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Tsunami Odebrecht, a primeira derrota do golpe

publicada em 19 de abril de 2017
Tsunami Odebrecht, a primeira derrota do golpe

Viomundo


por Francisco Luís, especial para o Viomundo


“O tempo é o senhor da razão”, diz um antigo provérbio, de autor desconhecido:

Não me lembro de outro momento na história do Brasil que essa frase tenha sido tão importante para os brasileiros quanto é hoje.

Em 16 de abril de 2016, publiquei no Viomundo artigo sobre a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, que aconteceria no dia seguinte. Dizia:

Em caso de derrota na votação, os três pontos para fazermos oposição já estão claros:

1) Acordão Cunha, Temer, PSDB e setores da mídia para livrar o corruptos e acabar com a Lava Jato.

2) Destruição dos programas sociais e uma política recessiva ou de austeridade para destruir o movimento operário, com repressão violenta.

3) O verdadeiro golpe contra a a democracia, visto que denunciados de corrupção tomam o poder pela mão grande.
Nele e em artigos seguintes (aqui e aqui), vislumbramos ainda o que ocorreu nessa semana: o tsunami Odebrecht e o abraço dos enlameados.

Fruto da ação açodada de setores do aparato judicial, apoiado pela grande mídia e empresariado, eles, para tentar pegar Lula e o PT, destruíram todo o sistema político brasileiro e abriram as portas para “aventureiros” e saídas autoritárias.

As consequências serão terríveis.

Como refazer um pacto politico e social para que o país possa crescer em um cenário de terra arrasada?

Como construir uma saída quando o usurpador quer retirar mais direitos dos trabalhadores e apressar na Câmara dos Deputados a tramitação do desmonte da CLT, contribuindo para ampliar a radicalização e a resistência popular?

Como a economia irá se reerguer?

Difícil prever. Mas diversos economistas já trabalham com cenário de uma década perdida para o Brasil.

Esse é um dos dois grandes motivos pelos quais nunca apoiei o Golpe de 2016.

Além de derrubar uma presidenta legitimamente eleita por 54 milhões de brasileiros sem crime de responsabilidade, sabia que o custo político e social seria tremendo, como já vemos hoje. Recessão, aumento da pobreza, da desigualdade e do desemprego.

Muitos lá atrás não entendiam por que alertávamos tanto.

Infelizmente, o tempo nos deu razão.

Prefeririamos um milhão de vezes ter errado ver o desastre social que já começamos viver e a perspectiva sombria que se descortina para o futuro dos jovens.

Em sua delação premiada, Emilio Odebrecht, o patriarca do grupo, revelou o que sempre se soube: o sistema de corrupção vigente funciona há, pelo menos, 30 anos.

Daí, as perguntas óbvias às nossas instituições, especialmente aos tribunais de contas e aos ministérios públicos estaduais e ao federal:

*Por que foram cegos por três décadas?

* Por que a mídia foi seletiva, atacando durante três anos apenas o PT, Lula e Dilma?

*Por que só agora, um ano após o Golpe de 2016, se torna claro que todos os partidos se beneficiavam do esquema, especialmente os senadores tucanos José Serra e Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?

Se o PT errou?

Errou, sim, ao manter o sistema político podre.

Mas, a verdade terrível é que sem isso seria muito difícil para qualquer partido governar e aprovar qualquer matéria no poder legislativo.

Infelizmente, para muitos parlamentares a política virou sinônimo de negócio.

O resultado está aí: o abraço dos enlameados e as mazelas de parte considerável dos políticos sendo expostas em praça pública.

Ainda estamos, claro, no olho do furacão dos acontecimentos. Precisamos esperar a poeira baixa.

Mas me atrevo a fazer algumas ponderações sobre este momento:

1) A direita perdeu a principal arma de debate que utilizou nos últimos tempos: a bandeira da ética. Sabíamos que era seletiva, mas, agora, o tempo da hipocrisia acabou.

Isso terá consequências eleitorais, já que esse era o discurso para disseminar o ódio contra a esquerda e derrotá-la nas urnas.

2) A direita e o centro estão assustados com o monstro que criaram, especialmente no Judiciário e no Ministério Público.

Cada vez mais se fortalece o alerta do ministro Marco Aurélio Mello, feito em 7 de março de 2016: “A pior ditadura é a do Judiciário”.

3) O tsunami Odebrecht representa a primeira derrota do Golpe de 2016, visto que o objetivo dos golpistas era abafar tudo isso, para estancar a sangria.

Lembro que há ainda outras 16 empreiteiras que terão muitas histórias para contar, especialmente Camargo Correa e Andrade Gutierrez.

Isso sem falar da tentativa abafar a delação da Engevix, visto que os procuradores do Ministério Público Federal se recusaram a fechar acordo com a empreiteira sediada em Minas Gerais e que pega os tucanos em cheio.

4) Fatalmente a base de sustentação no Congresso do presidente usurpador Michel Temer (PMDB) irá diminuir por três razões básicas.

Ao não conseguir impedir o tsunami Odebrecht e proteger deputados e senadores, ela foi derrotada.

Aumenta a percepção de que a campanha de 2018 será pobre em recursos financeiros.

Parlamentar sabe que quem vota sistematicamente contra os direitos do povo corre sério risco de não se reeleger.

5) Nós, enquanto esquerda, temos que concentrar esforços para barrar outro objetivo do Golpe de 2016, que é o brutal ataque aos direitos da população, especialmente a destruição da Previdência e da CLT.

Neste exato momento, nosso foco deve ser a Greve Geral de 28 de abril, evitando ataques entre as próprias correntes da esquerda.

No dia 28 de abril, temos de parar o Brasil e defender os nossos direitos e das futuras gerações. Lembrem-se de que a dupla Temer- Rodrigo Maia (DEM-RJ) quer acelerar na Câmara dos Deputados o desmonte da legislação trabalhista.

6) O crescimento de outras formas de organização mais horizontal para a ação política irá se intensificar devido aos desafios da conjuntura e a crise dos partidos.

Hoje, são os movimentos sociais que estão na frente da luta. Deles nascerão novas formas de agir e uma nova síntese política.

7) Nesta segunda-feira, o trágico 17 de abril de 2016 completa um ano.

Ele representa uma mácula na história do Brasil.

Devemos, sim, rememorar este acontecimento que tanto envergonha os brasileiros.

Isso significa nos lembrar da hipocrisia total do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Principal artífice do golpe, Cunha posteriormente foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção, entre outros crimes.

O Golpe de 2016 contou com apoio maciço do PMDB, PSDB e até de Bolsonaro, além da mídia e de parte do Judiciário.

Eles sustentaram e aplaudiram alguém condenado pela Justiça e não um homem de bem.

Lembram-se da faixa ‘Somos milhões de Cunhas?’

O caminho se faz ao caminharmos.

Precisamos ter coragem de aprender com as ruínas do passado.

O tempo agora é de ocupar as ruas e deter o golpe contra os direitos do povo.

Essa energia será a verdadeira luz no fim do túnel para a democracia brasileira.
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