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Jango, causa mortis?

09 de julho de 2009

Jornal ATARDE , 9/7/2009, Salvador, BA                                               

                                                                                                                                           

                                             

Quando o corpo já sem vida do ex-presidente  João Goulart chegou ao Brasil, estávamos em plena ditadura Era dezembro de 1976. A família de Jango teve muitas dificuldades em poder  transladá-lo através da rodovia que ligava a Argentina e o Brasil, até São Borja, cidade gaúcha onde nascera o ex-presidente. Mesmo com tantas dificuldades, seu corpo vindo da cidade argentina de Mercedes, próximo á fazenda aonde falecera, era homenageado pela população que acompanhava o cortejo ao longo das estradas, acenando com lenços, o último adeus ao presidente que havia defendido os interesses populares e nacionais e, por eles fora exilado.

Na época, tanto a Argentina quanto o Brasil, viviam sob fortes ditaduras, regimes que todos sabemos, entre outras coisas, proibia o direito à reunião, à livre comunicação, à livre imprensa. O que não sabíamos é que o ex- presidente da República, João Goulart, poderia ter sido assassinado. A autópsia requerida em seu corpo  não foi permitida em nenhum dos dois Países. Por quê? No regime do arbítrio, não cabia tal pergunta. Hoje vivemos num Estado Democrático de Direito o que nos faz pressupor que questões pendentes  da ditadura militar venham à tona, uma vez que à época não podiam sequer ser mencionadas.

Os Goulart, fortemente amparados por farta documentação, abriram processo investigatório sobre as condições não devidamente esclarecidas a respeito da  morte do ex-presidente, sob suspeita de envenenamento. Esta suspeita não é sem motivo. Em janeiro de 2008, o ex-agente policial que trabalhava para a ditadura uruguaia, e que hoje encontra-se preso no RS, em Charqueadas, num presídio de segurança máxima, declarou, e isso está  documentado, que ele espionava o tempo todo o presidente e sua família, e que Jango fora envenenado. Os documentos de posse da família convergem para  a confirmação da revelação do ex-agente policial uruguaio, Mário Neira Barreiro, não podendo serem subestimadas as suas declarações.

Diante de tais evidências, tudo levaria ao encaminhamento para a apuração dos fatos pela Justiça brasileira. Não é o que vem acontecendo. O processo encontra-se barrado sem justificativa legal. Recentemente, no lançamento do filme Jango em Três Atos no Uruguai, produzido pela TV Senado, a família Goulart deu uma coletiva para a imprensa onde relata o pouquíssimo apoio oficial que vem obtendo  no próprio país do ex-presidente, sendo um direito do povo brasileiro ver esclarecida a verdade sobre a morte de Jango.

A viúva e os filhos do ex-presidente terão que apelar para Tribunais Internacionais, caso no Brasil a Justiça continue ignorando os seus direitos e os dos  cidadãos brasileiros.  Permitir que o processo investigatório sobre a morte de Jango não seja devidamente encaminhado, é não compreender que para a  garantia da ordem democrática faz-se necessário valer as suas instituições. É, pois, através de suas ações que essas instituições se revelam.


 

postado por Maísa Paranhos. às 10:54

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