Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018.

CRONICA DE UM ENCONTRO DE AMIGOS, NO TEMPO. João V. Goulart

publicada em 14 de janeiro de 2018
CRONICA DE UM ENCONTRO DE AMIGOS, NO TEMPO.
*João Vicente Goulart

Quando fatos tornam-se registros, e amigos tornam-se fatos, as gargalhadas do encontro na distância temporal criam lembranças, nas saudades dos tempos que hão passado, nos vestígios da amizade que aflora e ressuscita, e nas nossas almas que navegam na imaginação dos epílogos que haverão de vir, mais que ainda é cedo para dar-lhes passagem.
Encontrei Nacho, meu grande amigo, figura e personagem de meu livro “Jango e eu, memórias de um exílio sem volta”, quando nos idos e duros dias de resistência ao arbítrio e a prepotência das ditaduras, sonhávamos como estudantes libertar a América Latina. Companheiro de prisão no Uruguai, caminhante pelo mundo como eu, navegante do destino como os cardumes de gente que lutaram e se perderam pelos ventos e oceanos deste imenso diagnóstico que se chama justiça social, nos encontramos novamente lá em Maldonado, em sua casa, e mate após mate, vimos que continuamos os mesmos, sonhadores e garimpeiros de lutas constantes, longínquas e prolongadas, mas jamais abandonadas. Nos encontramos novamente nestes dias.

Falamos depois de quarenta e cinco anos, das mesmas coisas e das mesmas lutas. Após o golpe no Uruguai e a perseguição a que fomos submetidos, ele também migrou em 1978 para trabalhar em Cancun no México fugindo da opressão do regime uruguaio e lá trabalhou como fotógrafo. Cobriu vários eventos, inclusive uma visita de Fidel aquele país, mas teve que retornar ao seu país por motivos de força maior e sabia que seria detido, revisado, interrogado sobre sua atividade no México, pelo que, deixou seus rolos de filmes daquele evento com um amigo no México, pois as fotos de Fidel podiam comprometê-lo, mesmo sendo fotógrafo. Ditaduras não vacilam e não permitem liberdade de opinião ou profissão quando se trata de seus adversários.

Há pouco tempo voltou a Cancun e com esse amigo, descobriram aqueles antigos tubos da Kodak e revelaram as fotos que foram notícia no México e em Cuba.


Eu e Verônica, minha esposa, fomos presenteados com duas fotos inéditas deste fotógrafo de horas vagas com muita mira.
 
É bom reencontrar o amigo, mas, melhor é saber que os objetivos de antes continuam, apesar do tempo, presentes nos sonhos, presentes em ambos. Foi muito bom o encontro, e na hora dissemos um ao outro:

- “El zorro pierde el pelo, pero no pierde las mañas”! 


João Vicente Goulart
Presidente IPG-Instituto João Goulart
Versão para impressão Envie para um amigo Deixe seu comentário
IPG

Envie esta notícia para seus amigos

Seu nome:
Seu e-mail:
Enviar para:
envie para vários e-mails separando-os com vírgula

Deixe seu comentário sobre esta notícia

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.

Comentários

Nenhum comentário ainda foi registrado.
Seja o primeiro a comentar! Clique aqui ››

Contato

Telefone
(61) 35418388
(61) 93094422