Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

NOS DENTES DA TRAÍRA

20 de julho de 2016

NOS DENTES DA TRAÍRA
João Vicente Goulart





                
Nos idos anos do exílio costumava, nas férias, passar alguns dias na beira do dos rios uruguaios com colegas de colégio pescando à beira do Rio Negro ou Rio Tacuarembó, ambos piscosos e com muito fogo de chão nos acampamentos que montávamos naquelas margens solitárias.


Traíras e bagres grandes eram muito frequentados nos nossos espinhéis. Mas, as traíras, especialmente, eram vorazes e qualquer isca de animal, carne de ovelha ou gado, ou aves, pombas, perdizes, etc. eram eficazes para a sua captura, especialmente iscas com sangue quente faziam a festa daqueles peixes e da turma de rapazes pescadores. Mas tínhamos que cuidar muito os nossos dedos para retirar os anzóis da boca da traíra, pois é um animal de dentes afiadíssimos e que, qualquer descuido com esse bicho que se faz de morto, em uma mordida, pode acabar com a festa decapitando a esperança de permanecer nela.

Não sei por que, lendo hoje o Correio Braziliense, na coluna de Vicente Nunes, “BB e Caixa na mira de Temer”, me lembrei daquelas andanças e dos dentes da traíra.

O artigo é de viés econômico, sobre a baixa dos juros pelos bancos oficiais, mas com uma clara intenção de mirar a eleição de 2018, ou seja, a reeleição de Temer, sobre a qual não esconde sua empolgação, mostrando os dentes de sua infinita pretensão.

Diz o artigo que: “A vontade de pavimentar a candidatura em 2018 é tamanha que Temer já pediu aos presidentes de bancos públicos, mais precisamente aos comandantes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, que apresentem estudos para um possível movimento de baixa das taxas de juros cobradas nas operações de crédito. A ordem é agradar o grande público...”

O bicho realmente se faz de morto mas tem um apetite voraz.

No artigo, que mostra pela primeira vez a intenção de Temer, nada fala sobre a opinião dos “aliados”, principalmente do PSDB que navega nesse barco.

Como os tucanos tem um bico longo e geralmente são meio desequilibrados para tomar agua na beira dos rios, não sei por que, mas veio-me à mente a imagem desses pássaros tomando agua em um remanso , onde as traíras costumam desovar seus ovos e, famintas, não costumam perder a oportunidade dessas iguarias.


Realmente, elas têm dentes afiados e não costumam trair suas índoles, principalmente com pássaros desajeitados.

João Vicente Goulart
Diretor IPG-Instituto João Goulart

postado por Joao Vicente Goulart às 11:42

Depois do entreguismo subterrâneo do Pré-sal, só resta a terceira via.

19 de julho de 2016
Depois do entreguismo subterrâneo do Pré-sal, só resta a terceira via.
João Vicente Goulart


J
ango golpeado pelas “Reformas de Base”
                           O que vimos ontem na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas a mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.
Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.
A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.
Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.
Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem  essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional,  terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.
Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.
Temos história de sobra para isto.

O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agraria, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.
 Já é hora de lembrar isto ao povo brasileiro: nossas riquezas são nossas e não de quem tenha mais.
A democracia é a arte política da maioria de conquistar novos objetivos e não pode ser traída por interesses pessoais imaginando a eventualidade da ruptura institucional, arquitetada por manipulações subterrâneas em tribunais não representativos ou eleitos.
Já sofremos golpes contra nossas propostas, já amargamos exílio por não trair as conquistas sociais e políticas do nosso povo. Mas continuamos a almejar a libertação de nossos trabalhadores, donos reais de todas as riquezas desta terra miscigenada e brasileira.
A eleição de 2018 está próxima e nós temos história, nela temos propostas e no caminho desafios.
Falta botar a coragem na rua, “nas praças que são do povo e só ao povo pertencem”, e como disse também  Jango, alertando os falsos democratas:  
-​"Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.
Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.
A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia anti-povo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.
A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício."
Nossa proposta deve ser clara, objetiva e transformista, na legalidade constitucional, na doutrina que nos orienta do positivismo, mas além de tudo ampla e nacionalista. Vamos propor a nossa luta sem dissimulo, vamos propor a retomada e reestatização da Vale, da Embratel, Telesp, Telemar, CEEE, CSN, BEG, BEA, etc., etc. e de tantas outras privatarias que não caberiam neste artigo.
A terceira via está em curso. É o trabalhismo nacionalista. Tem cara e tem coragem, tem história e realizações suficientes para a retomada da Pátria, para a retomada da soberania, da dignidade, da educação e das oportunidades iguais para todos.
Basta de conversinhas meritocratas em um país tremendamente injusto e sem igualdade de oportunidades.
Basta de discursar pelos pobres outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes.
O bipartidarismo entre oposição e governo está no fim, está nas mãos do povo brasileiro em 2018, construir a terceira via. A terceira via é a via trabalhista e nacionalista, vamos abraçar esta luta, vamos abraçar o Brasil.
Com liberdade não ofenderemos, não temeremos e muito menos compactuaremos com os direitos de nossos trabalhadores.
 
João Vicente Goulart
Diretor do IPG- Instituto Presidente João Goulart
postado por Joao Vicente Goulart às 15:30