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Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.

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PDT: Perdemos Jackson, ou apenas extraviamos sua presença? João Vicente Goulart

26 de abril de 2011
PDT: Perdemos Jackson, ou apenas extraviamos sua presença? João Vicente Goulart
publicada em 04 de abril de 2011
PDT: Perdemos Jackson, ou apenas extraviamos sua presença?


         



Perdemos nesta segunda feira um incontestável lutador. Um nacionalista dedicado a causa trabalhista que nos acompanhou desde Lisboa e foi PDT até o final de seus dias.

Perdemos uma figura humana de princípios éticos incontestáveis que fez da trincheira política maranhense seu cavalo de tróia para vencer poderosos, para vencer com a política séria, para conquistar o coração do povo de sua terra e conduzi-lo a um destino que lhe foi quitado, ainda por causas obscuras.

Mas Jackson o homem, Jackson o político, Jackson o despido de interesses pessoais se despede de nós deixando um exemplo ao trabalhismo para ser seguido e aprendido por todos nós pedetistas que temos que continuar a trilhar no caminho da emancipação social, da justiça e da soberania: “qualquer esforço para derrotar as oligarquias retrógadas é válido”.

Não só o Maranhão perde o seu filho.

O PDT perde um de seus pais, um homem de exemplos e dedicação partidária que sem dúvidas há de deixar saudades entre os trabalhistas.


Perdemos o amigo, o conselheiro que lembrava sempre Brizola nas reflexões partidárias e na exatidão da doutrina de Pasqualini. Ele hoje se une a eles.

Serenamente nos deixa com a saudades do homem , mas com a convicção do líder, que haveremos de lembrar homenageando-lo com a perseverança de caminhar sempre na direção do combate as injustiças com altruísmo e coragem, seus predicados constantes.

Não te perdemos Jackson, apenas extraviamos tua presença junto a nós, enquanto seguimos perseguindo teu exemplo.
 
                                                                                  João Vicente Goulart.
 
Brasília 04 de abril de 2011
postado por Joao Vicente Goulart às 13:19

Meu primeiro post- "O País que Jango sonhou para mim"

23 de abril de 2011

O País que Jango sonhou para mim.







Olá,meu nome é Verônica e relutei bastante em começar a escrever neste espaço.Primeiro porque não sou jornalista,nem escritora,muito menos historiadora.Sou uma cidadã comum,que teve um dia um encontro que modificou a sua vida.Esse encontro foi com a história  do meu país,mais especificamente com a história de Jango e de seu governo e é sobre  esta transformação, que  quero hoje, falar com você.

Nascí em 1966,em plena ditadura, em uma família nacionalista,meu pai,como funcionario da Petrobras,era Getulista e mesmo nesta família,quando se falava de João Goulart,diziam que o Jango tinha fugido...

Estudei, quase toda minha vida, em escolas publicas,desde as mais bacanas,no Rio Grande do Sul,até as mais ,infelizmente esculhambadas, do Rio de Janeiro e mesmo após a redemocratização,mesmo em uma escola paga com o dinheiro do povo,meu país nunca me contou a história real do Presidente João Goulart.Hoje posso afirmar que Jango é um dos personagens mais injustiçados da nossa história,que nós brasileiros devemos lutar para colocá-lo no lugar que ele merece,como um grande Presidente Trabalhista,um democrata,um homem realmente preocupado com o nosso país ,com as lutas socias,com a nossa independencia e soberania.Minha vida se divide em antes e depois de conhecer sua verdadeira  história.

Como qualquer brasileira,fui vencendo os desafios que a vida me impos e com 15 anos comecei a trabalhar no comercio,fiz  lá a minha carreira ,de vendedora á supervisora de vendas,depois de representante comercial de tecidos á dona de confecção e, com 37 anos, abrí uma boutique em Ipanema,era este meu grande sonho ,ter meu próprio negócio,ser independente.Minha loja tinha como publico alvo,digamos, a elite carioca,as peças eram bastante caras,uma calça jeans,chegava a custar mais de  um salário mínimo...

Quis o destino, que uma cliente muito especial me apresentasse um dia,o meu marido.Alguns amigos meus quando o conheceram,acharam que não daria certo ,afinal, aparentemente não tínhamos nada a ver um com outro,mas eu sabia,desde o primeiro encontro, que tinha encontado o meu par.Me casei com ele e desde da época de namoro,me chamava muita atenção a maneira apaixonada que ele falava do pai.Para a surpresa de muitos,a dona de boutique se casou com o filho idealista e apaixonado pelas causas pelas quais o  pai viveu e morreu no exílio,Quis o destino que eu me casase com João Vicente,filho do Jango e de Maria Thereza  Goulart.

O Páis que Jango sonhou para mim:

Na convivência com João,não pude ficar imune a história de Jango e a luta de meu marido em resgatá-la ,tendo como grande meta a construção do Memorial João Goulart ,obra do arquiteto Niemeyer ,a ser erguido em Brasília,capital da República e que contará neste espaço,o período ainda obscuro da ditadura,as razoes do Golpe de 64 e as consequencias para nossa sociedade até os dias de hoje.
Com o tempo,fui admirando mais e mais o Presidente João Goulart e os sonhos que ele tinha para o nosso Brasil,fui percebendo que,não fosse o golpe de estado,financiado com verba secreta dos EUA,eu teria crescido e  vivido em um país diferente,um país que me foi roubado,covardemente,ilegalmente.Hoje posso afirmar,EU QUERIA,TER CRESCIDO NESTE PAÍS,neste país que Jango sonhou para mim e para todos nós brasileiros.Nos meus próximos posts,voce vai saber o porquê desta minha certeza.

postado por Veronica às 18:13

1º de abril e Estados Unidos

05 de abril de 2011
Artigo publicado em A TARDE, Salvador, 4/4/2011

Em 1º de Abril de 1964 o Brasil teve consumado o golpe civil militar orquestrado, em terras nacionais e à distância, pelo governo dos EUA, que patrocinou outros tantos golpes com o mesmo caráter no restante do Continente Sul Americano.
Assim foi que, a pretexto de defender o Continente do “Perigo Vermelho”, e o Brasil de uma “República Sindicalista”, o Estado Norte Americano, aliado a grupos nacionais oligárquicos, derrubou, um a um, os governos de esquerda e nacionalistas que defendiam interesses que iam de encontro aos daquele País.
Hoje, a política de império norte-americana muda suas formas a depender da região que lhe seja o alvo.
Desta forma, numa visita considerada por alguns como um reconhecimento sobre o papel que o Brasil ocupa no mundo, o Presidente Barak Obama quer se colocar como o principal cliente do Brasil no tocante à exploração do Pré-Sal. Fazendo elogios a presidente Dilma Rousseff e à nossa democracia, defendeu claramente a política neoliberal, quando afirmou que a inclusão social obtida no governo Lula, não se deveu a ação do Estado , mas sim, a uma “economia aberta”, e daqui deu o aval para o ataque à Líbia.
Os tempos são outros, dirão alguns, mas os interesses são antigos, dirão outros. Efetivamente, o Brasil diversificou seus parceiros econômicos e os EUA perderam terreno na América Latina.
Quando entrevistado no Chile se pediria desculpas ao povo daquele país pelos estragos causados pelos EUA, Obama não o fez, e sequer foi ao túmulo de Salvador Allende como reconhecimento do que ali se passou a partir de 11 de setembro de 1973.
A “Era das Conspirações” já teria passado , mas ao que tudo indica, nessa democracia tensa na qual vivemos no sec XXI, é sempre bom lembrar que americanos transitam na Amazônia em terras indígenas, que temos o Aqüífero Guarany numa região considerada pelos EUA como área de perigo terrorista, a “Tríplice Fronteira”, que existem diversas Bases Militares americanas na Colômbia, que sem Guerra Fria Cuba continua bloqueada e que o Equador sofreu uma tentativa de Golpe no ano passado.

postado por Maísa Paranhos. às 00:18

As tardes passadas movem moinhos

05 de abril de 2011
Artigo publicado em A TARDE , Salvador, 14/3/2011


É a mesma história sempre: damos uma geral em nossos armários, estantes e gavetas; jogamos calhamaços de papel fora e, assim, ordenamos nossas vidas acreditando piamente que isso é possível, sobretudo quando tal fato ocorre nos finais ou inícios dos anos. Temos a sensação de uma renovação automática, desde que façamos o prometido a nós mesmos: ordem e mudança. Seria uma quase paródia da nossa “Ordem e Progresso”?
Este ano comecei em débito, retardatariamente, vai ver as transformações em minha vida não virão, pode ser... Deparo-me, hoje, rodeada por quilos do jornal A TARDE separados devidamente, com os recortes das notícias importantes, sem os quais não poderia viver. São recortes não só deste ano, mas um verdadeiro “dossiê” daquilo que meus valores me ditam ser indispensável guardar ao longo do tempo. Porém, num ato rebelde invulgar, resolvo fazer uma “limpa” também nos “intocáveis”: aqueles que nunca relemos, mas guardamos, talvez numa tentativa vã de estancarmos o tempo ou talvez de dizermos para alguém, ou histericamente prá todos, Fidel está doente, o Lula quitou a dívida externa, o “Cultural” acabou e a Alexandria, nunca mais... Honduras sofreu um Golpe Militar, e Nestor Kirchner morreu...Tentativas de contenção de um tempo que sempre foi veloz, mas que hoje não nos permite a decantação do que se lê. As informações, aos milhares a cada fração de segundo, não esperam. Notícias são descartáveis.
Sinto-me devorada por elas. Tento lê-las todas, ordenar--me para, assim, atingir, bandeirosa e positivamente, o progresso em minha vida, porém sou vencida pela realidade que se impõe , e descubro que terei de me reinventar. Descubro que garantir-me é tornar-me permeável à minha contemporaneidade.
As tardes passadas, tristes ou alegres, pungentes ou medíocres, deixam seus rastros impressos em nosso corpo e alma, na memória e , diferentemente das águas, continuam a mover, por vezes quixotescamente, os nossos moinhos, instrumentos de nossos desejos a nos impulsionar.


postado por Maísa Paranhos. às 00:09

’Vamos provar que houve intervenção dos EUA’ ,entrevista com João Vicente Goulart

03 de abril de 2011
’Vamos provar a intervenção dos EUA’

’Vamos provar que houve intervenção dos EUA’


O Globo

01/07/07
Família de Jango decide processar governo americano por ajuda da CIA ao golpe e quer R$3,4 bi de indenização


Desde 2003, Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, e seus dois filhos, João Vicente e Denise, travam uma luta silenciosa na Justiça para responsabilizar os Estados Unidos pelos danos causados à família em 1964 e nos anos posteriores ao golpe militar. A família decidiu pela ação quando Lincoln Gordon, embaixador dos EUA no Brasil naquele período conturbado, admitiu que a Agência Central de Inteligência (CIA) americana financiou, nas eleições parlamentares de 1962, opositores de Jango. E decidiu quebrar o silêncio após Ancelmo Gois divulgar em sua coluna no GLOBO, em 17 de junho, a existência da ação. A indenização pedida é de R$3,496 bilhões: R$3 bilhões por danos morais e R$496 milhões por danos materiais, valor calculado por uma perita.

Carter Anderson

Como surgiu a idéia de requerer uma indenização ao governo dos EUA pelo golpe que derrubou seu pai?


JOÃO VICENTE GOULART: Eu estava em São Paulo, em novembro de 2002, quando soube que o ex-embaixador Lincoln Gordon estava no Brasil para lançar um livro sobre o período de 1964 e que ele tinha usado a CIA, com dinheiro americano, para depor o presidente João Goulart. Para minha surpresa e indignação, não ouvi manifestação nem de parte do presidente Fernando Henrique, nem do presidente eleito, Lula, sobre o que me deixou indignado, ultrajado, como brasileiro.


Gordon disse que, em 1962, a CIA financiou no Brasil, clandestinamente, a eleição de políticos de oposição, não?

JOÃO VICENTE: Ele falou que foram usados cinco milhões de dólares de verba secreta para derrubar Jango. Não contestamos o Senado brasileiro como instituição pública, mas aquela legislatura, que foi financiada com o dinheiro de verbas secretas americanas, tal qual as palavras de Lincoln Gordon, réu confesso neste processo. Quando (o presidente do Senado) Aldo Moura de Andrade decreta vaga a Presidência da República, num golpe branco, o presidente João Goulart se encontrava em Porto Alegre. Estava lá o líder do PTB com uma carta do chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, dizendo que o presidente estava em Porto Alegre, tentando resistir. E o senador declara vaga a Presidência e dá por encerrada a sessão. Isso é um golpe branco, financiado pelos Estados Unidos. Como fica a carta da OEA (Organização dos Estados Americanos), a não intervenção em outros Estados?


O que a família deseja?

JOÃO VICENTE: A família quer que nossa Justiça nos permita apenas citar o governo americano sobre um dolo material, moral e, principalmente, de imagem, porque eles derrubaram um presidente eleito. E nós estamos tendo esse grande antagonismo jurídico entre o que é ato de império e um ato de gestão. Nosso Ministério Público diz que foi um ato de império.


Qual a diferença entre esses termos jurídicos?


JOÃO VICENTE: Ato de império é o que praticou o governo dos Estados Unidos, autorizado pelo Senado americano, ao invadir o Iraque. (num ato de império, a Justiça brasileira não pode aceitar um processo contra um Estado estrangeiro). Em 64, não, foi um ato de gestão dos agentes da CIA. Não houve autorização do governo americano para usar verba secreta e comprar políticos brasileiros. É com base nisso que estamos pedindo à Justiça brasileira que cite os Estados Unidos, para que se pronunciem a respeito. Podem dizer que não reconhecem a Justiça brasileira por entender que o Estado americano é imune.


E nesse caso?

JOÃO VICENTE: Vamos ao Tribunal de Haia, mas queremos que a Justiça brasileira não nos negue o direito de citar o governo americano. Nós vamos provar que houve intervenção. O "Fantástico" divulgou o trabalho de um pesquisador, Carlos Fico, com documentos comprovando que havia uma frota americana na nossa costa, a Operação Brother Sam. Podemos chegar ao cúmulo de ter que ir a Haia processar a Justiça brasileira, se não nos derem o direito de citar os EUA. E nós vamos até lá.

Como se chegou ao cálculo da indenização?

JOÃO VICENTE: Nós só estamos falando porque isso vazou. Essa é uma ação pública desde 2003, e nunca foi noticiada. Mas, no momento em que vaza, e saiu um valor na coluna do Ancelmo Gois, precisávamos explicar. O valor foi uma solicitação do próprio juiz, sob pena do não prosseguimento da ação, e nós contratamos uma perita de São Paulo. Nosso objetivo é apurar a imoralidade que esse indivíduo, Lincoln Gordon, reconheceu. Houve a quebra da soberania brasileira.

DENISE GOULART: Ele (Jango) chegou ao exílio sem nada. Mas a gente não botou nenhum valor (de indenização por danos materiais e morais, na inicial do processo). É bom que isso fique claro.

Como o presidente chegou ao exílio?

JOÃO VICENTE: Os bens deles foram bloqueados durante quase um ano. Eram quatro fazendas: Três Marias, Rancho Grande, Santa Luiza e Cinamomo. Em torno de 20 mil reses.

Houve saque?

JOÃO VICENTE: Claro. Prenderam o administrador da fazenda, roubaram o gado. Só sobrou terra. Uma das contas geométricas da perita é o da multiplicação das reses.

Quantas fazendas a família conseguiu reaver?

JOÃO VICENTE: Duas, as de São Borja: Rancho Grande e Santa Luiza. Mas a Três Marias, em Mato Grosso, não conseguiu. Havia 1.500 famílias de posseiros dentro.

O que vocês esperam desse processo?

JOÃO VICENTE: Até hoje, quando se fala na figura de Jango, há um certo receio. Temos dificuldades para fazer o memorial (João Goulart), em Brasília, com projeto de Oscar Niemeyer, que vai ter os restos mortais do presidente e, embaixo, uma sala interativa que contará as reformas de base, a reforma agrária, a lei das remessas de lucros... Recebemos um terreno do governo do Distrito Federal, no governo Roriz, mas agora, no atual, dizem que não é mais ali. Sempre tem um problema.

DENISE: Mesmo depois que ele morreu e nós voltamos, a dificuldade para resgatar o que houve nesse período é muito difícil. Há muito silêncio em torno dele. Todos os governos silenciam quando se trata de João Goulart.

Há resistências hoje, mesmo num governo presidido por um ex-sindicalista?

JOÃO VICENTE: Não. Inclusive houve a entrega de documentos (referentes a João Goulart) pela Presidência da República, em abril deste ano. Foi um ato de coragem. São documentos do golpe. Eu pedi ano passado. A ministra Dilma (Rousseff, chefe da Casa Civil)) pediu ao Arquivo Nacional, que processou tudo. São 2.700 documentos dos porões da ditadura.

Foram produzidos por quem?

JOÃO VICENTE: SNI, Cenimar, são vários. Vão até 76 (ano da morte de João Goulart, aos 57 anos). Vamos colocar à disposição do público, através de um site. Estamos tentando obter recursos. A ministra Dilma nos entregou com muita celeridade. Faltam alguns órgãos que ainda não foram digitalizados: Itamaraty, Justiça Federal e Polícia Federal. Os que já vieram são das Forças Armadas, Abin, Dops e Conselho de Segurança Nacional.

Com essas ações, vocês esperam resgatar a imagem de seu pai?

JOÃO VICENTE: Sem dúvida. Pelo menos o instituto (João Goulart), presidido por mim, e a família querem levantar essas questões para que essa nova geração não repita esses erros.

DENISE: Para que conheçam a história, não só a escrita pelos vencedores, mas a dos que foram exilados, torturados... o outro lado.

postado por Joao Vicente Goulart às 16:29

Jango: o Golpe e a saudades do que ficou para trás.

02 de abril de 2011
Jango: o Golpe e a saudades do que ficou para trás.
publicada em 26 de março de 2011





 
 
                        Sempre que se aproxima mais um 1° de abril, ano a ano vamos nos distanciando daquele 1964 e aproximando-nos de 2014, onde teremos nós brasileiros de fazer uma profunda reflexão histórica da lembrança dos 50 anos após, e ainda sentirmos o reflexo maligno produzido pelo Golpe de Estado, dado não contra Jango, mas contra a Constituição brasileira, contra o povo e contra as “Reformas de Base” que transformariam a economia de nosso país produzindo tal vez o maior avanço social que este país necessitava.
Como mudam os aspectos e as lembranças?
È só voltarmos um pouco na história e relembrar naquele ano a posse tumultuada do então Vice-Presidente por estar abrindo, em viagem oficial em agosto de 1961 o mercado da China para o Brasil; quase impedido constitucionalmente de assumir a presidência por estar no país comunista-Maoísta e ser recebido pelo próprio Mao quando da renúncia, ainda hoje não bem explicada, do Presidente Jânio Quadros.
Era uma ofensa aos bons costumes das elites aristocráticas do país, um vice-presidente brasileiro estar na China comunista, onde dizia a direita "comiam criancinhas" por lá, e poder assumir o cargo constitucional de Presidente da República, mesmo eleito para isto como determinava a nossa Constituição.
Nixon, o presidente americano, dez anos depois da viagem de Jango, teve que botar a cartola embaixo do braço e visitar a China, pois não podia mais ignorar o mercado consumidor e a potencialidade econômica daquele país, tendo que engolir a exigência de reconhecer Taiwan como província rebelde e estabelecer o comercio bilateral China-EUA.
Que visão teria Jango naquele momento?
A de construir para o Brasil uma alternativa comercial de independência econômica do eixo americano e dar potencialidade a economia nacional com outros parceiros no desenvolvimento de relações globais.
Tudo isto foi ignorado quando construiu-se um argumento para não lhe darem posse:
se tinha estado por lá, era por que era comunista.
Hoje o Mundo mudou.
Hoje o maior credor dos títulos públicos americanos é o Governo da China.
Hoje o maior parceiro comercial do Brasil é a China, superando inclusive o comercio bilateral BRASIL-EUA.
Não bastassem essas acusações levianas e de cunho político, sabiam as elites que Jango era um árduo defensor dos trabalhadores e assim o tinha demonstrado quando em 1953, apesar de ter que deixar o Ministério do Trabalho de Vargas, legou patente os 100% de aumento no salário mínimo, conquista até hoje refletida no atual salário mínimo nacional, pois ainda traz embutida aquela correção.
Após muita discussão a respeito da posse e depois do memorável Movimento da Legalidade produzido e conduzido pelo então governador Leonel de Moura Brizola no Rio Grande do Sul, Jango consegue assumir através da emenda adicional N° 4, tirada dos porões do Congresso Nacional o regime parlamentarista, em uma manobra casuística, para tirar poderes constitucionais das mãos do Presidente Jango que sem dúvidas assumiria o comando da Nação levando consigo o seu compromisso com a classe trabalhadora do país.
Jango não traiu seus compromissos.
Depois de algum tempo de parlamentarismo parte para o plebiscito nacional pedindo a volta do presidencialismo.
Era início de 1963 quando o povo brasileiro em memorável consulta devolve a Jango os poderes presidencialistas com mais de 83% favoráveis ao SIM.
O Presidente João Goulart parte então para a transformação da sociedade brasileira através da proposta das “Reformas de Base”.
Constituem-se elas na Reforma Agrária, na Reforma Educacional, na Reforma Urbana, na Reforma Bancaria, no controle da Remessa de Lucros das empresas estrangeiras para suas matrizes, e na desapropriação das refinarias de petróleo passando o controle da exploração e refino para as mãos da PETROBRAS, fundada pelo governo Vargas da qual Jango era herdeiro político.
“Mais uma vez” como pregava a Carta Testamento às forças da reação tornaram-se contra os interesses populares e começava então a conspiração para a derrubada do governo constitucional do Presidente Jango.
A união das forças civis e militares conservadoras de nosso país unem-se com os interesses multinacionais e exploradores do povo brasileiro e Latino-americano programando em 1964 o Golpe de Estado, financiado pela CIA e o Governo americano que posteriormente alastrou-se como dominó por todos os países democráticos da América do Sul servindo os interesses dos capitais internacionais.
Acusado mais uma vez de comunista, Jango caiu.
 Mas caiu de pé, pois hoje, quase cinqüenta anos depois, vemos os exemplos comerciais que Jango queria instalados independentemente de colorações ideológicas.
Lamentavelmente  ainda pairam sobre nós os interesses das elites,  não  nos permitndo  ainda a distribuição de renda pretendida por Jango para a nossa população menos favorecida e nem tampouco permitindo o acesso ao crédito controlado pelo excessivo abuso dos banqueiros, de lucros escorchantes, encima de taxas SELIC de mais de 10% anuais sobre uma dívida interna superior ao trilhão de reais, que o Governo do Brasil tem de pagar religiosamente, suprimindo assim a sua capacidade de investir no desenvolvimento social da Nação.
Relembrar todos os 1° de abris a queda de Jango é relembrar de um patriota que morreu no exílio lutando por um país mais justo, mais solidário, mais digno para com seus cidadãos mais humildes, mais equitativo e com mais oportunidades para os mais desamparados, mais nosso, mais soberano e principalmente mais livre.
A saudade existe, quando existe a vontade de relembrar os valores perdidos, os valores a serem lembrados e reconquistados, os valores dignos dos homens que ficaram pelo caminho lutando por uma sociedade mais justa, com atitudes certas no momento histórico oportuno.
Estes valores sim são dignos de serem lembrados.
Lembro-me no exílio quando jornalistas americanos da revista "Time" perguntaram a Jango: - "O Sr. Presidente não acha que não era ainda a hora das reformas?"
Ao que Jango respondeu: "Se achasse os Srs. tenham certeza não me encontrariam aqui no exílio".
Só sentindo estas saudades do que ainda temos a fazer é que devemos lembrar todos os primeiros de abris, para que nunca mais existam, para que nunca mais aconteçam.
 
 
                                                               João Vicente Goulart
                                                          Diretor do IPG Instituto Presidente João Goulart
postado por Joao Vicente Goulart às 16:22