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Ex-ministro Ricardo Berzoini diz que Lula sempre foi perseguido pela elite

publicada em 19 de março de 2017
Ex-ministro Ricardo Berzoini diz que Lula sempre foi perseguido pela elite

Ele afirmou ainda que está em voga uma disputa programática

Carlos Amaral / Tribuna Independente



Ricardo Berzoini esteve em Maceió para falar sobre a polêmica proposta da reforma da Previdência (Foto: Flávio Peixoto)
Para o ex-ministro Ricardo Berzoini (PT), Lula está sendo perseguido pela elite brasileira, “como sempre foi”. Em visita a Maceió, o dirigente petista afirmou ontem (16) que essa perseguição é, na verdade, disputa programática pelos rumos do país.

“Desde que Lula foi candidato pela primeira vez, a governador de São Paulo em 1982, foi perseguido da maneira mais dura, por setores do Estado e por setores da mídia. E isso não foi diferente nas candidaturas de 1989, 1994, 1998, e nas vitoriosas de 2002 e da reeleição. Essa disputa tem um programa por trás, que hoje está materializado na reforma da previdência, na reforma trabalhista, na entrega da Petrobras, do pré-sal e dos bancos públicos”, afirma Ricardo Berzoini, que esteve ontem em Maceió para conceder uma palestra sobre a reforma da Previdência.

Para o ex-ministro, essa disputa programática já ocorreu outras vezes na História brasileira, a exemplo de Getúlio Vargas e João Goulart.

“A elite é contra o programa de Getúlio, foi perseguido durante por Lacerda e seus asseclas, e de João Goulart, cujo discurso na Central do Brasil de 13 março de 1964 eu recomendo a todos os jovens que leiam. Aquela pauta que ele [Goulart] apresentou ainda é atualíssima, só muda pontualmente. É a pauta da soberania nacional, dos trabalhadores e da proteção social que a elite brasileira não tolera por ser extremamente retrograda, truculentas e antidemocrática”, diz.

Voltando ao que considera perseguição a Lula, Ricardo Berzoini destaca o depoimento do ex-presidente em dos inquéritos da Lava Jato, e que foi divulgado na internet.

“O desabafo do presidente Lula, durante seu depoimento na ação que ele foi interrogado nessa semana, foi extremamente pertinente. Mostra um cidadão que está sendo devassado há anos e tudo que se descobre contra ele são pedalinhos, botes de alumínio. Ele [Lula] é um cidadão que não tem nada a esconder do país, enquanto aqueles que o acusam são sonegadores, corruptos. São pessoas sem decência para aparecer publicamente e colocar sua face num debate político, preferindo usar a tática de acusar adversários”, afirma.

Para ele, Lula será candidato em 2018, mesmo diante da possibilidade de sua candidatura ser inviabilizada.

“Trabalhamos com a confiança de que a justiça prevalecerá”

De acordo com Ricardo Berzoini, o PT não acredita na possibilidade de Lula ser condenado em segunda instância e ter sua candidatura à Presidência da República em 2018 inviabilizada. E também não há “plano B”.

“Nós trabalhamos com a confiança de que a justiça prevalecerá. Não achamos ser admissível num país como o Brasil, com uma economia vigorosa, embora desgastada por essa crise, que haja a hipótese de alijar da disputa política alguém que não tem nada provado contra si. Não se consegue sequer, num interrogatório, fazer perguntas que tenham começo, meio e fim. Fazem perguntas ridículas, do tipo: fulano ligou para sua esposa no dia do aniversário dela?”, comenta o ex-ministro, se referindo ao depoimento de Lula nesta semana.

Mesmo assim, ele diz que essa possibilidade não está descartada.

“É claro que essa hipótese pode ocorrer, afinal estamos num Estado de exceção em que temos um governo ilegítimo e descarado no Brasil. Um presidente impostor que tenta eliminar, em poucas semanas, o que os trabalhadores conquistaram em décadas”, afirma.

Para ele, em caso de vitória de Lula em 2018, o PT precisa focar na reforma política.

“Precisamos ter partidos mais programáticos, campanhas mais pobres e livres dos marqueteiros, onde o candidato seja a principal medida de relação com o eleitor. Pré-campanha, hoje no Brasil, é leilão de marqueteiro”, crava.

“Operação Lava Jato pôs política brasileira em instabilidade”

Para Ricardo Berzoini, a Operação Lava Jato provocou instabilidade em toda a política do país e uma série de especulações sobre seus desdobramentos. Outra característica apontada pelo petista é a repercussão midiática sobre a investigação.

“O fato de o procurador-geral da República enviar nomes para o Supremo é um procedimento normal. O que é importante? Tem o que ser investigado, será investigado. Depois se oferece ou não denúncia, e o tribunal acata ou não. Agora, esse processo coloca a política brasileira em instabilidade, cria novas etapas de especulações sobre o futuro da Operação, sobre qual será o desdobramento e, principalmente, incertezas de como chegarão a 2018 inúmeras lideranças de inúmeros partidos”, comenta.

Porém, Ricardo Berzoini afirma que, mesmo com toda a política do país estando em desgaste, o PT é o principal alvo de setores da imprensa.

O petista evita prever desdobramentos da Lava Jato.

“O PT é alvo de uma perseguição incansável desde antes de chegar ao Governo Federal, mas eu não creio que valha a pena gastar tempo especulando sobre isso [desdobramentos da Lava Jato]. Porém, o açodamento em transformar pessoas em réus é caminho para desmoralizar a investigação. O que há é um processo político muito estranho no país, que muitas vezes trata alguns lideres políticos com demasiada condescendência e outros com demasiada dureza”, disse o ex-ministro.
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