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Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

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Dança com lobos

31 de maio de 2016
Dança com Lobos
*João Vicente Goulart                                


                                  Era só ter o mínimo de percepção, quando os senhores do engenho, deputados, senadores e políticos dirigidos por interesses extemporâneos (300 deles na Lava Jato) que confrontam as aspirações populares das urnas, se articularam, e como lobos em cima da carniça traíram não somente a ética política, como a fantasiaram num luxuoso disfarce de constitucionalidade à moda veneziana e colocaram, sem votos, suas máscaras e lentejoulas no grande salão do pátio Brasil.

Lamentavelmente Temer, conduzido pelo lobo-alfa, hoje afastado pelo STF da presidência da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, deixou-se manipular pela derrubada da presidente Dilma Rousseff, e pior; acertou, prometeu, conspirou e cedeu à matilha a esperança de poder tão por eles desejada. Sem nenhum respeito as urnas e a população do Brasil, seus trabalhadores, mulheres e homens, comprometeu-se com o botim da traição, através da manutenção do seu poder de fogo nas mãos do Congresso e ainda com o compromisso de que, em um novo governo, formado com eles mesmos que até ontem pertenciam ao velho, sem nenhum escrúpulo, como nunca se viu em democracia alguma, trocariam de lado como verdadeiros traidores, cínicos da democracia, para auto proteger-se.

A promessa era intrínseca e secreta; sairiam ilesos da Operação Lava-Jato da qual estariam envolvidos.

Mas, lobo come a comida do lobo.

Como disse Sergio Machado: “Estão todos na bandeja para serem comidos. ”

Ontem, Geraldo Magela Fernandes da Rocha, 65, empresário, abriu a boca e declarou à Polícia Federal que aceitou ser laranja do Senador Romero Jucá em declaração por ele prestada, sob investigação.

Hoje, a Folha de São Paulo vazou a toda a opinião pública que o atual ministro do Planejamento e ontem líder do governo Dilma, Romero Jucá (PMDB-RR) foi pego sugerindo em conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo era necessária e que resultaria em um pacto para “estancar a sangria” atribuída à Operação Lava-Jato. Confirma-se assim a suposição da conspiração e os motivos do desfecho do impeachment.

Esses são os “novos” ministros e arautos da moralidade e ética do novo governo TEMER.

Esse é o novo ministério de “vulto” que prometiam aos brasileiros.

 O “vulto” é gigante e ainda virá para continuar tirando os lobos da toca, pois a justiça não pode ser obstaculizada.

-Não é assim, ministros do STF?

Enquanto o Brasil espera..., dança com lobos!
 
João Vicente Goulart
Diretor IPG-Instituto João Goulart.

postado por Joao Vicente Goulart às 16:26

A DEMOCRACIA BURGUESA, A DITADURA PERFEITA

05 de maio de 2016
A DEMOCRACIA BURGUESA, A DITADURA PERFEITA
João Vicente Goulart.






                                        Na “Republica” socrática , grande obra de Platão no aprofundamento e busca de uma sociedade equitativa, onde os mais fracos pudessem se contraporem aos mais fortes e as castas sociais pudessem ter mais harmonia na busca de uma convivência mais distributiva, entre os pensadores desta desejada sociedade surgia nas palavras dos sábios o grande questionamento:
“Queremos homens governados por leis, ou leis governando os homens? ”.

Grande questionamento sem dúvidas.

Nos faz pensar que temos pela frente que construir uma sociedade onde não se usem as leis com propósitos individuais e de interesses pessoais ou corporativos que a manipulem, distorçam-na ou criem e substituam as existentes por outras de interesses próprios; ou pior, que juízes que representem a sociedade e defendam por princípio as cláusulas pétreas da Constituição, tenham na leitura da toga diferentes interpretações conforme o andar de seus espúrios interesses ou colorações políticas.

Na dita “democracia burguesa”, na qual estamos aportando nossa nave, se disfarçam as prepotências ditatoriais das pontas das baionetas e da ilegalidade, sob o escuro manto das togas, transformando as pontas cortantes do fio de aço, por suaves pinceladas de tintas desenhadas nas sentenças e liminares. Sim, a Democracia burguesa estará repleta de liminares e com elas se sustentarão em nome da “legalidade” de magistrados na ponta de suas penas sentenciais.

Legítimas?

Até que ponto uma cadeira de magistrado sem prazo de vencimento pode nos representar nas decisões e pareceres que exalam das sentencias proferidas? Será que são justas?

Também lá, na antiga Grécia pensante se perguntavam os homens:
A quem confiarei meu rebanho de ovelhas? Ao homem justo? Ao estudioso? Ao Intocável? Ao guardião das leis e do direito?
Ou confiarei meu rebanho ao pastor de ovelhas? De roupas rasgadas, de uma casta inferior, de pouco eruditismo, mas profundamente conhecedor de ovelhas?

É para pensar, sim!

O afastamento de Cunha da Câmara de representantes do povo pelo judiciário além de trazer simpatia publica a postura de nosso Supremo, afasta também e deixa livre o caminho de Temer para a entrega do país aos grupos internacionais tanto no entreguismo de nossas riquezas, como nas privatizações de nossas empresas estatais que geram apenas lucro em detrimento dos interesses dos mais humildes, dos interesses das ovelhas que pastavam nos campos de Mariana ou dos pastores que confiaram nas leis feitas e exercidas pelos homens.

A democracia burguesa está aí para se defender e se perpetuar através da “meritocracia”.
 
Meritocracia esta que funciona com privilégios das elites, sem oportunidades para os mais desamparados e ainda com o extermínio do direito da maioria de 54.000.000 de votos democráticos.

Surpreende ainda que esta democracia burguesa está pronta para voltar sua defesa na recriação da teoria da “Segurança Nacional”. Com o falso discurso de Temer de reunificar o Brasil em torno da pacificação nacional em um governo ilegítimo, vai trazer o General Sergio Etchegoyen para cuidar do esquema militar do governo, acabar com a ABIN e ainda criar um novo sistema de espionagem para quem não concordar com suas práticas ou atos de governo.

Este mesmo general que denegriu o relatório da Comissão da Verdade.

É a volta do autoritarismo através da democracia burguesa, da mídia, das togas, das liminares e dos privilégios dos amigos da confraria.

São os velhos lobos, sob o manto de pelegos, cuidando das ovelhas.
João Vicente Goulart
Diretor do IPG-Instituto João Goulart
postado por Joao Vicente Goulart às 15:36