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O difícil caminho do esclarecimento. Artigo de João Vicente Goulart.

02 de maio de 2014

   O difícil caminho do esclarecimento

 
     
           Quando nos decidimos interiorizar e aprofundar as inúmeras conexões e tramas da Operação Condor, não imaginávamos quão complexa rede de pessoas e de quebra-cabeças iríamos encontrar no caminho do esclarecimento de tantas mortes suspeitas e outras já esclarecidas como a do ex-presidente Frei Moltalva.

Em uma gentil reunião na casa do ex-presidente Eduardo Frei, filho do Presidente Eduardo Frei Montalva, tomamos, através dele, conhecimento dos detalhes do assassinato do de seu pai que vem sendo conduzido pelo Ministro e juiz superior do Chile Dr. Alejandro Madrid, que também investiga outras tantas mortes na ditadura chilena, todas através de químicos e substâncias tóxicas produzidas pela DINA (polícia secreta do Chile) e comandadas diretamente pelo General Contreras e pelo químico Berríos no extermínio de seus adversários políticos durante a ditadura. Neste processo já em andamento em Santiago, onde já se encontram processados três médicos e o motorista da própia família que atuaram no episódio da morte de Frei, na Clínica Santa Maria quando da operação de uma hérnia no ex-presidente, este complot conseguiu administrar as substâncias tálio e gás mostarda, que o levou a morte. Lá na justiça do Chile serão condenados e presos.

A investigação que este exemplar magistrado vem desenvolvendo e obtendo inclusive a oitiva do ex-agente da CIA Michael Townley, através de pedido judicial as autoridades americanas, o mesmo Townley que desde 2007 nós, aqui no Brasil solicitamos as nossas autoridades na investigação da morte do nosso ex-presidente João Goulart, mostra quão grande é a diferença de um povo que obtém através de suas instituições o esclarecimento necessário de uma sociedade que exige a verdade nos crimes de “lesa-humanidade” que em nome da Nação devem ser esclarecidos. Grande diferença.

A produção de venenos, substâncias tóxicas, algumas botulínicas e outras cloradas foram altamente produzidas e usadas na Operação Condor no Chile, na Argentina, Brasil e Uruguai, mostrando que depois da morte de Orlando Letellier através da bomba em seu carro nas avenidas de Washington, não mais seria possível o extermínio através de explosões e tiros, a metodologia mudava, mutava, envenenava...

Neste momento onde após instalarmos a Comissão da Nacional da Verdade, vinte e cinco depois de outros países irmãos e já vamos extingui-la em dezembro próximo, é urgente e necessário que tenhamos outro organismo com os poderes que foram atribuídos a nossa CNV, sob o risco de após a dissolução desta, não tenhamos mais instrumentos que possam acelerar os esclarecimentos necessários e convocações obrigatórias de pessoas que apesar de terem participado de crimes não podem ser processadas pela nossa vetusta “Lei de Anistia”.

A exumação dos restos mortais de nosso presidente Jango, só foi possível por ter esta nossa Comissão da Verdade poderes para tal fato, sem necessitar a judicialização do pedido, o que a partir de dezembro, sem esses poderes não mais teríamos a chance de fazê-lo.

O Chile avança, a Argentina avança, e nós, após termos conseguido a nossa Comissão da Verdade a vamos extinguir em dezembro. E depois?
A quem caberá o esquecimento?

João Vicente Goulart

postado por Joao Vicente Goulart às 22:17