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Wadih Damous: “É preciso deter a caminhada do Brasil rumo ao fascismo.”

publicada em 16 de maio de 2017
Wadih Damous: “É preciso deter a caminhada do Brasil rumo ao fascismo.”
O Brasil caminha a passos largos para o fascismo. Subestimar essa escalada pode ser uma erro de consequências catastróficas para o regime democrático.

Por Wadih Damous




Um ano depois do golpe, a economia está em ruínas, o desemprego é um flagelo que atinte 14 milhões de brasileiros e brasileiras, a corrupção campeia em um governo que se assemelha a uma quadrilha e as violações dos direitos e garantias fundamentais, pilares do estado de direito democrático, se sucedem de forma alarmante.

Os ovos chocados pela serpente do fascismo durante as aberrações jurídicas da Ação Penal 470, conhecida como mensalão, deram à luz a um sem número de práticas, métodos e ações antidemocráticas e totalitárias. Escrevo ainda enojado com a capa do esgoto jornalístico chamado Veja, que se supera em termos de canalhice ao agredir a memória de Dona Marisa, ilustrando o momento que o país atravessa, com a besta fascista à solta.

Não que mais essa investida infame e calhorda da revista contra o ex-presidente Lula cause surpresa, afinal a trajetória criminosa da revista dos Civita, repleta de mentiras, manipulações, ataques às causas populares e democráticas e assassinato de reputações só pode ser comparada à da líder da máfia que controla a mídia comercial do Brasil, a Rede Globo. O xis da questão é entendermos que só um ambiente social deformado pela intolerância e pelo ódio pode oferecer terreno fértil para que vicejem matérias abjetas como a da Veja.

No mesmo dia, outro braço atuante do fascismo nativo, a Polícia Federal, engrenagem importante do estado de exceção atual e que hoje age como a Gestapo nazista, sequestrou empregados do BNDES, levando-os para depor coercitivamente em uma investigação que tem como alvo o frigorífico JBS. Detalhe escabroso : nenhum desses trabalhadores foi intimado e se negou a depor, única justificativa legal para a condução coercitiva. Na prática, portando, foram vítimas de sequestro, assim como o foram Lula, o blogueiro Eduardo Guimarães, o jornalista Breno Altman e tantos outros.

Depois de o “peão” Lula ter literalmente engolido o doutor Moro no histórico depoimento de Curitiba, a publicidade opressiva contra o ex-presidente que já era massacrante ganhou definitivamente ares de linchamento. Desesperada, a Globo partiu para uma espécie de ofensiva final para tentar impedir a candidatura de Lula. Em Curitiba, pude testemunhar mais uma vez o carinho, respeito e a admiração de gente de todas as origens e procedências pelo maior presidente do país em todos os tempos.

Rapidamente, porém, e contando com a ajuda inestimável do ministro Fachin, que liberou para a Globo o depoimento do casal de marqueteiros antes que a defesa da presidenta Dilma a ele tivesse acesso, o monopólio midiático providenciou outra frente de ataques fascistas aos ex-presidentes petistas. Para salvar seus pescoços, João Santana e Mônica Moura se curvaram à chantagem-padrão dos investigadores : “delata Lula e será premiado com a redução da pena ou com a liberdade.”

Circula também a informação de que, absurdo dos absurdos, a Lava Jato impôs ao ex-ministro Palocci, como condição para que sua delação seja aceita e homologada, o afastamento do advogado José Roberto Batochio, um dos maiores criminalistas brasileiros, e que também compõe a equipe de advogados de Lula. Batochio é filosoficamente contrário às delações como vêm ocorrendo. Por isso, a Lava Jato, em mais uma afronta à premissa constitucional do amplo direito de defesa, exigiu sua destituição.

O Brasil caminha a passos largos para o fascismo. Subestimar essa escalada pode ser uma erro de consequências catastróficas para o regime democrático. Mas os gendarmes dos camisas pretas que proliferam nas instituições e na sociedade sé serão derrotados nas ruas, com forte mobilização popular e democrática. A maior greve da história em 28 de abril e a marcha a Curitiba apontam o caminho.



Wadih Damous é deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ
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Por Wadih Damous

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