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Sumário da Síria: Fim da guerra agora está à vista .

publicada em 15 de junho de 2017
Sumário da Síria: Fim da guerra agora está à vista
Moon of Alabama

Mapa, de Al Watan Online (e ampliado)

A mudança mais importante ao longo dos últimos dias foi o movimento das forças do governo sírio (áreas e setas vermelhas) no sudeste rumo à fronteira do Iraque. O plano original era retomar al-Tanf mais a sudoeste para proteger o posto de passagem de fronteira na rodovia Damasco-Bagdá naquele ponto. Mas al-Tanf estava ocupada por invasores norte-americanos, britânicos e noruegueses e algumas de suas forças 'por procuração' (em azul). Os aviões desses invasores atacaram comboios do exército sírio quando se aproximaram. O plano dos EUA era ir de al-Tanf para o norte rumo ao Rio Eufrates e capturar e controlar assim todo o sudeste da Síria.

Mas a Síria e aliados fizeram um movimento inesperado e impediram que o plano dos norte-americanos fosse completado. Agora, os invasores estão separados do Eufrates por uma linha síria oeste-leste que termina na fronteira do Iraque. Do lado iraquiano, elementos das Unidades Militares Populares sob comando do governo do Iraque movem-se para se reunir às forças sírias na fronteira.

Os invasores norte-americanos estão contidos no meio de um pedaço praticamente inútil de deserto em torno de al-Tanf onde sua única opção é morrer de tédio ou retroceder de volta à Jordânia de onde saíram. Os militares russos deixaram perfeitamente claro que intervirão necessariamente se os EUA atacarem a linha síria e moverem-se mais para o norte. EUA e aliados não tem, para começar, nenhum mandado legal que os autorize a permanecer em território sírio. Não há justificativa ou fundamento legal para que norte-americanos ataquem qualquer unidade síria. Só lhes resta retroceder.

O movimento dos EUA para al-Tanf foi coberto por um ataque de forças 'representantes' dos EUA no sudeste da Síria. Um grande grupo de "rebeldes" que inclui elementos da al-Qaeda e recebe suprimentos da Jordânia, moveu-se para tomar a cidade de Deraa que estava sob controle do governo sírio. Esperavam que esse ataque desviasse as forças sírias do movimento em que estavam, para leste. Mas apesar da ação de suicidas-bomba, o ataque a Deraa falhou contra as fortes defesas sírias. E não desviou o que pretendia desviar. A posição síria em Deraa recebeu o reforço de unidades de Damasco que agora estão atacando as gangues 'representantes' dos EUA. Hoje houve progresso significativo nos subúrbios ao sul de Deraa, e o ataque do exército sírio provavelmente continuará até alcançar a fronteira da Jordânia.

Os planos dos EUA no sul da Síria, tanto no oeste como no leste, até aqui falharam. A menos que o governo Trump esteja disposto a investir em significativamente mais forças e a abertamente e ilegalmente fazer guerra contra o governo sírio e seus aliados, a situação ali está controlada. Com o tempo, as forças sírias recapturarão toda a terra (área em azul) ao sul, que atualmente está ocupada por vários 'representantes' dos EUA e outros grupos terroristas.

No noroeste, os grupos takfiri "rebeldes" estão concentrados em torno de Idleb e mais para o norte. Esses grupos são patrocinados por dinheiro saudita, qatari e turco. A recente conflagração entre Qatar e outros estados do Golfo geraram ainda mais caos na situação de Idleb. Grupos patrocinados por sauditas lutam agora contra grupos patrocinados por qataris e turcos. Esses conflitos somam-se a outras animosidades entre forças alinhadas com al-Qaeda e as do grupo Ahrar al-Sham. As forças do governo sírio mantêm a província cercada e a Turquia ao norte está mantendo sua fronteira quase sempre fechada. Os "rebeldes" takfiri em Idleb ferverão no seu próprio caldo até que fiquem completamente exauridos. Eventualmente, forças do governo entrarão e acabarão com o que restar deles.

No centro do mapa as setas que mostram o Exército Sírio (em vermelho) apontam na direção das áreas centrais de deserto onde há ainda forças do ISIS em retirada na direção leste (setas marrons). Movendo-se simultaneamente de norte, oeste e sul, as forças do governo sírio fazem rápido progresso, com vários quilômetros de território recuperados a cada dia. Durante o último mês, foram recuperados 4 mil km2 e mais de 100 acampamentos e vilas. Em poucas semanas estarão recuperadas todas as áreas (em marrom) ainda sob controle do ISIS até a linha do rio Eufrates e a fronteira sírio-iraquiana.

Equipamento russo para transposição de rios começou a chegar recentemente à Síria. Será necessário, para cruzar o Eufrates e recuperar para o governo da Síria as áreas ao norte do rio.

Enquanto isso, forças curdas apoiadas pelos EUA (setas amarelas) atacam Raqqa, ainda controlada pelo ISIS. O comando militar russo alega (vídeo) que curdos e EUA fizeram um acordo com o ISIS para deixar os terroristas saírem de Raqqa para o sul e o leste. O rápido progresso dos curdos na tomada da cidade confirma a hipótese dos russos. Parece que já praticamente não há qualquer resistência do Estado Islâmico.

Todas as forças do ISIS que restam na Síria, as que vêm de Raqqa e as das áreas de deserto estão em movimento para leste, ao longo do Eufrates, rumo à cidade de Deir Ezzor. Ali, mais de 100 mil civis alinhados com o governo e uma guarnição do exército sírio estão há muito tempo cercados por forças do ISIS. A população sitiada recebe suprimentos por avião. A guarnição militar síria resistiu por muito tempo contra as forças atacantes do ISIS. Mas com milhares de novos terroristas do Estado Islâmico que chegam à cidade, as tropas do exército sírio e a população civil corre risco real. São necessários reforços, para manter o ISIS ao largo e impedir um grande massacre. Muito melhor alternativa é uma linha de apoio em solo. Mas o movimento do exército sírio na direção daquela cidade foi retardado pelas confusões dos norte-americanos no sul. Está em preparação um grande deslocamento por terra de forças do governo sírio, na direção de Deir Ezzor. Resta esperar que cheguem a tempo.

Forças 'representantes' de Qatar, sauditas e turcos, coordenadas pela CIA, há seis anos fazem guerra contra a Síria e o povo sírio.

Com Qatar e Turquia agora em oposição aos sauditas e aliados dos EUA, a gangue que atacou a Síria cai aos pedaços. O Estado Islâmico está encolhendo rapidamente e não tarda a ser derrotado. A tentativa dos EUA para ganhar terreno no sul foi contida. A menos que os EUA mudem de tática e iniciem ataque em grande escala contra a Síria com forças armadas norte-americanas, a guerra na Síria está acabada.

Muitas áreas ainda têm de ser reconquistadas pelas forças sírias. Ainda continuarão por muitos anos os ataques terroristas dentro do país. As feridas demorarão décadas para cicatrizar. Serão necessárias negociações sobre as áreas no norte, hoje sob controle turco ou de terroristas 'representantes' dos EUA. Será preciso alcançar outros acampamentos. Mas a guerra estratégica, de grande escala contra a Síria chegou ao fim, pelo menos por hora.

Ninguém ganhou coisa alguma. Os curdos que em dado momento pareciam ser os únicos vencedores nessa guerra, acabam de jogar fora tudo que ganharam.

As forças curdas apoiadas pelos EUA do YPG cometeram o erro lunático de abertamente pedir ajuda à Arábia Sauditas. Os anarco-marxistas do YPG, sempre tão orgulhosos de seu feminismo, estão agora ajoelhados diante dos doidos wahhabistas medievais. Assim arruínam toda a imagem de força progressista de esquerda. Esse movimento reforçará a animosidade entre turcos e sírios, iraquianos e iranianos e a hostilidade contra eles próprios. Todos os avanços que conseguiram durante a guerra, mantendo-se quase completamente neutros entre os "rebeldes" e o governo sírio, estão agora sob grave risco. O movimento é doido. Os curdos controlam uma área completamente cercada por forças mais ou menos hostis. O apoio de EUA ou sauditas ao enclave curdo, cercado e pode-se dizer sitiado não é sustentável por muito tempo. Os curdos demonstraram assim que são eles mesmos os seus piores inimigos na ânsia para conseguirem um estado curdo (semi) soberano. Serão empurrados de volta para suas áreas de origem e novamente serão incorporados ao Estado sírio.*****
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