Terça-feira, 17 de julho de 2018.

Christopher Goulart: confissões de inverno

publicada em 24 de abril de 2018
Christopher Goulart: confissões de inverno
"O campo progressista precisa urgentemente buscar um ajuste autocrítico para oferecer o melhor caminho ao povo brasileiro", afirma o advogado, primeiro suplente de senador (PDT-RS)




Bem sei que estamos em pleno outono, apesar dos tempos em que vivemos estarem submetidos a profundas alterações climáticas, no que se refere à política e à história brasileira. De modo que devo explicar a razão do título deste texto. Confesiones de Invierno (originariamente em espanhol) é uma canção de uma banda argentina chamada Sui Generis, formada em 1969, cujo componente principal era o músico Charly García.

Conheci um pouco da cultura desse país, pois quando meu avô foi exilado em 1964, em razão do golpe civil-militar, nossa família, fato público, foi para o Uruguai, país que recebe uma forte influência cultural da Argentina. Foi lá que meu pai conheceu minha mãe, uma uruguaia chamada Stela.

A carta-testamento de Vargas e o discurso de João Goulart na Central do Brasil são para nós motivo de orgulho.
Volto para a canção. Em seu primeiro verso, diz a letra: "Expulsou-me de seu quarto gritando-me: tu não tens profissão! Tive que enfrentar-me à minha condição: em inverno não há sol". Este não é um texto para falar de família, mas, sim, de uma vertente política, o trabalhismo, enraizado profundamente na formação de nossa nação, marcado na atuação principal de Getúlio Vargas, Alberto Pasqualini, João Goulart e Leonel Brizola.

Integrantes do trabalhismo restaram perseguidos, torturados, exilados ou assassinados, por razões eminentemente políticas, não antes de serem chamados por muitos de "pelegos", por buscar o diálogo entre forças representantes do capital e do trabalho. Alerto para tais fatos pois a carta-testamento de Vargas e o discurso de João Goulart na Central do Brasil são para nós motivo de orgulho, sem comparações diretas com nenhum outro discurso de políticos contemporâneos. Vale lembrar, o PT surge no início dos anos 80 com a liderança de Lula, rejeitando os "populistas" do velho trabalhismo. Lembrem de Brizola dizendo: "Nós viemos de longe".

Evidentemente, o campo progressista precisa urgentemente buscar um ajuste autocrítico para oferecer o melhor caminho ao povo brasileiro, entre vários nomes que podem representar uma linha comum de pensamento. Sem abrir mão de respeitar as diferenças que possam existir, principalmente por parte de quem foi expulso de seu quarto, enfrentando a condição de não haver sol no inverno sofrido do exílio. Para nós, alguns discursos são simplesmente incomparáveis.
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