Quinta-feira, 30 de março de 2017.

JANGO: Há 98 anos nascia um homem de lutas. João Vicente Goulart

publicada em 01 de março de 2017

JANGO: Há 98 anos nascia um homem de lutas
João Vicente Goulart





Jango em São Borja, sua terra missioneira.

1º de março de 1919, nascia Jango, meu pai, na terra missioneira de São Borja, terra pertencente aos 7 povos das Missões Jesuíticas, terra do socialismo cristão antes de Marx.

O DNA de resistência desses bravos povos indígenas que se estabeleceram nas missões por volta de 1626, já derramavam em seu sangue a harmonia da vida em comunidade, onde, organizados pelos jesuítas, tinham consciência da atividade produtiva de forma coletiva, pois ali as ferramentas e o resultado da produção eram revertidos como um benefício de todos. Povos nascidos livres, donos de suas terras e do seu destino onde organizavam-se para permanecerem livres, ainda na colônia, separados pelo tratado de Tordesilhas.

Foi o berço da República Guarani. Já naquela época, enquanto o poder político na Europa era exercido por reis e rainhas por herança de família, na República Guarani todo cidadão tinha o direito de eleger, por voto direto, seus representantes, de prefeito a juiz, passando pelo chefe de polícia e demais cargos importantes.

A resistência aos bandeirantes foi brava e altruísta por parte daquele povo que não admitia ser escravizado.

De lá veio Jango, como um irmão de seu povo, acostumado àqueles tempos antigos de luta. Cresceu entre as campeiradas com o chimarrão dividido entre patrões e empregados durante as longas viagens de tropas, entre as patas dos matungos e as paletas de ovelha para saciar a fome, embaixo do pelego, no frio das madrugadas e à beira de alguma sanga para dormir e descansar, enquanto os bois também ruminavam para seguir o caminho com a peonada, ao amanhecer.

Este é o humanismo que Jango levou na sua pregação política muito mais tarde, quando convidado por Getúlio Vargas, outro missioneiro para entrar na vida pública.

Honrou cada milímetro desta confiança que Getúlio lhe legou. Honrou sua história e seu destino, levantando as necessidades básicas de reformulação estrutural da Nação para uma distribuição de renda mais humana entre os brasileiros, seus irmãos.

As Reformas de Base, que possibilitariam fazer um país mais justo e equitativo, não foram toleradas pelas elites brasileiras que, aliadas aos militares, traíram a Constituição e deram o Golpe de 1964, acabando de vez com a esperança de um Brasil para todos.

Depuseram Jango e o fizeram morrer no exílio.

O destino é assim, só os predestinados e obcecados pelo seu povo morrem de pé com a história. Até hoje discutimos a figura de Jango, a figura deste missioneiro de fala mansa, que se tornou o único presidente republicano a morrer no exílio, pelo seu povo, pela liberdade, pela democracia e pela justiça social, que nasceu em 1º de março, há 98 anos, em uma terra que tampouco se submeteu a prepotência. É desta terra que ele veio, e até hoje o seu povo o conhece como Jango, o presidente dos trabalhadores brasileiros.

Salve a memória nacional!

Jango vive!


João Vicente Goulart
Diretor IPG-Instituto João Goulart

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IPG-João Vicente Goulart.

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