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A criança que o golpe expulsou, o homem que nunca se calou. Entrevista.

16 de abril de 2014

A criança que o golpe expulsou, o homem que nunca se calou

Aos 7 anos, João Vicente Goulart seguiu para o exílio junto com o pai ? mas jamais aceitou a versão de que Jango teve morte natural
 
Fábio Gallacci
gallacci@rac.com.br
 
Foto: Divulgação
João Vicente Goulart
João Vicente Goulart
Há exatos 50 anos, o então presidente da República, João Goulart, o Jango, era derrubado de seu posto por um golpe militar apoiado por parte da sociedade, da imprensa, da Igreja e da maioria do Congresso Nacional. Naquele dia de 1964, o ainda menino João Vicente Goulart, com 7 anos, foi obrigado a deixar sua casa apressadamente com apenas alguns poucos pertences e a roupa do corpo. Ao lado da mãe e da irmã mais nova, ele foi colocado em um avião de pequeno porte rumo a uma fazenda no Interior do Rio Grande do Sul e, logo em seguida, para o Uruguai. Viveu sem destino certo enquanto seu pai tentava articular a volta para casa e para o seu papel num regime democrático, mas o viu morrer de um suposto ataque cardíaco na cidade de Mercedes, na província de Corrientes, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976.
Com base em documentos confidenciais e depoimentos de ex-agentes da repressão que atuavam pela América Latina — na chamada Operação Condor —, a família mantém a suspeita de que Jango foi assassinado por envenenamento. Teria sido uma ação criminosa de agentes uruguaios a mando do governo brasileiro da época, com Ernesto Geisel à frente. “O medo da ditadura em relação à volta de Jango era brutal. Naquele momento, meu pai era o ‘rei caído’. O destino fez de Jango o único presidente a morrer no exílio e lutando pela democracia. Se isso é um lugar de mártires, sem dúvida, ele é um mártir da democracia”, afirma João Vicente.

Em novembro do ano passado, peritos de quatro países participaram da exumação dos restos mortais de Jango no Cemitério Jardim da Paz, em São Borja (RS). O objetivo é confirmar a real causa da morte do ex-presidente, saber se ele foi realmente envenenado. Mas, pelos anos passados, há uma possibilidade dos exames não chegarem a conclusão alguma. Mesmo assim, a família não vê a exumação como o único caminho para esclarecer o episódio. Desde 2007, ela cobra o Ministério Público Federal (MPF) para ouvir ex-agentes da repressão que hoje vivem nos Estados Unidos e que seriam as peças-chave para confirmar a articulação de um plano para matar Jango.
Hoje, com 57 anos, João Vicente percorre o Brasil de ponta a ponta para tentar reescrever a história do pai e, consequentemente, da Nação. Ele estará em Campinas no próximo dia 29 de abril para um debate sobre as consequências da ditadura militar para o País, organizado pela Secretaria Municipal de Educação. Antes disso, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio. Leia, a seguir, o que pensa o herdeiro do legado de Jango.

Correio Popular - O que o País teria do governo de Jango caso ele não tivesse sido tirado à força do poder?

João Vicente Goulart – O governo de Jango foi um dos mais curtos da história do Brasil. Mas ele também foi o governante que mais propostas teve. João Goulart apresentava um projeto de nação. Não era apenas um projeto de governo, mas de ação através das reformas de base. Era a reforma da estrutura social, econômica e política da Nação brasileira. Isso sensibilizou e provocou uma profunda cisão entre as elites brasileiras, as classes conservadoras, e os trabalhadores, aqueles que estavam alijados do processo econômico do País. Isso criou uma instabilidade muito grande no governo. Naquele momento, ainda tínhamos no cenário internacional a Guerra Fria. Se o governo João Goulart não tivesse sido derrubado pelos ditadores em 1964, o Brasil seria hoje, sem dúvida, uma nação muito diferente da que temos. Na época, por exemplo, nós tínhamos índices de desenvolvimento semelhantes aos da Coreia. Hoje, a Coreia (do Sul) tem montadoras de veículos próprias, nacionais, tem um índice de educação que nós não atingimos até o momento. Hoje, nós temos os mesmos problemas estruturais, de gargalo da economia... Temos estruturas arcaicas que devem ser removidas. Para isso, precisamos reformar o Estado brasileiro. Por isso, eu acho que o governo João Goulart teria modificado o Brasil muito profundamente e nós não estaríamos hoje patinando econômica, política e socialmente.

Vivemos duas décadas de atraso?
Sem dúvida. Eu acho que a ditadura nos deixou uma herança maldita no sentido econômico. Muitos dizem que a ditadura teve um desenvolvimento econômico muito grande, mas onde ele está? Não há nenhum. O Delfin (Neto, ex-ministro da Fazenda do período militar) falou, falou e falou que ia esperar o bolo crescer para depois dividir entre o povo brasileiro, mas o que a ditadura nos deixou foi uma imensa dívida externa e nós ficamos devendo os ovos, o chocolate, a farinha e até o fermento daquele bolo.

Muitos dizem que, se Jango não fosse derrubado, o Brasil sofreria com uma ditadura de esquerda. Qual a sua opinião sobre isso?
Eu acho isso uma grande balela. Agora mesmo, as liberações recentes de documentos nos mostram conversas vindas da Casa Branca (sede do governo federal norte-americano) onde o próprio presidente Kennedy, conversando com seus assessores, o diplomata George Ball e seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon (que atuou no País entre 1961 e 1966), dizia: ‘Nós sabemos que o Partido Comunista no Brasil é insipiente, mas Jango será tratado como comunista para provocar, através de novas ações, uma manifestação contrária (a ele)’. A ideia foi criar uma profunda cisão na sociedade brasileira e acusar Jango de comunista. Isso é uma grande balela que ninguém mais acredita hoje em dia.

O senhor tem alguma memória daqueles dias turbulentos?
Minhas memórias são esparsas, que nos levam a um dia diferente, onde nós tivemos que sair sem os nossos pertences, corridos... As malas estavam prontas e saímos com um avião direto para uma fazenda. Depois fomos para outra fazenda e terminamos num país diferente, com língua diferente... Fomos para o Uruguai. Nós chegamos lá no dia 2 de abril e meu pai chegou no dia 4 (de 1964). Era uma expectativa... Apesar do risco que existia, ele ainda decidiu permanecer no Brasil até o novo presidente tomar posse, no dia 2 de abril (o deputado, advogado e jornalista Pascoal Ranieri Mazzilli, que permaneceu no cargo até o dia 15 de abril daquele ano)... Nesse período, Jango fica no Brasil perambulando de um canto para outro em um avião pequeno. O objetivo daquilo era estar em território nacional quando nomeassem o novo presidente. Ou seja, ele permanece no Brasil para configurar o golpe de Estado. Ilegalmente, o Congresso declarou vaga a presidência da República com o presidente de direito ainda presente em território nacional! Naquele momento, parecia que não era golpe. A grande imprensa mostrava que era uma revolução, que o povo havia chamado os militares para tomar o poder... Coisa que hoje nós temos consciência de que foi uma mentira deslavada que a ditadura quis que o povo brasileiro acreditasse. Hoje, a história está dando a razão a Jango.

A família também sofreu perseguição?
Evidente que sim. Nós vivemos em cinco países diferentes. Saímos do Uruguai, passamos pelo Paraguai, depois fomos para a Argentina, França e Inglaterra. Isso demonstra que a perseguição foi constante. Nós nos tornamos aves migratórias do exílio.

A imagem de Jango já foi a do ‘comunista’ que trazia riscos à Nação e do político fraco, que não soube evitar o golpe. Para alguns, hoje, ele se transformou em um mártir da democracia. O senhor concorda?
Jango sempre dizia que 50 anos, na vida de um homem, é muito tempo. Tanto é que ele não conseguiu voltar para o seu país; só voltou morto. Até sua morte, ele permaneceu lutando pela democracia e pela liberdade do Brasil, pelos direitos humanos e sociais do povo brasileiro, pela legalidade e respeito à Constituição. Mas ele dizia também que 50 anos na vida de um país não é nada. O destino fez de Jango o único presidente a morrer no exílio e lutando pela democracia. Se isso é um lugar de mártires, sem dúvida, ele é um mártir da democracia.

Faltou apoio para que Jango voltasse ao poder ou isso era impossível na época?
Houve tentativas (de retomada do cargo no Brasil). Temos o exemplo da Frente Ampla, onde Jango recebe o seu mais ferrenho adversário, o governador Carlos Lacerda (da Guanabara) em 1968... Isso foi uma tentativa de democratas querendo se opor à ditadura. Lamentavelmente, veio o AI-5 (Ato Institucional 5) e a ditadura se fechou muito mais e veio a caça a todos aqueles que lutavam contra o regime. Essas pessoas tiveram que ir para a clandestinidade... Evidentemente, o regime se fortaleceu e não houve condições de fazer essa abertura. Isso fez parte de uma condição geopolítica internacional. Foi só com a eleição norte-americana do presidente Jimmy Carter que começam a fechar as torneiras econômicas para a América Latina e, especificamente, para aqueles governos que não respeitavam os Direitos Humanos. Então, foi a questão dos Direitos Humanos que deu, a partir de 1977 e 1978, a tonalidade da distensão política em toda a América Latina. Começou ali a abertura lenta e gradual do regime brasileiro. Só que, nessa época, meu pai já não estava mais vivo. O retorno que ele pretendia foi impedido.

Recentemente, houve a exumação dos restos mortais de Jango. A versão oficial é a de que ele sofreu um enfarte. A família acredita que ele foi assassinado?
Eu não posso afirmar diretamente que ele foi assassinado, seria uma temeridade da minha parte. O que eu posso afirmar é que existem fortes indícios que a família foi buscar, não somente em documentos, mas também em declarações de ex-agentes que participaram da repressão na América Latina. Acho que é um dever, não só da família, mas da nação brasileira, saber o que aconteceu com seu ex-presidente diante de tantas circunstâncias probatórias que apontam que ele pode ter sido assassinado. Cabe à Justiça brasileira esclarecer isso. Nós solicitamos uma investigação, ainda em 2007. Muito antes até da instalação, em 2011, da Comissão Nacional da Verdade. Mas não houve avanço nenhum nas investigações. O que nos ajudou nessa Comissão, e eu a prezo muito, foi que o projeto de lei que a criou lhe deu poder de pedir documentos, inquirir pessoas e, inclusive, pedir uma exumação independentemente de uma ação judicial. Nós pedimos (a exumação de Jango), em 2007, ao Ministério Público Federal – no Rio Grande do Sul - que, inclusive, em certo momento, quis até arquivar o processo.

E a exumação, o que pode trazer à tona?
Nós sabemos que esse procedimento pode não ser conclusivo. A exumação é um dos meios para se chegar à verdade. Ela não é um fim em si. Nós também pedimos que o MPF fizesse as oitivas dos agentes que teriam participado (da suposta ação contra Jango). Alguns deles moram sob proteção do governo norte-americano. Autoridades do Chile e da Espanha já foram aos Estados Unidos ouvir esses mesmos agentes. Por que o Brasil não faz isso? É bom lembrar que a morte do presidente João Goulart se deu na Argentina... Daqui a pouco, os argentinos é que vão pedir a investigação sobre o nosso presidente.

Ainda existem sombras da repressão no Brasil?
Sem dúvida. Nós conquistamos a democracia, devemos preservá-la, mas também devemos avançar em cima dos preceitos democráticos. Eu acho que a Comissão Nacional da Verdade tem um grande papel. Eu espero que esse trabalho nos indique um caminho de esperança, de restauração da política de Direitos Humanos e, principalmente, da revisão da nossa Lei de Anistia.

O que diria para as pessoas que defendem o retorno dos militares ao poder?
Essas pessoas não devem ter vivido naquilo que é uma ditadura. Isso que elas pregam hoje, nas redes sociais, de que seria melhor voltar à ditadura. Em um regime opressor, elas não teriam nem a rede social.
postado por Joao Vicente Goulart às 21:44

O verdadeiro Gigolô da Mídia

11 de abril de 2014
O VERDADEIRO GIGOLÔ DA MÍDIA



         Li  nos editoriais do “O Globo” artigo intitulado “Os gigolôs da história”, de Marco Antonio Villa. Sinceramente não esperava nada deste indivíduo a não ser a dor que demonstra ao ver a história se impor 50 anos depois, tal qual ele não queria.
O desmerecimento do debate e reflexão que o país vem fazendo ao encontrar-se novamente com sua história produzem repulsos e tremeliques ao verdadeiro gigolô da mídia, ele próprio.
Por certo e seu enfado não se deve ao seu reacionarismo serviçal e sim ao desmascaramento que a propia história vem fazendo a sua surrada tese do “contragolpe” que durante anos ele elaborou para seus empregadores e financiadores do golpe e da quebra constitucional. Sequer o Estadão segura mais essa tese ultrapassada, surrada e mentirosa.
Sabemos que ele como “estoriador” e “distorcedor” da história, a anos vem defendendo o  autoritarismo e as elites que mergulharam o Brasil nas trevas, sempre bem pago por sinal, mas figurinha carimbada da direita que todos conhecemos, símbolo do poder da mídia e dos covardes que atrás dela se escondem pensando que a prepotência mediática que lhes da guarida é eterna.
Não é de hoje que conhecemos sua verborreia. Chega ao ridículo de construir a irmandade xipófaga entre Marighella e Garrastazú Médici, de completo mal gosto e de uma ironia rudimentar. Cita relatos de terceiros quando quer denegrir a imagem de Jango, tão vilipendiada e escondida pela ditadura através de serviçais “estoriadores” que servem apenas para usar a caneta cúmplice de seus empregadores.
Tratar o golpe como um breve “interregno militar”, necessário para a redemocratização em 1965 é o mesmo que justificar uma “torturinha” na “ditabranda” brasileira; ele avalia as ditaduras pela pilha de cadáveres empilhados e não pela tragédia que elas impõe aos cidadãos que lutam pela liberdade e pela democracia.
O que discutimos hoje e que dói no Sr. Villa não é a queda de Jango e sim a reforma do Estado, tão necessária nos dias de hoje para diminuir os privilégios das elites que o Sr. Villa defende. Privilégios políticos, econômicos e mediáticos de 11 famílias, empregadoras deste senhor e que juntas detém o monopólio da informação de 90% dos veículos de comunicação em um país de duzentos milhões de brasileiros. Quem são os gigolôs da história? Não é difícil imaginar quem anda pendurado nas tetas das elites.
A própria Globo já fez a “mea-culpa” com a sociedade brasileira. Lamentavelmente seus gigolôs americanos continuam a destratar uma realidade que não queriam ver: o debate limpo e ideológico, de agora e de antes, de um Brasil que 50 anos depois está colocando o ponto nos “IS” que alguns “estoriadores” esqueceram.
Hoje sabemos quem escondeu a história e sabemos quem a desvirtuou. Sabemos quem são os gigolôs e do ventre de onde saíram, sabemos que batalhões de artigos e contos não precisam mais de suas canetas, nos basta um grito e uma web para desmascarar mal paridos.
Hoje existem certos meios de comunicação e certos autores que quando cospem essa verborragia contra Jango não mais nos atingem, como o Sr. Villa; hoje ser esculhambados por suas canetas e artigos não mais é preocupação para ninguém que lutou contra a ditadura que eles defendem como viúvas do autoritarismo.
Hoje ser enxovalhados por eles e seus empregadores é currículo!
 
João Vicente Goulart
Diretor IPG, Instituto presidente João Goulart.
postado por Joao Vicente Goulart às 18:59