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Parabens ao reformista.

26 de maio de 2009

 

 

   

Parabéns ao reformista que se foi.

A data de 01 de março teve a marca de um aniversariante ilustre de nosso país, já falecido, que prestou serviços extremamente relevantes à pátria brasileira e que deve ser sempre lembrado como o maior exemplo de reformista em nossa história republicana. Foi o dia de celebrar os 90 anos do presidente Jango e contextualizar seu projeto político de emancipação e autodeterminação nacional calcado em preceitos de soberania, independência, dignidade e principalmente na maior amplitude da concepção de patriotismo, abandonado já ha muitas décadas da consciência popular do país.

Todos os anos, desde o dia em que o saudoso Vereador de Porto Alegre Isaac Ainhorn idealizou a construção do pequeno busto localizado próximo à usina do Gasômetro na capital gaúcha, cidadãos prestam ali suas homenagens ao presidente derrocado inconstitucionalmente pelo golpe de 1964 e condenado a morrer na solidão do exílio. Dessa forma, no domingo às 10:30 h, realizou-se o ato de reverência a um líder injustiçado pela ira das elites-oligarcas nacionais e internacionais, que jamais aceitaram quebrar a mentalidade subserviente e até mesmo colonial que impera no Brasil, tornando um verdadeiro continente com todas as potencialidades e recursos imagináveis a mercê de interesses alheios ao verdadeiro desenvolvimento.

Parece até que é “normal” que em nosso país exista a pior concentração de renda do mundo, parece até “normal” que a miséria, violência, desemprego, analfabetismo, caos na saúde e desamparo absoluto à população brasileira dos mais elementares direitos constitucionais fazem parte de um quotidiano irremediável que todos temos que observar sem nada fazer para alterar essa triste e lamentável realidade. Pois definitivamente essa realidade não é e nem pode ser normal! Não podemos simplesmente aceitar como “normal” uma criança drogada ao meio dia numa sinaleira da vida, realizando malabarismos com calotas velhas de automóveis luxuosos, pedindo esmola para ter algo para comer, enquanto nos escondemos por trás dos vidros de ar condicionado.

Prefiro ficar com a lição de Darcy Ribeiro, antropólogo indigenista que foi chefe da casa civil de João Goulart, igualmente corrido do Brasil pela Ditadura Militar, que ensinava às gerações: “Só existem duas alternativas; a resignação ou a indignação”.  Prefiro ficar com a segunda alternativa do mestre. Não podemos simplesmente aceitar que uma potência continental como o Brasil seja relegado ao plano de proletariado externo do mercado internacional, sendo permanentemente espoliado e impedido de crescer com um mercado interno fortalecido e com uma política externa independente, ficando eternamente subservientes aos países ricos do planeta e queimando trabalho de nossa valorosa população.

Por tudo isso é importante relembrar o projeto de governo de Jango, através das reformas de base, que buscava alterar as estruturas políticas, sociais e econômicas já viciadas talvez desde os tempos em que Deodoro da Fonseca instalou a república em 1889 já com seqüelas profundas da monarquia. Ao comprometer-se em praça pública no dia 13 de março de 1964 na cidade do Rio de Janeiro com estas reformas profundas, o aniversariante João Goulart fez um pacto com as novas gerações brasileiras: que é possível sim reverter as injustiças dilacerantes que nosso povo sente na pele diariamente e tornar o Brasil um país de primeiro mundo.                    

 

 

 

Christopher Goulart

Advogado, neto de Jango.

        

postado por Christopher Goulart às 16:14

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