Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

Comitê Baiano pela Verdade

15 de junho de 2011

A verdade não é fruto passivo das relações sociais e/ou subjetivas que a compõem. A verdade é objeto de investidas humanas que se fazem presentes, muitas vezes num anonimato sem glamour, no silêncio constante e convulso daqueles de cujo sentido de vida, dela, dependem.
A busca da verdade do que ocorreu no Brasil após o Golpe Civil-Militar de 1964, de histórias ainda não contadas, de dores não reveladas, de perdas irreversíveis, de pessoas “desaparecidas”, de corpos que sofreram o suplício da tortura, reflete o quanto nossa Memória está desfalcada.
É em nome desta busca, que o Comitê Baiano pela Verdade fará público o seu lançamento no dia 15 do presente mês, no Conselho de Cultura da Bahia,  Palácio da Aclamação, às 19hs, com a presença da Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, do Governador Jacques Wagner, do Grupo Tortura Nunca Mais, e uma série de outras entidades representativas da Sociedade Civil.
Formados em diversos estados da Federação, tais comitês vem sendo constituídos para que se exerça uma pressão efetiva no Congresso Nacional no sentido de aprovar a Comissão Nacional da Verdade. Estagnado desde abril de 2010, o Projeto para a formação da Comissão, que tem por objetivo a busca da verdade e o resgate da memória nacional, não encerrará, certamente aí, as suas funções, uma vez que de posse dos levantamentos, tornar-se-á, provavelmente, fiscalizadora de seus desdobramentos.
Se é verdade que a Memória é elemento de estruturação de um povo, não é menos verdade que a justiça que dela deriva, seja menos estruturante.
Desta forma, a omissão da Justiça diante dos crimes de Lesa Humanidade cometidos pelo regime do arbítrio, certamente contribuirá, para o enfraquecimento, e não para o fortalecimento, do regime democrático.
A insistente tendência por parte de alguns setores, em tratar a função da justiça como revanchismo, induz a aceitar um crime, culturalmente tido como tal, como ação que, uma vez tornada pública, nela se encerra. A impunidade dominante permite a banalização de tais crimes, bem como sua recorrência.

postado por Maísa Paranhos. às 02:54