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O Rinoceronte e o sentido da política

14 de outubro de 2009

                            

Artigo publicado em A TARDE

Salvador, BA, em 14 de outubro de 2009

 

 

Na década de 50, o dramaturgo romeno/francês Eugène Ionesco escreveu uma peça de teatro O Rinoceronte, cuja inspiração inicial foi a indiferença da sociedade alemã durante a ascensão nazista.

Assim, no teatro do Absurdo, cada uma das pessoas, após sentir um frenesi quando se deparava com um rinoceronte em cena, tornava-se, ela também, uma besta. Em franca alusão ao que aconteceu na Europa, o dramaturgo faz sua crítica afiada aos que  cegavam ou se deixavam impermeáveis a qualquer crítica diante do crescente regime nazista .

A emoção de alguém ao encontrar uma “besta”, ocupa o lugar da consciência  e responsabilidade diante da realidade.

Como os textos são tantos quantos forem os seus leitores, relendo hoje a peça de Ionesco, foi-me impossível não trazê-la para o nosso tempo.Temos visto com freqüência uma crítica severa aos homens e mulheres em  exercício do poder público. Diante das mazelas, da corrupção, das falcatruas existentes, assistimos freqüentemente, não sem motivos,  discursos inconformados com  a falta de ética de uns e a impunidade de outros, virando todos “farinha do mesmo saco”, residindo, justo aí, nossa transformação em rinocerontes. Esquerda e direita passam a ser a mesma coisa e tanto faz se um deputado de um ou outro Partido venha a ocupar os cargos que deliberam sobre as nossas vidas. A idéia que reina é a de que “são todos iguais”. Em vez de construirmos uma política que viabilize a vida da coletividade, tornando-a ética, passamos ao lamento e à desilusão política, terreno perigoso e bastante interessante para os que se beneficiam da impunidade da “terra sem lei”.

Se perdemos nosso discernimento e não conseguimos distinguir o verde do vermelho, a água do óleo, a esquerda da direita, adquirimos a  rinoceroncite, cujo vírus mutante nos trará novas roupagens sociais, nos retirando, talvez, a tão propalada responsabilidade cidadã.  

A política é a esfera onde a sociedade humana toma forma e ganha existência enquanto tal.. Deve estar embebida, pois, dos desejos e necessidades de todos e, sobretudo, norteada pelo sentido maior do bem comum.

 

 

 

 


postado por Maísa Paranhos. às 10:00

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