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'É hora de ir ao Obama para saber de Jango'. Entrevista.

08 de setembro de 2013
'É hora de ir ao Obama para saber de Jango'
João Vicente Goulart quer do Brasil um gesto de Estado para elucidar a morte do pai
07 de setembro de 2013
O Estado de S.Paulo

Foto Wilton Júnior/Estadão

É esperado para os próximos dias o anúncio da data de exumação do presidente João Goulart (1919-1976), deposto pelo golpe de 1964. No governo Dilma, fala-se em receber os restos mortais em Brasília, com honras devidas a um chefe de Estado. Trata-se de elucidar as causas de sua morte em dezembro de 1976, em uma de suas fazendas, na Argentina. Jango voltou ao País no caixão, foi recebido pelo povo de São Borja (RS), sua terra natal, sem ter passado por autópsia. Desde 1980 circulam rumores de ter sido envenenado, fato mais tarde confirmado por um ex-agente.
Nesta entrevista exclusiva, João Vicente Goulart, 56 anos, seu filho mais velho e porta-voz da família na longa busca pela verdade, relembra fatos e personagens que situam a morte de Jango no cenário de assassinatos seletivos da Operação Condor - com apoio logístico e técnico de agentes americanos. Acha que a exumação não resolve tudo e que será preciso cumprir o que já foi determinado ao Ministério Público: oitivas e desclassificação de documentos. "Hoje o Brasil deveria tomar uma posição de Estado, indo ao presidente Obama solicitar toda a documentação relativa a seu ex-presidente, confinada em arquivos americanos", diz, há exatos 52 anos da data em que seu pai assumiu, após a renúncia de Jânio.
Quando a família Goulart passa a questionar a crise cardíaca como razão da sua morte?
Notícias de um assassinato no âmbito da Operação Condor surgem a partir de 1980, no Uruguai. De gente como Enrique Foch Díaz, autor do livro El Crímen Perfecto.

Ele era amigo do Jango, não?

Vendeu terras para o pai, mas era ligado ao serviço secreto. Jango tinha poucos interlocutores com o regime, então preservava esse canal. Foch Díaz era um velho piloto da Força Aérea uruguaia, tinha contato com os militares. Já meu pai era um homem político, sabia conversar com diferentes setores e usar certos canais quando necessário. Pessoalmente, sempre desconfiei do Foch Díaz. Pouco antes de prenderem o Ruben Rivero, que era nosso piloto e viria a morrer depois, de forma bem estranha, meu pai perguntou "olha, Rivero, tu tens alguma coisa a ver com os tupamaros? Se tens, me conta porque estão me pressionando...". Daí o Foch Díaz aparece naquela situação, dizendo "deixa comigo, presidente, vou apresentá-lo em Boiso Lanza", que é um quartel da Aeronáutica. E lá pegaram o Rivero. No livro, Foch Díaz fala em envenenamento, no contexto de um complô comercial contra Jango.

E a comissão externa da Câmara, que investigou a morte de seu pai? Que peso teve nessa reviravolta dos fatos?
O artífice dela foi Brizola. Ele pediu ao Miro Teixeira (PDT-RJ) para abrir a comissão. Sua convicção vinha do fato de ter sido vítima de um envenenamento no Uruguai. Passou mal, foi bater no hospital, onde lhe fizeram a lavagem que o salvou. A comissão levantou depoimentos bem importantes, como o do Miguel Arraes e o do Neiva Moreira, que chegou a receber de um agente argelino a lista de nomes dos que cairiam na Operação Condor. Em 2004, quando o Instituto João Goulart iniciou a produção de um filme, fui atrás do jornalista uruguaio Roger Rodriguez, do La Republica, que entrevistara o ex-agente Mario Neira Barreiro, em 2002.

Barreiro revelou a ele que monitorava Jango.E por que a comissão não o ouviu?
Porque quando nós fomos atrás de Barreiro, em 2005, a comissão tinha sido encerrada. Tomamos um longo depoimento dele, eu inicialmente disfarçado de jornalista da TV Senado. Barreiro dizia que "João Vicente não está nem aí para nada, o negócio dele é criar gado no Maranhão...". Quando é informado de que sou eu quem está lá, e me reconhece, começa a falar muito, por horas. Usamos só um trecho no filme "Jango em Três Atos".

Como avalia esse personagem?

Não tenho dúvida de que nos monitorava. A batida de um carro que eu dirigia em Montevidéu, sem boletim de ocorrência, sabia em detalhes. O telefone da fazenda repetia de cor. Agora, sobre a morte de Jango, tem que investigar. Concluímos que era obrigação da família, de posse daquele testemunho, levar um pedido ao então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza: trata-se de esclarecer a morte de um presidente no exílio, derrubado por um golpe em que o Congresso decreta vaga a Presidência da República, estando o presidente ainda em território nacional.

Barreiro está preso no Rio Grande do Sul, por outros crimes. Viu-o depois daquele encontro?
Não. Ele conseguiu passar um e-mail cifrado para mim, via terceiros, dizendo que estava sob risco de morte. Liguei para o então ministro Tarso Genro, da Justiça, contei o caso e parece que lhe deram proteção. Não o vi mais. Voltando à batalha da nossa família: aquele procurador-geral mandou o caso para o MP gaúcho, onde seria arquivado. E só não foi pelo despacho da procuradora-geral dos Direitos da Pessoa Humana, dra. Gilda Carvalho. Ela não só derrubou o arquivamento, como cobrou oitivas dentro e fora do País e acesso a documentos. O Estado tem o dever de investigar até por se tratar da memória de um presidente, portanto, um patrimônio cultural e imaterial da Nação.

E a exumação?

É só um dos meios para investigar. E talvez nem leve a uma conclusão. Já foram chamados peritos argentinos, uruguaios e nós queremos a inclusão de cubanos, por serem altamente capacitados nesse tipo de análise. Laboratórios de fora também participam. Autorizamos tudo, mas cobramos as oitivas dos americanos envolvidos na operação. E a desclassificação de documentos. Assim como apareceu recentemente um documento do Kissinger, confirmando a existência de um processo de eliminação de pessoas no Cone Sul, outros surgirão. Até começo a achar que pode ter alguma coisa nessa exumação, tamanha tem sido a dificuldade de investigar.

Quando seu pai morreu você e sua irmã estavam fora do País?

Sim, em Londres, mas viemos para o enterro. Eu estava lá há mais tempo. Me casei aos 19 anos e fui para estudar agronomia. Depois o pai mandou a Denise, minha irmã, porque as coisas andavam difíceis por aqui - mataram dois amigos dele, Zelmar Michelini e o Gutiérrez Ruíz (senador e deputado uruguaios, respectivamente, exilados na Argentina), um comando entrou no escritório dele, a situação se complicava no Uruguai, na Argentina, já era dura no Brasil, o cerco fechou. Mas documentos provam que Jango queria, então, voltar ao Brasil. Ele já estava fora do País havia 12 anos, quando fora cassado por dez, no entanto (o general) Sylvio Frota dizia que se ele regressasse seria preso imediatamente.
E há relatos dizendo o contrário, que Jango não queria voltar, mas, sim, montar casa fora, provavelmente em Paris.
Ele jogava politicamente. Queria estar em Paris para se reunir com os exilados, tanto que foi ter com Arraes na Suíça. Era presidente, sonhava voltar com todos eles. Disse que retornaria ao Brasil até para ser preso e ver no que dava. Também aproveitaria a onda do Carter, que passou a pressionar ditaduras sul-americanas. Os EUA já pensavam no projeto de globalização, algo que não poderia ser feito com ditaduras, mas governos civis e democráticos, desde que sem nacionalistas no meio. Até o Ted Kennedy anunciou que viria ao encontro do pai, pousando lá na fazenda. Depois, cancelou. E Jango iria aos EUA até para provar que não devia nada a ninguém.

Havia processos contra ele no Brasil?

Sim, muitos. Ele se defendeu em todos. Ao contrário do Brizola, que deixava para lá. Num deles, que corria na cidade de Rondonópolis (MT), onde tinha fazenda de gado, ao não conseguir citá-lo pelas vias normais, o juiz o citou por edital. Jango iria aproveitar isso para entrar no Brasil, afinal, estava sendo chamado pela Justiça. A ditadura ficou em polvorosa...

E a saúde? Tinha emagrecido com uma dieta radical ou estava acima do peso, comendo de forma inadequada?
Era cardíaco. Sofreu um enfarte em 1969, no Uruguai, e se cuidava em Lyon, com o professor Fremont. Fez regime, tomava remédios regularmente, se sentia mais leve. Agora, pergunto: porque era cardíaco não poderia sofrer um atentado? No dia da morte, estava bem. Sobre isso falei com Julio, capataz da fazenda, último a estar com ele. O pai tinha um leilão de gado no dia seguinte. Saiu pelo campo para ver os novilhos, separá-los em lotes. Mais tarde, quando a mãe (Maria Tereza Goulart) foi dormir, ele fez um mate e ficou conversando com o Julio até uma da manhã. Combinaram de sair cedo no dia seguinte. Jango tomou remédios e foi para a cama. Passaram-se 15 minutos. Minha mãe percebeu um ronco forte. Ele pegou o travesseiro, abraçou-o com força e afrouxou em seguida. Já não respirava.

Barreiro explicou, didaticamente, como o veneno teria sido misturado ao remédio: troca-se só uma cápsula do frasco, ficando as demais intactas. Esses frascos ficavam onde? Com Jango? No Hotel Liberty, em Buenos Aires?

Ficavam no Liberty quando chegavam da França. Tinha uma pessoa em Paris que se encarregava de comprá-los. E despachava para o hotel, porque ficamos um tempo vivendo lá até comprar apartamento em Buenos Aires. Era um ponto de encontro de Jango com os amigos. Diz Barreiro que a troca foi feita no Liberty. Meu pai pegava os frascos e os distribuía - deixava uns em Buenos Aires, outros em Montevidéu, outros nas fazendas, outros com ele... Enfim, haveria um araponga infiltrado no hotel.

E o Agente B, de que se fala no filme Dossiê Jango?

Essa figura misteriosa chegou a tirar coisas das gavetas do quarto de meu pai, depois informando ao SNI: "Ontem, clandestinamente, estive na casa do presidente João Goulart e subtraí: carta de Juan D. Perón, carta de Ulysses Guimarães...". Relacionava documentos pessoais, documentos de terras, itens roubados do nosso apartamento no Uruguai. Também tem a ver com o Agente B o envio ao SNI das fotos do último aniversário de Jango. Ou era alguém próximo, já que os convidados posam para a câmera, ou as imagens foram desviadas na fase da revelação. Os presentes foram todos enumerados e identificados para o SNI.

Na representação ao MP, a família pede o testemunho dos estrangeiros ligados à Operação Condor.

Antes que morram todos! Em 1992, o bioquímico chileno Eugenio Berríos, da Dina (polícia política de Pinochet), morreu com duas balas no crânio: uma do exército uruguaio, outra do exército chileno. Era o homem do Projeto Andrea (que produziu venenos e até gás sarin para eliminar opositores de Pinochet). Frederick Latrash está vivo. Foi chefe da CIA em Montevidéu. Eu o denunciei porque, como não se soubesse o paradeiro dele, descobri que era assessor do Senado americano e até fez a campanha do McCain. É um homem de Estado. Quando conversamos com o Peter Kornbluh (autor do livro The Pinochet´s File), ele mesmo diz isso. Michel Townley está nos EUA. Começou como agente da CIA no Chile, foi para a Bolívia, mudou-se para o Uruguai e terminou no Brasil, na abertura. Passou por todos os golpes, é uma fonte fundamental.

E a participação do delegado Sérgio Fleury, do Dops-SP, nos fatos?

Queremos ir atrás disso. Ele andava no Uruguai desde 1972, período em que o movimento tupamaro crescia. Era uma guerrilha urbana, num país pequeno. Não resta dúvida de que foi chamado para ensinar como eliminar por tortura. Fleury tinha conhecido aqui o Dan Mitrione (agente americano que atuara no Brasil, depois no Uruguai, sendo morto por tupamaros), então tudo se conecta. Veja o caso de Cecília Herber, esposa de um senador uruguaio. Em 1978, chegam caixas de vinho para três líderes do Partido Nacional, um deles, o senador Herber. Cecília foi a primeira a provar de uma garrafa. Caiu fulminada. O suspeito é Carlos Miles, químico que, em agosto de 1976, meses antes de meu pai morrer, reunia-se na chefatura de polícia de Montevidéu com Latrash e o Fleury.

O establishment brasileiro ainda teme João Goulart?

Os 50 anos do golpe (1964-2014) vão trazer uma reflexão que já começou na academia, porém o medo é que chegue ao povo. O que se ensina de Jango nas escolas? Nada. Fala-se em reforma do Estado. O que é isso? Reforma agrária, tributária, urbana, educacional, as mesmas que ele propôs há 50 anos e não andaram. Quando fez o Plano de Diretrizes Orçamentárias dedicava 12% dos recursos para educação - hoje não temos 3%. Jango comunista? Onde já se viu comunista com tanta terra? Ou distribuindo terra com título de propriedade? Se fazia um governo fraco, por que não se esperou a eleição que estava prestes a acontecer? Um dia um jornalista indagou: "Presidente, o senhor não acha que o País ainda não estava preparado para as reformas?" Ele respondeu: "Não acho. Senão não estaria aqui, no exílio".
postado por Joao Vicente Goulart às 11:40

GLOBO NÂO EXPLICA O ERRO

06 de setembro de 2013
GLOBO NÃO EXPLICA O ERRO.
publicada em 03 de setembro de 2013
CARTA ABERTA AOS EDITORES DE “O GLOBO”.
GLOBO NÃO EXPLICA O ERRO.
(SEQUER 50 ANOS DEPOIS). (pedimos a divulgação)

INSTITUTO JOÃO GOULART.

João Vicente Goulart
Trajano Ribeiro
Daniel Cunha

Existe uma contenção natural no ato de criticar alguém que mesmo hipoteticamente está reconhecendo um erro. O jornal O GLOBO no editorial do dia 01 de setembro de 2013 abre a semana que antecede a comemoração do dia da independência admitindo que cometeu um erro ao apoiar o golpe militar de 1964 sem, contudo proceder com isenção e explicar ao país de que modo errou e atentou contra a soberania nacional.

Se for um pedido de desculpas à nação, carece de sinceridade e humildade inerentes àqueles que de fato reconhecem que erraram. O reconhecimento de um erro por qualquer pessoa é um fato louvável quando possui conteúdo. Dá para recriar alguns chavões típicos das manifestações: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” e por aí vai. Grande parte ou a maioria de nós recusaria tal ato de penitência pobre em substância.

As Organizações Globo continuam a ignorar o que a desclassificação de documentos pelo Departamento de Estado Norte Americano está revelando acerca da amplitude do patrocínio externo na ruptura da ordem constitucional e interna brasileira. Os documentos desclassificados demonstram que o presidente Kennedy tinha pleno conhecimento de que o comunismo no Brasil era inexpressivo, mas que a bandeira de combate ao comunismo seria usada para atacar os nacionalistas e derrubar o governo Jango.

O editorial do jeito que foi construído é antes de nada uma tentativa de justificar o erro para resgate de imagem comercial do que uma tentativa honesta de dar credibilidade aos compromissos inerentes à profissão dos jornalistas de levar informação em vez de propaganda ao público.

Justificar o erro apontando o dedo para outros meios de comunicação dizendo que eles também erraram agrava a postura adotada pelo O GLOBO, pois revela a falta de compromisso com seu ato de penitência e cria uma espécie de abaixo-assinado pró- golpe sem consulta aos demais jornais citados, a saber: “O Estado de São Paulo”, “Folha de São Paulo”, Jornal do Brasil” e Correio da Manhã”.
Esta é uma das desinformações contidas no editorial. O que será que os outros jornais têm a dizer sobre isso? Pode-se duvidar até da boa fé do editorial quando as Organizações Globo omitem diversos fatos hoje notórios: que o citado cabo Anselmo era agente da CIA, que as manifestações populares citadas foram organizadas por um capelão norte americano, o Padre Peyton, que foram produzidos 200 filmes de propaganda pró-golpe militar entre 1962 e 1964 com financiamento da CIA, que quase duzentos parlamentares tiveram sua eleição financiada pela CIA em 1962, que a quarta frota americana estava na costa brasileira e outras inúmeras omissões contidas no cerne do artigo.

O Instituto Presidente João Goulart vai entregar a Comissão Nacional da Verdade a cópia integral da CPI do IBAD de 1963 presidida pelo falecido Deputado Ulisses Guimarães. Por força do conteúdo dos documentos liberados pelo Congresso Nacional, estima-se que 85% (oitenta e cinco) da imprensa estava comprometida com a propaganda pró-golpe financiada pela agência norte americana (CIA).
A desinformação fica mais evidente com a ausência de explicações sobre o erro, uma vez que o editorial é uma defesa da postura adotada pelo jornal o GLOBO!
Pergunta-se porque foi errado apoiar o golpe? Onde está o erro?
Da leitura do editorial, as Organizações Globo justificam a adesão ao golpe por conta de sua adesão na divisão ideológica: “No Brasil, ela (a Guerra Fria) era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo.”
O governo de João Goulart tinha uma agenda de modernização do país. Jango reuniu um ministério de notáveis e as justificativas do editorial distorcem a dinâmica da História, uma vez que a decisão norte americana de derrubar o governo Jango mediante o golpe foi tomada pela Casa Branca em janeiro de 1962, um ano antes do plebiscito de 1963.

O fato é que se pode constatar que as manifestações de rua tiraram as Organizações Globo da zona de conforto em defesa do “status quo” criado pelo golpe militar. A própria Rede Globo ao divulgar o conteúdo das entrevistas do ex-agente norte americano Snowden mostra a verdadeira face da potência hegemônica que atualmente justifica a espionagem com base na prevenção do terrorismo, quando na verdade busca vantagens comerciais.

As Organizações Globo ao admitirem um erro precisam entender qual foi este erro. Um exemplo da necessidade de reflexão é perceber que o Brasil por conta do golpe militar de 1961 e dos poderes conferidos ao primeiro ministro do parlamentarismo, perdeu um acordo de cooperação econômica assinado em Pequim. Acordo que os Estados Unidos reeditou dez anos depois e que cujo volume assombroso explica e dimensiona parte das perdas resultantes da ditadura militar sob a batuta norte americana! Perdemos o privilégio de fornecer produtos para um mercado de 800 milhões de consumidores. Talvez o maior contrato comercial da História humana até Nixon visitar a China, até hoje a nação mais favorecida no comércio bilateral com os Estados Unidos. Este fato, por si, lança luz sobre o desprezo contido nas correspondências diplomáticas chinesas acerca do Brasil, repercutindo a opinião de De Gaulle sobre o país após o golpe militar: Este país não é sério!
A verdade é que, historicamente, o presidente João Goulart propôs uma agenda nacional e uma reforma capitalista. O governo brasileiro foi impedido de transformar o Brasil na 4ª. Potência mundial e o papel do Estadista João Goulart deverá ser reconhecido, pois o mesmo evitou o principal objetivo estratégico norte americano em 01 de abril de 1964, uma guerra civil e sangrenta que dividiria este país continental que possui a vocação para liderar a América Latina e estabelecer profundos laços com o continente africano. O editorial divulgado pelas Organizações Globo carece de humildade para explicar o ERRO. Sem dúvida apoiar o golpe foi um ERRO, mas continua errando ao tentar justificar tal apoio promovendo a desinformação.

As Organizações Globo precisam entender que a máxima do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels de que “Uma mentira repetida mil vezes se torna verdade!” perde força neste novo milênio. A Era da Informação está despindo o esquema profetizado pelo autor de 1984, George Orwell, onde A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa!"

O pior é que passaram quase 50 anos e o editorial não tem uma sugestão séria de arrependimento. Este golpe militar patrocinado pelos Estados Unidos e apoiado pelas Organizações Globo cassou as medalhas ganhas em combate por um herói legalista da 2ª. guerra e treinou milhares de torturadores com o apoio de agentes da CIA. Para aqueles que como Simon Wiesenthal se perguntam até onde vai os "limites do perdão" é duro não se precaver como fez o caçador de nazistas, e não desconfiar destes gigantes corporativos da mídia que à beira da morte, agonizam diante do poder da internet.

E agora, José?

A nossa sociedade evoluiu e espera de nós atitudes coerentes com nossa história, com nossas posturas políticas, com a inflexibilidade de caráter que levou Jango a colocar o Brasil na frente de seus interesses pessoais, levando-o ao exílio e a sacrifícios pessoais que a saudade da pátria lhe impunha na vida do desterro, na morte ainda suspeita, mas acima de tudo na unidade do povo brasileiro.

Não somos os mesmos, nem a Globo é. Mas está na hora da reconciliação com a história e diante desta súbita manifestação de reconhecimento do erro histórico, esperamos nos novos editoriais desse jornal uma postura mais digna e respeitosa para com aqueles que lutaram pela liberdade, pela legalidade, pela democracia e tombaram no caminho da luta contra a ditadura.

O país é outro e deve avançar com a reforma do Estado brasileiro, nos trilhos democráticos e de conquistas sociais que há 50 anos esperamos e não mais podemos esconder.
Instituto Presidente João Goulart.
postado por Joao Vicente Goulart às 16:06

A viagem de nossa presidenta aos EUA não tem mais sentido neste momento.

06 de setembro de 2013
A viagem de nossa presidenta aos EUA não tem mais sentido neste momento.
publicada em 02 de setembro de 2013
A viagem de nossa presidenta aos EUA não tem mais sentido neste momento.
Nossa nação foi violada em sua soberania!
Foi vilipendiada no âmago de sua liberdade, foi ultrajada na sua independência e pior, foi tratada como uma republiqueta de bananas.
Não bastasse a viagem do secretario John Kerry ao Brasil, que cinicamente já alertava que era “práxis” do império este tipo de conduta e que a bisbilhotagem também fazia parte da espionagem corriqueira dos órgãos de inteligência e informação daquele país que costuma fazer clandestinamente estas escutas “antiterroristas”em países soberanos, ela iria continuar.

Tal qual, iria continuar.

Hoje surpreendentemente esta espionagem entra no gabinete de nossa autoridade máxima, a nossa Presidenta Dilma Rousseff e ainda nos dos seus assessores diretos, ministros, colaboradores e até secretários dos assessores e ministros sem nenhuma parcimônia em uma clara violação do direito internacional de soberania dos países, entrando em nossa casa, no coração do centro de poder de nossa Nação; o gabinete presidencial de onde são ordenadas as estratégias políticas, militares e a funcionabilidade de nosso Brasil.
Será que no desfile do dia 7 de setembro, na comemoração de nossa independência, estaria também o embaixador americano Thomas Shannon entre os convidados para honrar a nossa bandeira brasileira? Não será este o Lincoln Gordon de ontem?

Será que temos que mostrar aos EUA nossa submissão e ainda fazermos presentes naquele país sem que este ato de violação à nossa soberania tenha sido esclarecido e devidamente repudiado internacionalmente como intromissão nas soberanias alheias?
Será que a nossa presidenta deva ir lá pisando em cascas de bananas?
Pois não tenhamos dúvidas que a sua presença em território americano, sem um pedido formal de desculpas, sem um esclarecimento formal diante da ONU e sem uma declaração formal de renúncia destas práticas clandestinas feitas pelos EUA, esta visita será vista como submissão pelos americanos, abrindo deste modo não somente a falta de respeito á nossa Nação, como também fomentará outras incursões dos sicários americanos nas nossas reservas econômicas vinculadas a nossa soberania e direitos internacionais, como a Amazônia azul do pré-sal, nossas nações indígenas da Amazônia, nossa biodiversidade e outras riquezas do subsolo que temos que preservar.
A viagem de nossa chefa de Estado e Governo neste momento é profundamente prejudicial a tudo o que se refere a nossas pretensões internacionais de liderar países emergentes, liderar o destino da América Latina e construir nossa política externa com dignidade e independência. Não será depois desta grave violação que iremos lá discutir preço dos aviãozinhos americanos para nossa Força Aérea com o Senador Mac.Cain, convicto belicista e abrigador em seu gabinete de antigos “Chiefs of Stations”, como Frederick Latrash que derrubou varias democracias latino americanas levando à morte milhares de inocentes em nosso continente.

Faça emergir o grito de soberania neste país, Presidenta Dilma!
Cicatrizemos as veias abertas.
Cancele sua viagem de outubro, existem argumentos de sobra, principalmente o orgulho deste povo brasileiro.
João Vicente Goulart
Diretor Instituto João Goulart
postado por Joao Vicente Goulart às 16:04