Terça-feira, 23 de julho de 2019.

Aos déspotas e vassalos de plantão! Marco Antonio Campanella

publicada em 11 de maio de 2017
Aos déspotas e vassalos de plantão!

MARCO ANTONIO CAMPANELLA (*)




A paisagem e o clima no imponente prédio do Congresso Nacional no último dia 9 de maio era a própria fisionomia do governo Temer: grades duplicadas por todo edifício, policiamento ostensivo dentro e fora do recinto parlamentar, corredores vazios e pessoas estupefatas diante de um cenário típico a uma tirania.

O comando legislativo que se submeteu a essa infâmia alegou que se tratava de uma medida cautelar para assegurar a conclusão dos trabalhos na comissão especial que, na última semana, aprovara o assalto às aposentadorias dos brasileiros, principalmente os de baixa renda que mais necessitam de um seguro nos últimos anos de suas vidas.

Um ato de puro desespero provocado, segundo seus autores, pela "invasão" de algumas dezenas de agentes penitenciários que lutam, como tantas outras categorias, pela defesa de aposentadorias decorrentes de serviços laborais exercidos sob permanente periculosidade.

Mas, que "invasores" são esses, senão trabalhadores, servidores do Estado, que defendem direitos adquiridos ao longo de anos de luta?

Não seria a maioria parlamentar venal, eleita pelo dinheiro sujo da Lava-Jato e suas adjacências, os verdadeiros invasores de um poder que deveria emanar do povo e estar a seu serviço?

Não seria a maioria parlamentar venal, hoje subalterna a um governo cuja popularidade encontra-se no chão e às suas medidas gritantemente antipopulares, os reais agressores a uma instituição basilar do sistema democrático?

Não seria a atual maioria parlamentar venal o maior exemplo de desonra às boas tradições de defesa da Pátria e de resistência democrática do Parlamento brasileiro? Que a memória de Ulysses, Teotônio, Tancredo, Rubens Paiva e tantos outros o diga!

A transfiguração física do Congresso Nacional é o sinal mais efusivo de um governo que governa exclusivamente para o mercado, os bancos, as grandes corporações, via de regra, a soldo de interesses forâneos que crescem e avolumam-se como nunca nos dias de hoje, desde a onda neoliberal dos anos 90 que vem devastando o Brasil e a América Latina.

O assalto à Previdência Pública e Social para destiná-la ao apetite voraz do mercado e o desmonte das leis trabalhistas para saciar a cobiça incontrolável dos grandes grupos econômicos são os sinais mais flagrantes de um governo que de brasileiro não tem nem mais o verniz.

Trata-se de um governo de ocupação sustentado, pelo menos enquanto faz o seu dever de casa, pelas grandes corporações econômicas, notadamente as do setor financeiro que abocanham, crescente e descontroladamente, nacos da economia, do mercado e da propriedade nacionais.

São precisamente essas forças que sustentam Temer e seus serviçais, no governo e no Parlamento, utilizando-se do sistema de financiamento de parte da grande mídia para tentar ludibriar e enganar o povo com suas mentiras.

Os recentes dados do IBGE sobre o desempenho da indústria, ferida de morte por este governo e o anterior, revelam de forma incontroversa que a ladainha do sr. Meirelles, de que o país voltará a crescer com as "reformas" na CLT e na Previdência, não passa de uma grande falácia.

O Congresso Nacional sitiado pela vassalagem parlamentar é o sinal de que um governo tão flagrantemente antinacional não poderá conviver nem mesmo com o formalismo democrático que, costumeiramente, oculta a quem a maioria legislativa e o seu governo estão a serviço.

O certo, todavia, é que as ruas e praças do país continuarão sendo cada vez mais ocupadas pelo povo rebelado por ver ameaçados direitos conquistados com muita luta e sacrifício.

Esses espaços públicos, sr. Temer, não poderão ser cercados como o foi, de forma tão abjeta, o prédio do Parlamento brasileiro por quem, no fundo, tem medo do povo e precisa lhe cerrar as portas.

Os próximos capítulos do movimento que teve seu apogeu no último dia 28 de abril darão a resposta aos déspotas e vassalos de plantão!

(*) Jornalista e correspondente em Brasília.
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