Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018.

SOBRE O GOLPE DE 64. Christopher Goulart

publicada em 31 de março de 2018
SOBRE O GOLPE DE 64:
Christopher Goulart





Sempre fiz questão de lembrar desta fatídica data no dia 1 de abril, o dia da mentira.

Foi o dia efetivo da ocupação das forças armadas, apoiadas por parte da classe média/alta, colocando em prática o roteiro hipócrita e golpista que derrubou meu avô da presidência da República para nunca mais retornar ao Brasil. Morreu no exílio...

Eu nasci no exílio (Londres), adquirindo três nacionalidades (Uruguaio, brasileiro e Inglês) justamente em razão deste acontecimento.

Tudo isso, somado à experiência de vida que possuo, até poderia passar indiferente no transcurso de meus 41 anos. Não passou.

Me aprofundei na compreensão das razões do golpe, enxergando claramente que as mesmas forças que se enfrentavam naqueles tempos surgem permanentemente com outra roupagem.

Poderia, a grosso modo, afirmar que sempre estarão presentes os que detém uma afinidade mais inclinada ao humanismo, e os que não se sensibilizam tanto com isso, mais voltados para os privilégios exclusivos do rentismo.

Como militante e minucioso observador da prática política, filiado ao PDT, membro da Executiva Estadual do RS e do Diretório Nacional, aprendo diariamente observando a atuação dos seres humanos, sem jamais deixar de olhar para mim mesmo.

Na vasta extensão que permeia a vida pública, Vejo coisas ruins, vejo coisas boas, vejo pessoas bem intencionadas e outras absurdamente maldosas, com a plena convicção de que nada poderia ser diferente.

Lembro de um trecho de um música que gosto muito, Nucleo Base, do IRA. Lá pelas tantas ela diz: “Você pensa que sou tolo mas estou só te olhando”.

O mundo é assim, e por aqui não cabe se surpreender com as características inerentes da vida política.

Existe, isso sim, a obrigação de conhecer a engrenagem e mostrar que é possível atuar de forma diferenciada.

Razão pela qual sinto-me com a missão de traduzir para a atualidade, toda a história carregada de injustiças que derrubou meu avô da presidência. Olhando pra frente, sem reclamar.

Sei que opto pelo caminho mais longo, rejeitando os atalhos que levam certeiramente aos abismos. Os adversários são sorrateiros para quem não se submete ao circo bizarro da palhaçada.

Mas saibam todos que vale muito a pena, carregar uma mensagem de que sim é possível vencer quando temos um legado inspirado em homens como meu avô, Presidente João Goulart.

Para mim, o golpe civil-militar de 64, o dia da mentira, transformou-se no dia da verdade.

Das verdades que estarei colocando na prática, na caminhada que será longa,mesmo com tantos narizes torcidos ou olhares constrangidos.

Lembrem: “Você pensa que sou tolo, mas estou só te olhando...”

Enquanto isso, com muita paciência, Estarei aguardando o momento de uma vitória a ser compartilhada com tantos outros que como eu, não perderam as esperanças.

E o mínimo que posso fazer, para honrar a memória de meu avô.


Christopher Goulart
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