Quarta-feira, 26 de julho de 2017.

Darcy

publicada em 17 de fevereiro de 2017
Darcy


Em plena semana em que se comemora a memória saudosa de Darcy Ribeiro,
justamente quando se realiza nos dias 16 e 17 de fevereiro de 2017 o IV Seminário Nacional de Vereadoras e Vereadores, organizado pela Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, vale a pena pensar no ser humano e pensador iracundo que foi Darcy.

Exercitar a mente com um trabalho prazeroso é o que todos aspiram encontrar na vida, antes que, pronto, tudo acabe. Porque o que importa a velha morte. O diabo, diria Darcy, é perder a vida. Essa sim é uma perda. Um dano a vida.
Quando se perde o fôlego, a respiração, o olfato e o paladar. Com estes sentidos a vida respira e tudo é possível acontecer para atingir o equilíbrio e a sabedoria tão elogiado pela civilização maior dos gregos antigos.
Esta é a sensação em ler, reler, pensar, admirar, comparar, refletir sobre os textos de Darcy Ribeiro.
Este texto é apenas um desabafo e uma singela homenagem ao prazer que tenho encontrado lendo seus textos.
De onde possa sair algum rebento para publicar e divulgar as idéias desse brasileiro inconformado com a dada realidade imediata e sua incontida energia intelectual em construir outra realidade menos precária. Ainda que seja apenas a idealização platônica de seu amor pelo desafio.
Darcy Ribeiro usava uma linguagem rápida, falava com pressa tentando acompanhar seu pensamento e não perder tempo. Ele tinha pressa. Tinha fome de tempo. Sabia que o tempo é curto para realizar tanto e muitos sonhos. Gostava de se reconhecer como um indignado. Talvez por isso costumava distinguir os intelectuais em duas categorias: os áulicos e os iracundo. Aqueles enredados na sombra do poder para se darem bem e os outros, iracundos, irados, insatisfeitos que buscavam uma identidade própria para a formação e assunção da civilização brasileira.
Darcy é este tipo de brasileiro.
Ao escrever em 1968 sua obra impactante que intitulou O processo civilizatório, tentou interpretar os milênios da civilização a partir de um complexo sistema de crenças, meios de produção e tecnologia. Tripé que utilizaria para formular as possibilidades autóctones de história para surgir uma civilização que deixaria o resto do mundo surpreso com a riqueza e pluralidade da cultura brasileira. Até chegar no seu O povo brasileiro que desafiou a dicotomia de classe entre burguesia versus proletariado de Marx e propor o preconceito social de classe como categoria mais específica para entender a formação cultural da sociedade brasileira.
Vivemos tempos tristes.
Desalentadores. A barbárie com seus dentes afiados.
Por isso, mergulho lendo os textos futurísticos do Darcy publicados quando era senador.
Quanta riqueza de idéias é possível difundir quando se tem a consciência de um homem instituição como chamava Machado de Assis para este tipo de homen. Darcy soube exercer a tribuna em sua batalha de senador trabalhista com valores e ética republicana.
Impressionante.
Uma atuação íntegra. Sem mancha.
Pensava o Brasil.
Não se faz mais gente como Darcy. Esse tipo de material humano esgotou da prateleira dos deuses. Nos resta a mitologia de suas estórias narradas. Vivemos um tempo pobre de gente, pouca humana. De políticos, então, a pobreza é imensurável. Chega a ser risível.
Darcy tem fala precoce. De educação em tempo integral, crianças na escola, diretrizes e as bases do ensino primario e secundário, de universidade aberta, de mudança da lei sobre doação e transplantes de órgãos humanos, código de trânsito até sobre o amor gozoso de Iemanjá.
Falava do prazer de viver. Gozar a vida. Seu foco obsessivo era esse.
As pessoas precisam ler Darcy.
Darcy é preciso.
As instituições podem ainda se servir da genialidade de idéias e a linguística desse homem que se perde se alguém não levantar esse bastão para tentar melhorar nossa utopia de viver com causas que dê razão para continuar a viver. E não apenas vaidade, demagogia e manipulação cínica das pessoas sem formação da grandeza da civilização brasileira.
A cena atual da politica parece mais uma cena de delegacia de polícia do que de um pensar para resolver com imaginação criativa os problemas das pessoas.
Tudo virou pó entre gangues em torno de interesses e dinheiro.
Pobre país sem Darcy.
Sem Brizola.
Diante do imperativo da força do povo, Getulio ofereceu sua vida em holocausto. Darcy e Brizola ofereceram a apoteose, ou seja, a sua história feita em direção ao olimpo dos titãs desafiando os "deuses" do poder.

Professor Michiles- PDT DF


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