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Memória de Jango

03 de junho de 2009

 

  

Artigo publicado no Jornal A TARDE em 23/01/2009

                                                                 

Neste ano que se inicia completaremos 45 anos da deposição do Presidente João Goulart e da instalação da Ditadura Militar em nosso país.

Quando a União concede anistia ao Presidente João Goulart, está reconhecendo um dano cometido pelo Regime Militar, porém claro está que nenhuma anistia restituirá nossas perdas.

O Presidente João Goulart foi o único Presidente brasileiro morto no exílio. Provas existem de seu assassinato. Assim, a anistia que lhe foi concedida, não trará de volta o Presidente que congregou em seus Ministérios a mais fina flor do pensamento nacionalista brasileiro. Foi no Governo de Jango que o debate político se deu de forma aberta, declarada.

Jango foi herdeiro de Vargas, sim, mas também foi herdeiro das dívidas do Governo JK e das "forças ocultas" que fizeram Jânio Quadros renunciar. E foi Jango, com essa herança, que enfrentou a hostilidade militar e as forças conservadoras quando assumiu um Parlamentarismo arranjado de última hora.

No retorno ao Presidencialismo, numa conjuntura de pressões externas e de um movimento sindical-grevista atuante, tentou estabelecer um projeto de nação que permitisse um desenvolvimento econômico, de cunho nacionalista, acompanhado de melhorias reais no nível de vida da população.

João Goulart ao lutar pelas  Reformas de Base, defendia mudanças estruturais no País que iam de encontro a interesses de grupos espoliadores de nossas riquezas, porém não podia ceder a uma demanda radicalizada se o Brasil não apresentava uma economia firmada e autônoma.

O que chamam de ambigüidade de Jango deve ser visto como senso político, visão estratégica. Como Estadista, não poderia lançar o País numa empreitada para a qual  não estávamos preparados: um governo revolucionário. Daí a mágoa de uma parte da esquerda.

É  de fundamental importância para a Memória Nacional, que saibamos porque João Goulart foi deposto,

quais as suas propostas, quais as suas realizações, quem realmente o temia, de quem ele defendia os direitos. Enfim, porque Jango incomodou tanto e continua incomodando até hoje.

Desta forma, compete ao Estado e à sociedade uma mobilização em torno dos 45 anos da deposição de João Goulart.

O Congresso Nacional e a Câmara Federal deverão se sensibilizar e encaminhar o que é de direito de uma nação: a garantia de sua Memória.

A História  tenta tornar visível o que na Memória é esquecido, estabelecendo aí uma busca. Nela, as ausências são também sintomáticas. É dever do Estado estar aí presente. Um projeto nacional que contribua em trazer o Presidente João Goulart para o seu devido lugar na História, com certeza minimizará nossa persistente amnésia.

1808 foi legitimamente lembrado. Por quê não, 1964?

 

postado por Maísa Paranhos. às 14:46

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