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Tacla Duran apresentará, em CPMI, áudio sobre o juiz Moro

publicada em 04 de dezembro de 2017
Tacla Duran apresentará, em CPMI, áudio sobre o juiz Moro
Correio do Brasil


À CPMI, Tacla Durán falará, pela primeira vez, oficialmente, às autoridades brasileiras. Investigado na Operação Lava Jato, o advogado de 44 anos era um dos executivos da Construtora Norberto Odebrecht, entre 2011 e 2016.



Por Redação – de Brasília

No depoimento do advogado Rodrigo Tacla Durán aos parlamentares da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), em curso no Congresso, o áudio com tratativas de uma proposta para o suposto suborno do juiz Sérgio Moro, titular da Operação Lava Jato, na Primeira Instância, tende a movimentar o cenário político na Capital Federal.

O juiz federal Sérgio Moro disse, em nota, que a condução coercitiva de Lula não é antecipação de culpa
O juiz federal Sérgio Moro é alvo de denúncias do advogado Tacla Durán, na CPMI da JBS
À CPMI, Tacla Durán falará, pela primeira vez, oficialmente, às autoridades brasileiras. Investigado na Operação Lava Jato, o advogado de 44 anos era um dos executivos da Construtora Norberto Odebrecht, entre 2011 e 2016. Ele foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar de esquemas de lavagem de dinheiro. Teria, ainda, feito pagamento de propina a outros acusados. Durán foi preso em novembro de 2016, na 36ª fase da Lava Jato, por determinação do juiz Moro.

Moro e associados

O advogado, no entanto, tem cidadania espanhola e já estava na Europa quando foi capturado pela Interpol. A Justiça espanhola, no entanto, o liberou da prisão em janeiro deste ano. Em julho, conseguiu ainda impedir sua extradição. Desde então, tem sido tratado por Moro e a força-tarefa como “foragido”. A história, porém, é mais complicada.



Após recusar-se a confessar “crimes que não cometeu”, segundo afirma em um livro que está no prelo, intitulado ‘Testemunho – O que sei sobre Odebrecht e a Operação Lava Jato’, Durán passou a denunciar supostos métodos da força-tarefa; levantou suspeitas sobre Moro e fez denúncias de uma “indústria da delação” em Curitiba.

Existe, segundo denuncia, “uma panelinha” de advogados em Curitiba para conseguir facilidades junto ao MP; na hora de negociar as delações premiadas. O escolhido para negociar em seu nome, relata, foi o advogado Carlos Zucolotto Jr. Trata-se do padrinho de casamento de Moro e sócio de uma banca que já teve a mulher do juiz, Rosângela, entre os associados.

Zucolotto

Zucolotto teria sido correspondente do escritório de Durán, em Curitiba. Sua participação no negócio seria baixar de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões a multa que a força-tarefa havia imputado a Durán, em uma delação. A redução teria sido costurada na base da propina, no valor de R$ 5 milhões. Durán afirma ter duas provas dos contatos e dos resultados da ação de Zucolotto, que nega tudo.

Uma das provas é uma conversa tida por eles pelo celular através do aplicativo Wicker, que destrói as mensagens assim que estas são lidas. Ele fotografou a conversa e a submeteu a uma perícia. A prova documental será apresentada nesta quinta-feira, no plenário da CPMI.

A outra prova da intermediação de Zucolotto seria um e-mail. A mensagem foi encaminhada à defesa de Durán por três procuradores da força-tarefa: Carlos Fernando do Santos Lima, Roberson Pozzobon e Julio Noronha; com uma minuta de acordo de delação. Na minuta, segundo Durán, haveria uma pista sobre os R$ 5 milhões; que seriam usados para “azeitar o acordo”, disse, em conversa com parlamentares brasileiros que o visitaram em Madri. A multa de R$ 15 milhões seria paga em dinheiro; transferido para uma conta sabidamente sem fundos. Nesse caso, a multa ficaria automaticamente reduzida a R$ 5 milhões.

Dinheiro sujo

Em nota, distribuída em Agosto último, o juiz Moro sai em defesa do MPF. “Nenhum dos membros do Ministério Público Federal; da força-tarefa em Curitiba confirmou qualquer contato do referido advogado sobre o referido assunto ou sobre qualquer outro, porque de fato não ocorreu qualquer contato”, afirmou o magistrado.

Segundo Durán, a delação da Odebrecht seria, na verdade, uma fraude. Uma história construída com a cumplicidade da força-tarefa de Curitiba. A empreiteira, de acordo com o advogado, revelou somente sobre uma das contas utilizadas para pagar “por fora” o casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura; a Shellbill. A dupla receberia dinheiro por outras três contas também, a Deltora Entreprise Group, a Zeal e a Nicolas Sawne Barake.

Outra informação incompleta, na versão do advogado, é que a Odebrecht falou apenas do sistema Drousys, projetado para contabilizar o dinheiro sujo. Mas teria escondido aquele que seria o sistema completo da propinagem, o My Web Day. Este último conteria informações sobre o suborno a juízes e desembargadores.



My web day

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem tentando, sem sucesso, obter acesso a todos os sistemas de propinagem. No processo sobre o sítio de Atibaia há acusações da Odebrecht, sem provas anexadas. No início do mês, pediu a Moro para que Durán fosse ouvido, mas o juiz negou.

— Nós, da defesa do presidente Lula, queremos abrir o My Web Day. Temos certeza de que o nome dele não está lá — afirma o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), membro da CPI da JBS.

No fim de outubro, Pimenta e o deputado Wadih Damous (PT-RJ) encontraram-se com Durán, na Espanha, para negociar o depoimento do advogado por videoconferência, nesta quinta-feira. Os petistas gravaram conversa de 1 hora e 10 minutos com o advogado e, na volta ao Brasil, protocolaram o conteúdo nos arquivos da CmPI. Foi com base nesta gravação que a Comissão marcou o depoimento.
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