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Elis Regina e ditadura militar no “II Ciclo de Cinema Brasileiro”

publicada em 11 de novembro de 2017
Elis Regina e ditadura militar no “II Ciclo de Cinema Brasileiro”


O “II Ciclo de Cinema Brasileiro” arranca na próxima quarta-feira, na Fundação Rui Cunha, com um filme que espelha a vida de Elis Regina. Para além de passagens pela história do Brasil e a “estória” de uma mulher que não se deixou conformar com o tratamento aplicado a doentes com esquizofrenia, há também espaço para um filme para os mais novos. As cinco sessões têm entrada gratuita.



Uma película sobre a vida da cantora Elis Regina, um dos nomes mais badalados da música brasileira, foi o escolhido para marcar o arranque do “II Ciclo de Cinema Brasileiro” de Macau.

“A Elis é uma cantora muito famosa e muito conhecida, a história dela é uma história forte que marcou muito na época dela. Então a gente achou que ia ser um filme bom e a actriz que está fazendo o papel da Elis é muito boa actriz”, explicou Jane Martins, presidente da Casa do Brasil, em declarações ao PONTO FINAL. “Elis” será apresentado na Fundação Rui Cunha, na próxima quarta-feira, pelas 19h. A exibição do filme será antecedida por um ‘cocktail’.

Numa entrevista ao jornal português Diário de Notícias, Hugo Prata, realizador de “Elis”, contou que “queria mostrar o que fragilizou este mito” e interessava-lhe “falar do seu papel maior no que toca a um exemplo para as mulheres no Brasil”: “Ela liberou um movimento feminino! Naqueles anos da ditadura, falava o que pensava e pagou caro por isso. Para este projecto sempre me interessou captar o arco dramático desta vida. O filme tenta ajudar a que possamos compreender por que razão Elis se fragilizou tanto no final da sua vida, aos 36 anos. As pessoas não sabem que ela apenas se envolveu com drogas nos seus últimos meses de vida”, explicou o cineasta.

Depois da música, uma parte da história do Brasil. O período que antecede o golpe militar de 1964 e a consequente ditadura militar é evocado em “O outro lado do paraíso”, que será exibido na quinta-feira. Nas palavras de Jane Martins, “é a história de um idealista, sonhador” que, movido pelas reformas prometidas pelo Presidente João Goulart, se aproxima do activismo político e da luta dos trabalhadores. Porém, na madrugada de 1 de Abril de 1964, os sonhos são transformados em pesadelos com a inauguração da ditadura militar.

“Também tem um filme um pouco mais forte. ‘Nise, o coração da loucura’ é um filme muito forte. É feito dentro de um manicómio e então ela [Nise] vai lá transformar a maneira de um tratamento que naquela época era feito [e que] ela não aceita e se recusa a fazer. O filme é muito interessante, fez muito sucesso no Brasil, já ganhou vários prémios”, adiantou a dirigente associativa.

“Nise, o coração da loucura” acompanha a história de Nise da Silveira e da sua tentativa de revolucionar o modo de funcionamento do hospital psiquiátrico onde trabalha. Ali, os doentes com esquizofrenia eram tratados com recurso a tratamentos considerados “inovadores” como electrochoques e lobotomias, mas Nise opõe-se terminantemente a estes métodos, usando como recurso a terapia ocupacional.

O “II Ciclo de Cinema Brasileiro” encerra com um tom “mais calminho, mais familiar” com “A que horas ela volta”: “É uma mensagem, é até um filme para pensar depois na história de mãe e filho”, considera Jane Martins. A acção tem início com a filha da protagonista já adolescente, que foi criada por familiares, a reunir-se com a sua mãe em São Paulo. O seu espírito irreverente vem quebrar a aparente harmonia que parecia existir na casa onde a sua mãe trabalha e abalar as regras sociais que imperavam naquela família.

Neste ciclo de cinema as crianças não foram esquecidas. No dia 18 de Novembro, pelas 16h, é exibido o filme “Uma professora muito maluquinha” que acompanha a trama de uma docente que aplica nas suas aulas métodos de ensino muito particulares que encantam os seus alunos e desagradam aos seus colegas. À excepção deste filme, todas as outras sessões têm início às 19h. O ciclo irá decorrer na íntegra na Fundação Rui Cunha, entre 15 e 21 de Novembro, e é de entrada gratuita.
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