políticas mudaram muito. Mas Dilma teve 60,95% dos votos em Cidade Tiradentes no segundo turno de 2014. Em 2016, Haddad ficou em terceiro lugar lá, com 20,87% dos votos — Doria recebeu 33,25%.

Havia um claro descontentamento com Haddad nos redutos tradicionais do PT na periferia de São Paulo e simplesmente não dá para jogar tudo isso nas costas das denúncias contra Lula e o partido. Deve ser doloroso admitir isso, mas a gestão do prefeito foi rejeitada mesmo entre uma parcela razoável dos tradicionais eleitores do PT.
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