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"Vivemos uma das maiores crises de valores da humanidade", diz Pedro Simon

publicada em 09 de setembro de 2017
"Vivemos uma das maiores crises de valores da humanidade", diz Pedro Simon


"Vivemos uma das maiores crises de valores da humanidade", diz Pedro Simon

Marcos Oliveira/Agência Senado/Divulgação



Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado/Divulgação


Aos 89 anos, 65 de vida pública, o ex-senador Pedro Simon segue como um dos mais lúcidos analistas da República. Em tempos de demonização dos ocupantes de cargos eletivos, é um dos raros que podem falar sobre ética na política. No dia 14 ele estará em São José para abordar a crise e o momento vivido pelo país. Será a partir das 20h, no campus da Univali, no bairro Kobrasol. É a terceira edição do programa Café com Ideias, organizada pelo vereador Antônio Lemos. A entrada é gratuita. Por telefone, o ex-senador conversou com a coluna sexta à tarde.


O Brasil vive hoje sua pior crise da história?
Não tenho a menor dúvida. É a pior que já tivemos porque atinge a todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além da iniciativa privada. O mundo hoje olha para Brasil estarrecido. Não seria exagero classificar que a nação vive uma das maiores crises de valores da história da humanidade. Ela simplesmente envolve todo mundo, seja de direita, do centro ou de esquerda. É uma coisa tão diabólica, tamanha roubalheira, que hoje estamos todos atônitos. O que aconteceu na Itália, com a máfia, ou na Chicago dos anos 1920 parece pinto diante do que estamos assistindo. A boa notícia disso tudo é que, pela primeira vez, está se investigando e punindo os envolvidos, mesmo que não seja no ritmo esperado. Em 1954, (Carlos) Lacerda dizia que o Palácio do Catete (sede do então governo federal no Rio de Janeiro) estava mergulhado num mar de lama. Mas aí o Getúlio Vargas se matou e ficou por isso mesmo. Em 1964 a tese dos militares para derrubar Jango (presidente João Goulart) foi a corrupção que imperava no país. Veio o golpe, cassaram direitos políticos, prenderam e torturaram muita gente, mas nada foi investigado de novo. O mesmo ocorreu com a reabertura democrática e o Diretas Já (anos 1980). Tancredo Neves tinha a promessa de combater a corrupção. Mas aí morreu, entrou o José Sarney e não se falou mais no assunto. Agora não. A Lava-Jato está aí para passar o país a limpo. E isto vai acontecer.

Volta e meia surge o balão de ensaio de uma anistia geral para os políticos. Como o senhor vê este cenário?
Esse é o ovo da serpente que muita gente não esta atentando. O que fez a Lava-Jato andar, na prática, foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de que após confirmada a condenação em segundo grau o réu vai é para a cadeia. Isso foi fundamental para o sucesso da operação. Claro que se pode recorrer às cortes superiores, mas antes só ocorria a detenção após esgotadas todas as instâncias. Ou seja, não dava em nada. Mas é preciso que a sociedade esteja muito atenta às propostas de mudanças em curso. Na Câmara e no Senado tramitam projetos com emendas escamoteadas, que voltam a confirmar a prisão somente depois de transitado em julgado. O próprio STF deve analisar a constitucionalidade da aplicação da pena logo depois da confirmação em segundo grau e há fortes indícios de que poderá ser revisto. Isso seria mais um escândalo, um retrocesso monumental.

Mas diante disso tudo, dá pra enxergar luz no fim do túnel?
Do alto dos meus 89 anos tenho uma convicção: a luz no fim do túnel atende pelo nome de redes sociais. Hoje a sociedade não é mais refém do monopólio da informação exercido outrora. A comunicação é disseminada instantaneamente. Tenho acompanhado com bastante interesse o ressurgimento do movimento estudantil organizado. São Paulo já deu algumas mostras da força dessa juventude do século 21 que está conectada e se articulando em busca de um país melhor. A história mostra que a energia da garotada sempre impulsionou as mobilizações do restante da sociedade. E agora não será diferente. Acredito sim num Brasil diferente.
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