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Artigo: O inimigo íntimo de Jango

30 de novembro de 2009

O INIMIGO ÍNTIMO DE JANGO

 

 

Pergunte ao seu inimigo o que ele diria sobre a sua vida. Certamente ele falaria sobre os piores aspectos possíveis para macular sua imagem. A imprensa noticiou recentemente sobre a intimidade de um presidente da República devassada por seus algozes, a mando dos líderes dos regimes autoritários latino-americanos. Os documentos do SNI e serviço secreto uruguaio, trazidos a público, comprovam um fato que há anos o Instituto Presidente João Goulart vem investigando, justamente para resgatar a biografia e trajetória política daquele que representou a queda da democracia no Brasil em 1964.

Os passos da família Goulart eram monitorados 24 horas por dia, não em razão da desenvoltura empresarial de Jango, mas sim de sua atuação política, pois o retorno do presidente derrocado ao Brasil representaria um futuro projeto exitoso de candidatura à presidência da república, com o apoio tanto da direita como das esquerdas. Prova disso foi a formação da frente ampla em 1966 no exílio uruguaio, que tinha o apoio de Carlos Lacerda (UDN) e Juscelino Kubitchek (PSD), todos cassados pelo regime militar e buscando uma alternativa democrática.

O verdadeiro fato político importante, entre tantas mesquinharias descritas nos relatórios dos arapongas, é o de que a reabertura segura, lenta e gradual para o retorno da democracia brasileira, articulada pelo General Golbery do Couto e Silva, não contava com a presença ativa de João Goulart no cenário nacional, e vale recordar: Jango morreu com 57 anos de idade e com um projeto político em andamento. O “império” devassado do presidente não foram os seus bens patrimoniais e suas transações comerciais, pois o presidente já era muito rico antes de ingressar na política. O que realmente foi destruído pela sua oposição golpista foi o projeto de nação que o gaúcho João Goulart visava com as reformas de base, jamais vistas na prática em toda a história do nosso país.

 

Todas estas novas informações agora compartilhadas com a sociedade gaúcha, algumas verdadeiras, outras não, só têm sentido se servirem para uma profunda reflexão política. O destino injusto e até mesmo trágico de Jango, que inclui a hipótese de assassinato, está diretamente ligado com a história de um cidadão honesto, empreendedor, com um nítido propósito de reformar as velhas estruturas políticas, sociais e econômicas da nação, amparadas pelas oligarquias. Quais poderosos interesses econômicos, nacionais e internacionais, seriam contrariados com os severos ajustes da máquina Estatal proposto por João Goulart? A Lei de remessa de lucros poderia responder a esta indagação.

Jango só retornou ao Brasil sem vida, e sequer teve tempo para poder se defender de tantas calúnias a ele atribuídas. Mas a sociedade gaúcha pode começar a fazer justiça com a memória deste estadista deposto, na interpretação do saudoso Darcy Ribeiro, “muito mais em virtude de seus acertos do que seus erros.”

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango

     

       

 

postado por Christopher Goulart às 10:46

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