Terça-feira, 26 de setembro de 2017.
Notícias ››   Imprensa on-line ››  

Um novo modelo de ditadura.

publicada em 13 de setembro de 2017

Um novo modelo de ditadura





Na edição 244 de Caros Amigos, Marcelo dos Santos, indigenista aposentado e formado nos anos 1970 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), escreveu um artigo no qual antecipou o risco de vida eminente que os povos indígenas isolados e de recente contato estão correndo. No último dia 9, o Ministério Público Federal (MPF) confirmou que mais de 20 indígenas de uma tribo isolada do extremo oeste do estado do Amazonas foram assassinados por garimpeiros ilegais.

Conhecidos como "flecheiros", os índios teriam sido mortos no mês de agosto, na cidade de São Paulo de Olivença, na fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Em maio deste anos, outros vinte indígenas da tribo Warikama Djapar, no Vale do Javari, também foram assassinados por garimpeiros. Confira artigo na íntegra. A edição 244 de Caros Amigos está disponível na loja virtual https://goo.gl/pGbmFU

Um novo modelo de ditadura

Por Marcelo dos Santos

Estamos vivendo uma trágica similaridade histórica na criminosa atuação do estado brasileiro para com suas populações indígenas. Vivenciei, enquanto funcionário da Funai, desde 1975, inúmeras arbitrariedades, omissões criminosas e ações deliberadamente corruptas de seus gestores. Quatorze anos morando em aldeia indígena moldaram interpretações de vida antes inimagináveis para um paulistano, num aprendizado constante, uma lição de vida, e que incentivaram minha obstinação em defender seus direitos e sua autodeterminação. Ingressei na Funai em 1975, sob a chefia de um general, Ismarth Araújo de Oliveira, e agora, em maio último, participo de uma reunião na Funai, na 1ª Reunião do Conselho da Política de Promoção dos Direitos dos Piirc (Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato), aberta por outro general, Franklimberg Ribeiro Freitas que, como seu antecessor, não demonstra nem a sensibilidade, nem conhecimento e nem a empatia que o cargo exige.

Na década de setenta vivíamos sob uma ditadura militar que considerava os indígenas como um “obstáculo ao desenvolvimento econômico”, populações “inferiores”, que ainda “vivem na idade da pedra”, e que precisavam ser inseridos, naquela época, ao segundo PND (Plano Nacional de Desenvolvimento). Essas diretrizes nos foram passadas no VII Curso de Indigenismo do qual participei, em 1975. Felizmente, para fazer o contrapeso, tínhamos aulas de Antropologia. Creio que, tanto naquela época quanto hoje, deve ser muito difícil para um militar entender a democracia política das sociedades indígenas, seu modo de vida e suas crenças, já que a filosofia profissional e de vida dos militares está pautada por uma obediência hierárquica inquestionável. A ignorância da sua formação acadêmica se traduz em preconceito e arbitrariedades. Não acredito numa mudança na forma de pensar dos militares brasileiros, até hoje contrários à homologação de terras indígenas em zona de fronteira.

Versão para impressão Envie para um amigo Deixe seu comentário
Caros Amigos

Envie esta notícia para seus amigos

Seu nome:
Seu e-mail:
Enviar para:
envie para vários e-mails separando-os com vírgula

Deixe seu comentário sobre esta notícia

Seu nome:
Seu e-mail:
Escreva seu comentário:
0 caracteres utilizados. Máximo 100 caracteres.

Digite o código contido na imagem ao lado:
Caso não consiga ler o texto da imagem, clique aqui.

Comentários

Nenhum comentário ainda foi registrado.
Seja o primeiro a comentar! Clique aqui ››

Contato

Telefone
(61) 35418388
(61) 93094422