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Revolta mundial após comentário de Trump sobre Haiti e países africanos

publicada em 13 de janeiro de 2018
Revolta mundial após comentário de Trump sobre Haiti e países africanos
por Deutsche Welle


Declaração do presidente chamando Haiti, El Salvador e africanos de "países de merda" é recebida com indignação em Washington e no meio diplomático


Dan Scavino Jr/Fotos Públicas

O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião no Salão Oval com Mike Pence, a embaixadora dos Estados Unidos Nikki Haley e o Secretário do tesouro, Steven Mnuchin


Foi recebida com indignação nesta sexta-feira 12 a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou El Salvador, Haiti e nações africanas de "países de merda" (shithole countries) durante uma reunião com legisladores.

"Por que temos todas essas pessoas de países de merda vindo para cá?", disse Trump em reunião com congressistas na Casa Branca, segundo jornais americanos, como o jornal Washington Post. Ele teria dito preferir imigrantes de países como a Noruega.

No Twitter, o presidente fez uma retratação vaga, com referência apenas ao Haiti, e sugeriu que as declarações foram inventadas. O senador democrata Richard J. Durbin, que esteve no encontro, confirmou que Trump falou repetidas vezes "países de merda" e usou um discurso "repugnante e racista".

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Never said anything derogatory about Haitians other than Haiti is, obviously, a very poor and troubled country. Never said “take them out.” Made up by Dems. I have a wonderful relationship with Haitians. Probably should record future meetings - unfortunately, no trust!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) January 12, 2018

O ministro do Exterior de Botswana, Pelonomi Venson-Moitoi, escreveu no Twitter que o comentário de Trump é um "terrível golpe" nas relações diplomáticas com os EUA. O governo convocou o embaixador americano no país para esclarecimentos.

O ministro do Exterior de Uganda, Henry Okello Oryem, chamou as observações de Trump "infelizes e lamentáveis". "Oramos para que o Deus Todo-Poderoso lhe dê sabedoria para mudar de opinião sobre as pessoas que estão sofrendo e procurando segurança e refúgio na América", afirmou.

"Extremamente ofensiva"

"O nosso não é um país de merda", declarou o partido governista na África do Sul, que qualificou a afirmação de Trump como "extremamente ofensiva".

"Não é que os EUA não tenham dificuldades. Existem milhões de pessoas desempregadas nos EUA, milhões de pessoas que não têm serviços de saúde ou acesso à educação, e não gostaríamos de fazer comentários tão depreciativos como esse", alertou Jessie Duarte, vice-secretária-geral do Congresso Nacional Africano (ANC).

O proeminente comentarista queniano Patrick Gathara afirmou à agência de notícias AFP que não há novidade, em um governo "racista e ignorante".

"O que é ainda mais insultante é a hipocrisia de todos condenando Trump, e ele deve ser condenado, sem examinarem sua próprias linguagens e condutas ofensivas", disse. "Isso não é diferente do que Hollywood e os meios de comunicação ocidentais têm dito sobre a África há décadas. Nós somos constantemente retratados como pessoas de merda, de países de merda", concluiu.

Também foram ouvidos protestos do Sudão do Sul, país destruído pela guerra. O porta-voz do presidente Salva Kiir, Ateny Wek Ateny, afirmou que os comentários são "ultrajantes".

Os últimos comentários de Trump também forneceram material para anfitriões de talkshow. O comediante sul-africano Trevor Noah, que apresenta o The Daily Show, se descreveu como um cidadão ofendido e também acusou Trump de racismo, especialmente por dizer preferir imigrantes da Noruega.

"Ele não mencionou apenas um país branco, ele citou o mais branco deles – tão branco que eles usam protetor de pele contra raios da lua", ironizou.

Revolta no Haiti e nos EUA

O Haiti informou que ficou "profundamente chocado e indignado". Em comunicado, o governo observou que os comentários são "insultos” e "reprováveis”, que "não refletem de modo algum as virtudes da sabedoria, restrição e discernimento que devem ser cultivados por qualquer alta autoridade política".

Os comentários de Trump, afirmou o governo haitiano, "refletem uma visão totalmente errada e racista da comunidade haitiana e sua contribuição para os Estados Unidos".

Nos EUA, também foram ouvidas críticas das fileiras republicanas. A deputada conservadora Mia Love, filha de imigrantes haitianos, classificou os comentários de "pouco educados”, "divisórios” e os considerou um golpe para os valores do país. Ela exige que Trump peça desculpas ao povo americano e aos países afetados.

O senador republicano de Utah, Orrin Hatch, pediu uma explicação detalhada pela declaração. Ele escreveu no Twitter que imigrantes fazem dos EUA um país "especial”, seja qual for a origem deles. O senador democrata Richard Blumenthal definiu as palavras de Trump de "racismo flagrante” e "traição desavergonhada aos valores americanos".

Sarcasmo nas redes sociais

Nas redes sociais, muitos acusaram Trump de racismo e ignorância. Usuários em todo o continente africano publicaram imagens de modernos arranha-céus e belas paisagens naturais em seus países, tudo acompanhado do hashtag irônico "shithole".

"Eu sou um filho orgulhoso do continente brilhante chamado África. Minha herança está profundamente enraizada em minhas raízes do Quênia. África NÃO é #shithole Mr. Trump", escreveu no Twitter o corredor queniano detentor de recordes Bernard Lagat, que se tornou um cidadão dos EUA em 2004.

Outros ironizaram os comentários do presidente, dizendo que os noruegueses não têm motivos para querer imigrar para os Estados Unidos.

MD/afp/ap
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