Blog Página 64

Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

Busca

Autores

Histórico

PDT com Sérgio Cabral: o brizolismo no fundo do poço (1)

29 de junho de 2010
PDT com Sérgio Cabral: o brizolismo no fundo do poço (1)

Pedro Porfírio

Se tiver dificuldade em ler o texto, digite www.porfiriolivre.com


Lupi age como empresário à beira da falência: a empresa sucumbe, mas ele se garante pessoalmente

"Em um desses momentos em que as traições castigavam o PDT, Brizola desabafou com Neiva Moreira, então líder da bancada na Câmara: "Qualquer dia desses, eu fecho esse partido e vou fundar um Movimento Nacional de Libertação. Os políticos nunca vão criar vergonha!"
Do livro El caudilho Leonel Brizola, de FC Leite Filho (Assessor da bancada federal do PDT)

 Vejo Brizola muito mais com espelho dos sentimentos populares do que como um líder indiscutível. Desde a resistência ao primeiro golpe em 1961, que o pôs o Rio Grande em armas e garantiu a posse de João Goulart, desde as emblemáticas nacionalizações dos trustes de energia e telefonia, ele passou a incorporar as expectativas de mudança social e afirmação da soberania nacional.
Essa referência o transformou num mito, para uns, e num estorvo, num inimigo público para as elites. Ele, mais do que ninguém, passou a ser o divisor de opiniões.
Quando veio a ordem para os militares voltarem às suas atividades constitucionais, o general Golbery do Couto e Silva, articulador do golpe de 64 através do IPES e homem forte da ditadura, tratou de barrar o passos de Brizola, de impedir que voltasse com possibilidades de assumir a Presidência, como aconteceu com outros líderes exilados, como Mário Soares, em Portugal, Papandreou na Grécia, e, mais recentemente, Nelson Mandela, que se tornou presidente da África do Sul depois de 28 anos de cárcere.
Mortes suspeitas e fabricação de Lula
Qualquer um poderia aspirar ao comando do país, menos Leonel Brizola, imaginado pelo sistema como alguém sem freios, capaz de levar seu discurso nacionalista a consequências imprevisíveis. Tratava-se, em todos os códigos do poder, de uma ameaça tão perigosa que até a sua posse na inesperada vitória para o governo do Estado do Rio, em 1982, foi objeto de uma conspiração militar, isso depois da utilização dos computadores da Proconsult para desviar seus votos.
Todo mundo sabe que Lula foi inflado no contexto dessa rejeição sistêmica. Feito sindicalista somente porque o irmão - o Frei Chico (filiado ao PCB) - se achava inseguro para ser do conselho fiscal do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, na chapa de Paulo Vidal, abençoada pela ditadura, Lula logo caiu nas graças do IADESIL, a "ONG" montada com a ajuda da CIA para fabricar, subornar e cooptar os líderes sindicais no Brasil.
Lula não teria existido se não fosse pela necessidade de se ter um projeto "novo", capaz de evitar um outro "queremismo", como o que levou Getúlio de volta à Presidência em 1950.
No período entre agosto de 1976 e maio de 1977, o sistema já havia se livrado de três grandes líderes de envergadura nacional, que se aproximaram em 1966 através de uma frente ampla: JK foi "acidentado" em 22 de agosto de 1976, já aos 74 anos; Jango, envenenado na província de Corrientes, Argentina, em 6 de dezembro do mesmo ano, quando tinha pouco mais de 57 anos, e Carlos Lacerda, cassado em 1968 pelos golpistas que ajudou a alçar e em 1964, morreu em 21 de maio de 1977, depois de ser internado numa clínica com "uma gripe forte", um mês depois de completar 63 anos.
Brizola escapou por duas razões: primeiro, porque era mais atento; segundo, porque o sistema precisava de um bode expiatório capaz de unir "o outro lado". Mesmo anistiado, ele foi monitorado regularmente pelo SNI e sucedâneos, inclusive quando já se fizera governador.
Brizola quase ficou sem partido
O golpe mais certeiro do general Golbery foi tomar-lhe o PTB, entregando-o a Cândida Ivete Vargas Tatsch, uma cúmplice que tinha algum grau de parentesco com Getúlio. Convencido de que não teria futuro na velha sigla, Brizola correu contra o tempo e fundou o PDT, conseguindo a surpreendente proeza de ser eleito governador do RJ, á frente de um verdadeiro "exército brancaleone" de excluídos.
No seu primeiro governo, procurou a linha do entendimento. No primeiro ano, tinha almoços regulares com Roberto Marinho, que viria a ser seu principal algoz em função de desentendimentos atribuídos pelo caudilho à sua disposição de implementar o projeto do ensino de tempo integral, os CIEPs, e de garantir os direitos constitucionais das populações das favelas, assegurando-lhes a possibilidade da posse dos seus barracos, através do programa "cada família, um lote".
Apesar de ter feito corrosivos acordos com velhos corruptos na Assembléia Legislativa,e de ter mais tarde se manifestado contra a CPI do Collor (o que lhe valeu um massacre por parte do PT - a divulgação de uma declaração sua infeliz na campanha de Lula em 1994 causou mais danos do que toda a campanha da Globo), Brizola permaneceu inserido no inconsciente coletivo e no index do sistema.
Sérgio Cabral sempre quis ser o anti-Brizola
Sérgio Cabral Filho era um pirralho de talento que queria ser político. Em 1986, não se elegeu deputado estadual, mas já fazia questão de se apresentar como o anti-Brizola. Eleito Moreira Franco com a fraude do Plano Cruzado, Cabral Filho foi ser diretor de Operações da Turisrio. Em 1990, conseguiu seu primeiro mandato pelo PMDB com 12 mil votos.
Já no PSDB, disputou a eleição para prefeito do Rio de Janeiro com um slogan que estava em sintonia com seu discurso antibrizolista: "Quero ser um novo Marcello sem o Brizola para atrapalhar".
Foi mal, mas em 1994, já trabalhando o segmento da terceira idade, teve uma votação expressiva para deputado estadual. Com a eleição de Marcello Alencar para governador, pelo PSDB, tornou-se presidente da Assembléia Legislativa e articulou com todo o seu poder de pressão a rejeição das contas do então governador Brizola, com o que o caudilho ficaria inelegível, para o que contou com a ajuda do PT, especialmente de Carlos Minc. Brizola sobreviveu por um voto, graças a uma atitude digna do deputado petista Neirobis Nagae (hoje fora da política) e do então prefeito Cesar Maia, que mandou os deputados do PFL saírem fora do complô que imobilizaria o velho por 8 anos.
Valeu lembrar que Leonel de Moura Brizola morreu também em circunstâncias estranhas, ao seu internado num hospital em obras, no dia 21 de junho de 2004, 24 horas de uma reunião com Garotinho, que fora convencê-lo a disputar com seu apoio a eleição para prefeito, no lugar de Luiz Paulo Conde.
Governo campeão na caça aos jovens pobres
Em seu governo, Cabral Filho estimulou a matança de jovens suspeitos das favelas e conjuntos populares, começou a murar e transformar em gueto onze favelas da Zona Sul (incluindo a Rocinha, que agora corteja), esvaziou as escolas de tempo integral, dedicou-se à terceirização da saúde através das "OS" e dedicou-se de corpo e alma aos interesses das elites, especialmente ao do triilionário-relâmpago Eike Batista, para quem desapropriou as terras de 6 mil famílias de lavradores no futuro Porto de Açu, em São João da Barra.
Para culminar, Sérgio Cabral demoliu o memorial a Brizola, que a governadora Rosinha mandara construir no final da Av. Presidente Vargas, atitude que mereceu críticas chorosas do deputado-neto do caudilho, agora aliado incondicional de Cabral.
Em suma, ninguém encarnou com tanta exuberância o antibrizolismo, no que o brizolismo tinha de mais saudável, ninguém agiu tanto contra o povo pobre como esse governador, a quem não se pode atribuir nenhum mérito administrativo. E cuja maior bandeira é a PRIVATIZAÇÃO DO AEROPORTO DO GALEÃO.
Pois, preocupado tão somente em garantir o controle do Ministério do Trabalho e das verbas do FAT,  Carlos Roberto Lupi, uma espécie de produto da depressão pessoal do caudilho,  carreirista sem voto e sem escúpulos, convocou a convenção regional do PDT para o dia do jogo do Brasil contra Portugal.
Na mesma hora em que a nação estava acompanhando o jogo mais chocho da Copa, o ministro do Trabalhoi valia-se do seu poder que o cargo oferecia para sacramentar a adesão ao mauricinho das elites, isto porque o diretório regional foi "eleito" em chapa única, graças à cassação da chapa adversária.
Com essa desastrosa adesão, o ministro pode sonhar em continuar no cargo se Dilma ganhar, mas, em conpensação,  vai ajudar a enterrar o partido que um dia foi a maior força do Estado. Voltarei ao obtuário do PDT chapa branca, que, inteiramente dopado pelas migalhas do poder,  está indo para o fundo do poço.
postado por Pedro Porfírio. às 14:22

A Era Vargas não acabou

19 de junho de 2010



A história recente da América Latina tem trazido muitos elementos sobre o Estado e os caminhos e descaminhos no mundo do trabalho. Um novo projeto surge, compreendendo que para se atingir a meta da justiça social, não se deve contrapor ao mundo real, um mundo ideal.
Com o fim do Socialismo Real, a utopia, sempre necessária, continua tendo sua função norteadora. Certamente diferenciada da política, campo de disputas e negociações, e afastada do voluntarismo político que dela se utiliza como bandeira “factível” das oposições, a utopia é a companheira eterna dos que sonham com um mundo melhor.
É neste sentido que se insere o discurso de Dilma Rousseff, candidata pelo PT à Presidência da República, proferido na última Convenção Nacional do PDT, aonde foi selada a aliança entre os dois Partidos. A candidata petista, diferentemente dos que diziam ser preciso “virar a página” do getulismo, remarcou a necessidade de realizar e dar continuidade ao “sonho” trabalhista.
Ressaltando a importância de Getúlio Vargas, Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e João Goulart, a ex Ministra resgata seus legados, até hoje fundamentais para a vida nacional.
O que se observa é que, ao constituir as bases de um Estado nacional forte, ao estabelecer leis que até hoje garantem benefícios ao trabalhador, ao defender a soberania e o desenvolvimento nacionais e criar uma das maiores empresas do mundo, a Petrobrás, o trabalhismo da Era Vargas continua atual.
Contrariando o que fora preconizado por governos passados, necessário se faz avançar para que, inclusive, as Reformas de Base, bandeira maior de João Goulart, se cumpram.
O crescimento de um país é diferente de desenvolvimento, pois este implica a efetiva melhoria da população, o que só é possível com justa distribuição de renda.
Desta forma, para além do PT, do PDT ou de qualquer Coligação Partidária que venha a ocupar as esferas do poder, se comprometida com os anseios populares, garantirá a intervenção, planejamento e subsídio estatais, demonstrando que a “Era” Vargas não acabou.

postado por Maísa Paranhos. às 14:37

ELEIÇÕES E FUTEBOL

16 de junho de 2010
ELEIÇÕES E FUTEBOL


Dentro de poucos dias o mundo vai parar. A copa do mundo na África do Sul será o centro das atenções, e como num toque de mágica, durante um mês inteiro estaremos dando mais importância às seleções do que aos nossos problemas sociais. Afinal, copa só tem a cada quatro anos. Eleições pra Presidente também. E no Brasil, desde a redemocratização do país em 1985, os mundiais de futebol coincidem com anos eleitorais.
Durante a Copa, ninguém vai lembrar que continuamos sendo um país com um dos maiores índices de concentração de renda do mundo. Afinal, num país para poucos, o importante é bola na rede. Não vamos lembrar que somos uma nação que segue uma rotina de privilegiar privilegiados, sem tentativas frutíferas de intervenção programada na distribuição de renda.
Enquanto os 10% da população brasileira, que concentram mais de 75% de nossas riquezas, estarão olhando os jogos em televisões de última tecnologia, em poltronas confortáveis, a imensa maioria de nosso povo permanecerá na busca desesperada de um pretexto esportivo para esquecer a dura realidade econômica e social. Pensar em reformas estruturais e institucionais do estado brasileiro em ano de copa? Pra que? Eu quero é o hexa.
Quem vai querer saber, em ano de copa, que reformas profundas como a abolição da escravatura, a proclamação da República, a revolução de 30, a promulgação da CLT, a título de exemplo, representaram uma quebra na ordem injustamente estabelecida na história do Brasil, pelos mesmos detentores de privilégios exorbitantes de hoje. Num novo ano eleitoral, temos o dever cívico de acreditar que só a participação popular efetiva nas decisões governamentais permitirá sermos um país de primeiro mundo. Já é hora envolver a sociedade no debate de reformas urgentes.


Certo é que durante a copa do mundo ninguém vai pensar num amplo debate sobre a reforma agrária, para fortalecer nosso mercado interno e tornar o solo nacional um patrimônio produtivo em toda sua extensão. Ou então numa reforma educacional ampla, com o objetivo de formar cidadãos para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Reforma tributária, com uma orientação voltada para a redução da concentração da riqueza, que tenha impacto sobre a distribuição de renda. Nada disso.
Então, depois que o capitão Lúcio levantar a taça, que tal lembrarmos que também somos campeões mundiais de concentração de renda, e pentacampeões em concentração de riquezas? Um novo projeto de ruptura ou mudança histórica poderá estar iniciando neste ano de futebol e eleições. Depende de nós.

Christopher Goulart
Presidente Associação Memorial João Goulart.
postado por Christopher Goulart às 14:56

Carta de esclarecimento dirigida a “Folha de São Paulo” da entrevista de Moniz Bandeira.

04 de junho de 2010
Carta de esclarecimento dirigida a “Folha de São Paulo” sobre a difamação da família Goulart pelo historiador Moniz Bandeira quanto à ação promovida contra os E.U.A.

Prezado Diretor Editorial da Folha de São Paulo, Otavio Frias Filho.

O historiador Moniz Bandeira, através do seu veículo de comunicação, declarou ser objetivo de nossa família a promoção pessoal e interesse econômico diante de ação por nós promovida contra o governo dos E.U.A. com o uso de verbas secretas da CIA em 1964. A ação foi baseada na declaração pessoal do réu confesso e ex-embaixador americano Lincoln Gordon, no ano de 2002, para rede Globo de televisão e rede Bandeirantes e amplamente divulgadas à época. Faz-se necessário de minha parte esclarecer que:
1) Pela primeira vez, ainda que em grau de recurso, o governo americano terá que apresentar-se em um fórum estrangeiro para dizer se aceita ou não ser processado sob uma jurisdição que não a sua, por atos cometidos contra um Estado independente, no caso o Brasil. Acostumados a praticar invasões, terrorismo, subornos, assassinatos de líderes que não servem aos seus interesses, golpes de Estado e todos os atos que praticam subterraneamente em todo o mundo, os E.U.A serão finalmente colocados em cheque.
2) Se os E.U.A não aceitarem ser julgados fora de seu território e de suas leis – assim como fizeram em seu país contra o Estado do Vaticano (caso de pedofilia) e o Estado do Chile (caso Letellier), terão que submeter-se a um fórum internacional por haver descumprido a Carta da OEA de não intervenção em governos de outros povos.
3) Lamentavelmente, nosso tribunal decidiu apenas que, por hora, o Governo Americano se apresente ao tribunal brasileiro através de notificação e não de citação (talvez esse seja um atropelo ao nosso Código de Processo Civil), para dizer se aceita ou não a jurisdição brasileira ou se entendem ser a intervenção em nossa constituição em 1964 um ato de império ao qual não devem explicações à cidadania brasileira.
4) Será que nossos magistrados, ao decidirem assim, temiam que no caso de citação do embaixador americano, o acusado poderia não se apresentar e o processo correr à revelia?

5) Diante dos fatos de relatos de agentes, geralmente os historiadores se pautam pela dúvida – e infelizmente não pela certeza - de que não tenha havido premeditação na morte de Jango. Cabe a esses pesquisadores buscar o esclarecimento e não o esquecimento. Por que querem impedir o prosseguimento do MP? Nós queremos apenas o exame químico capaz de dizer se houve ou não envenenamento premeditado. Outros parecem que não querem o mesmo.

Pergunto-me o que terá levado Moniz a “virar a casaca” a esta altura da vida? Talvez a possibilidade de ser nomeado cônsul honorário em Heilderberg, sem ao menos pertencer aos quadros do Itamaraty no governo Fernando Henrique? Será que recebeu alguma cobrança de setores do Itamaraty para advogar contra o processo que a família move contra os E.U.A? Vale ressaltar que o atual embaixador do Brasil na Alemanha, Everton Vieira Vargas, um gaúcho de Santo Ângelo protegido de Samuel Pinheiro, grande amigo de Moniz, é filho de um de um sargento que - corre à boca pequena - andou pelo DOI-CODI. Coincidência???

A entrevista de Moniz só faz reforçar minha convicção de que setores oficiais do Brasil e do Uruguai, remanescentes do período ditatorial, estejam desesperadamente tentando sepultar o caso, lançando injúrias sobre minha família.

Tal atitude mostra apenas o temor que sentem de uma eventual investigação do caso pela justiça argentina, país onde ocorreu o óbito. Poderia ser o tiro de canhão capaz de abrir uma brecha na muralha da impunidade, da revisão da anistia que Moniz não quer contra a qual obteve reforço através da lamentável decisão de nosso STF.


João Vicente Goulart
Diretor Presidente
Instituto Presidente João Goulart
www.institutojoaogoulart.org.br
postado por Joao Vicente Goulart às 12:18