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O BRASIL PERDEU A GUERRA FRIA EM 1964

25 de março de 2010
O BRASIL PERDEU A GUERRA FRIA EM 1964


Manifesto de João Vicente Goulart proferido no Memorial da Resistência - São Paulo 13/03/10

Nesta solenidade sobre a resistência, a contribuição que a família Goulart pode oferecer - é suscitar o debate de que está na hora de admitir que o BRASIL perdeu a Guerra Fria. Após 40 anos da perda da nossa soberania, podemos encerrar a controvérsia, pois com a desclassificação dos documentos secretos norte-americanos estão definitivamente comprovados o patrocínio estrangeiro do golpe militar e o tamanho da farsa orquestrada em 01 de abril de 1964.

Quantas calúnias, injúrias e difamações sofreu a memória de meu pai, João Belchior Marques Goulart? Hoje, uma compreensão mais exata do processo de perda de nossa soberania demonstra de forma inequívoca que Jango foi sábio o suficiente para recusar uma guerra civil sangrenta planeada para quebrar a unidade nacional. Jango não teve como evitar a derrota de nosso país, mas é o maior responsável pela integridade nacional que ainda perdura!

Sim, o objetivo estratégico do golpe de 01 de abril de 1964 era uma guerra civil que inviabilizasse o nascimento de uma nova potência mundial no hemisfério Sul do planeta. Esta era a previsão da CIA e mais uma etapa da guerra fechada promovida contra o nosso país desde 1945. Ora, as dívidas de sangue não se apagam. Onde existem dívidas de sangue morre o bom senso, ninguém perdoa ninguém. Uma guerra civil sangrenta teria por resultado o separatismo ou o Brasil se transformaria num Líbano. Era a morte certa da 4ª. potência mundial.

Talvez poucos brasileiros tenham registro na memória que a popularidade de João Goulart na época do golpe militar alcançava a cifra de 80% (oitenta por cento) do eleitorado. O apoio de grande parte das forças armadas pode ser medido pelo fato dos golpistas precisarem afastar mais de 4.000 militares legalistas para consolidar a ditadura. A CIA contava com a resistência legalista!

A proibição de pegar em armas para resistir dada por João Goulart aos legalistas, pegou os mentores do golpe militar desprevenidos, pois do mesmo modo que Getúlio Vargas fez em outubro de 1945 diante do golpe apoiado pelo embaixador Adolfo Eberle, o exílio voluntário de Jango anunciava seu retorno quando o processo democrático fosse restabelecido. Tal como Vargas em 1950!

Daí somos obrigados a rever a morte do Marechal Castelo Branco, um marionete que não conseguiu nem ganhar a eleição para o Clube Militar em 1962, mas tinha assumido o compromisso público e moral de promover eleições democráticas em 1965. Como poderiam deixar o marechal promover eleições e restabelecer a democracia, se sob a legalidade Jango era imbatível?

Este é o legado político de Jango! A integridade Nacional. Ele sabia que por detrás dos traidores da pátria estava a maior potência militar do planeta e que não havia vitória pelo caminho das armas. Jango renunciou ao maniqueísmo estrangeiro que já tinha articulado o separatismo, conforme mostram os documentos desclassificados com a possibilidade de declaração de independência do Estado de Minas Gerais e o desembarque de tropas estrangeiras, caso houvesse resistência dos legalistas contra a insurreição militar!

Jango diminui o tamanho da derrota do Brasil com seu exílio voluntário em 01 de abril de 1964, mas o que precisamos entender é que a queda do governo de João Goulart representou um dos ápices da guerra fechada promovida contra a América Latina. O Brasil era um dos principais baluartes da democracia, da Autodeterminação e Independência dos povos. A queda do Brasil teve um efeito dominó sobre as demais democracias latino-americanas.

O Brasil de hoje precisa entender a extensão da derrota que sofremos. Como aconteceu a perda de nossa autodeterminação e de nossa vontade soberana? Precisa entender que nossa submissão à potência hegemônica foi resultante de uma estratégia de Guerra...

Ora, o que é uma guerra? Clausewitz dizia que “a guerra é mais que um duelo em grande escala. A guerra é um ato de violência que visa compelir o adversário a submeter-se à nossa vontade.”

Outro estudioso, Hans Del Bruck teria sido o primeiro a assinalar que como havia duas formas de guerra, limitada ou ilimitada; deduz-se que deve haver duas modalidades de estratégia : a da aniquilação e a da exaustão. Enquanto na primeira a meta buscada é a uma batalha decisiva na forma convencional; na segunda estratégia da exaustão, a batalha representa apenas um dos vários meios utilizáveis, que incluem o ataque econômico, persuasão política e a propaganda para que o fim político seja alcançado.

A estratégia de exaustão não foi concebida por Del Bruck, pois Frederico o Grande já a chamava de Estratégia dos Acessórios e na verdade, o emprego dela tem sido glorificado por séculos. A estratégia da exaustão era chamada de tática da Espada embainhada pelo chinês Sun Tzu que afirmava em seu livro sobre a Arte da Guerra:

“Lutar e vencer em todas as batalhas não é a glória suprema; a glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”.

Especialistas afirmam que o advento das armas nucleares e que o uso da bomba atômica sobre a cidade de Hiroxima praticamente tornou obsoleta a guerra convencional. A estratégia da exaustão passou a preponderar na guerra moderna depois de 1945, sendo realizada por meio de ações indiretas ou espoliativas.

Em que consistem as ações indiretas da estratégia da exaustão? Podemos citar o general romano Flavius Vegetius: “É melhor dominar o inimigo, impondo-lhe a fome, surpresa ou terror do que por uma ação geral, pois nesta a sorte tem amiúde preponderado mais que o valor!”.

Do ponto de vista dos especialistas podemos consideramos a guerra fechada uma doença do organismo social e podemos afirmar que os sinais sintomáticos que nos permitem diagnosticar sua existência são: a Miséria, a Ignorância, a Violência, a Insegurança e a Quebra da Autoridade Moral.

A Miséria resulta num quadro de injustiça que impossibilita o crescimento do organismo social, pois estabelece um conflito interno que retira energias da sociedade. Como promover a miséria de outro estado?

No Brasil, historicamente, vem se adiando a Reforma Agrária desde a abolição da escravatura. Uma redistribuição de riquezas que era necessária para nossa pacificação social e um desafio que o Governo de João Goulart resolveu enfrentar porque tinha uma agenda de interesses nacionais a cumprir!

A principal arma utilizada para promover a miséria tem sido a usura. O sistema financeiro nada produz e a cobrança de altas taxas de juros retira todo o excedente de riqueza da sociedade, estanca o crescimento econômico, a criação de empregos e a conseqüente melhora de vida do trabalhador!

Principalmente, depois do Golpe de 01 de abril de 1964, o Brasil vem mantém uma das mais altas taxas de juros do mundo. Mesmo assim, continuamos crescendo, porque o governo de Jango, ao criar meios de financiar do sistema Eletrobrás em 1962, estabeleceu a expansão da matriz energética que sustentou o “Milagre Econômico”!

O bem estar criado pelo “milagre econômico teve pouca duração diante do processo hiperinflacionário da década de 80." Outro exemplo de usura que exauriu recursos e fez cair o padrão de vida obtido pela classe média na década de setenta. Todo nosso excedente de riqueza é drenado pelo sistema financeiro e pelo endividamento do Estado.

A manutenção das altas taxas de juros de hoje não encontra justificativa na atual economia do planeta e é sintoma de que permanecêssemos sob tutela alheia. O Brasil já perdeu tanta riqueza!

Em termos econômicos o Brasil perdeu o “negócio da China”. A leitura da crise de 1961 sob o ponto de vista da guerra fechada nos mostra que o objetivo principal da intervenção externa era impedir a consolidação do acordo de Pequim.

Vejamos qual foi a meta econômica visada pela guerra fechada: nós éramos 60 milhões de brasileiros e iríamos exportar para 800 milhões de chineses todo tipo de produto de alfinete à navio – o maior negócio da História da Humanidade!

O assunto era tão sério que o plano de invasão norte-americano do território do Brasil data do ano de 1961. A solução da crise pela implantação do parlamentarismo atendeu os interesses externos, pois entre os poderes do primeiro ministro estava a decisão de ratificar ou não os acordos internacionais...

Alguém quer calcular o tamanho do prejuízo que tivemos ao perder o “negócio da China”? Basta pensar que o segundo país a procurar a China foram os Estados Unidos, quando o dólar deixou de ter lastro em ouro e desvalorizou 70 % gerando uma crise econômica que nunca foi causada pelo preço do petróleo. Nixon foi à China, a guerra do Vietnam acabou e nós perdemos os frutos de um comércio bilateral explorado intensamente pelos norte-americanos desde 1971. Na verdade, o capitalismo brasileiro também foi derrotado a partir da década de 60 mediante uma estratégia de espoliação para gerar miséria no Brasil...

A estratégia da Ignorância também foi utilizada contra o Brasil primeiramente pelo uso da propaganda e da desinformação. Os documentos da CPI do IBADE mostram como a imprensa e os meios de comunicação sofreram uma investida irresistível. A imprensa nacional foi definitivamente contaminada, pois a mesma já vinha sendo utilizada para atacar o trabalhismo de Vargas.

No Governo João Goulart, a propaganda e a desinformação foram intensificadas! Além de derramar recursos em todo território nacional arrendando redações, contratando e demitindo jornalistas fornecendo recursos ao IBADE, a CIA por meio do IPES presidido pelo Golbery enviava um “informativo” semanal para a maioria dos oficiais da ativa das forças armadas, promovendo um recrutamento ideológico e buscando desestabilizar o governo por meio da difamação e da calúnia. O levantamento da pesquisadora Denise Assis, mostra que entre 16 e 1964, foram produzidos 200 filmes de propaganda pró-golpe de 1964. Um filme a cada três dias...

É óbvio que o desmantelamento da Universidade brasileira também pode ser creditado à estratégia da exaustão pelo fator da ignorância, mas o maior exemplo que podemos citar é o fim do programa de alfabetização de adultos criado por Jango em 1963 com o apoio do educador Paulo Freire. Em 1969, os analistas da CIA chegaram à conclusão que o programa de alfabetização precisa ser desativado porque estava levantando o nível de consciência política dos brasileiros...

Dá raiva saber disso, mas é preciso ter consciência de que ele usa o fator da Violência na Estratégia de exaustão para criar a insegurança pública. A insegurança contamina toda sociedade e drena energias que poderiam ser usadas para o bem estar social. Existe um estudo de uma pesquisadora norte-americana que explica que o súbito desmantelamento da polícia comunitária criada por Getúlio Vargas em 1933, a famosa dupla Cosme e Damião, tinha por objetivo desestabilizar a sociedade e favorecer o golpe de Estado com a quebra do aparato.

A retirada do policiamento das zonas pobres e periféricas teria ocorrido nos anos de 1957 e 1958 por influência do FBI e da CIA. Realmente, no ano de 1958, o Morro de São Carlos no Rio de Janeiro desceu para o asfalto para protestar contra a retirada do policiamento comunitário ali instalado há 25 anos: “Se retirar a polícia, a bandidagem vai crescer, seu doutor!”.

Uma pesquisa mais atenta dos acontecimentos próximos das eleições de 1960 vai apontar a promoção de diversos atentados à bomba sem autoria e sem explicação! Os documentos secretos em posse do Instituto João Goulart mostram que havia um atentado à bomba planejado para acontecer no comício da Central do Brasil em 13 de março de 1964 do qual os traidores desistiram para não criar um mártir.

Todos estes fatores da estratégia de exaustão trabalham para a divisão e a desintegração do organismo social, mas uma das piores feridas é provocada pela quebra da autoridade moral, pela traição e pela corrupção.

A contaminação das forças armadas brasileiras tem início na Itália e têm entre seus personagens a pessoa de Vernon Walters conhecido pela capacidade de interrogar, quebrar a resistência e converter os soldados alemães em colaboradores. Em 1942, os norte-americanos tinham 11 (onze) centros de inteligência militar instalados no Brasil. Toda rede nazista de espionagem no Brasil foi herdada pelos Serviços de Inteligência norte-americana e monitorada pelo futuro diretor da CIA Allen Dulles. Em 1942, Golbery freqüentava uma academia militar nos Estados Unidos. Em 1943, 03 geólogos norte-americanos foram enviados ao Brasil para fazer um levantamento das jazidas minerais que os Estados Unidos classificaram como reserva estratégica...

A quebra da autoridade moral se dá pelo uso da calúnia. A calúnia tem a natureza do carvão quando não queima suja. Foi intensamente usada contra Getúlio Vargas, pois era preciso desmistificar o “Pai dos Pobres”. E para isso se criou uma mentira fortíssima, acusaram Getúlio de mandar uma mulher grávida para os fornos nazistas, quando Olga Benário foi extraditada por ordem do Supremo Tribunal Federal em 1936, antes do Estado Novo.

O delegado Pastor que presidiu o inquérito do atentado da Toneleros está vivo e pode confirmar que o Major Vaz tinha dois tiros cruzados no coração, pelo que existiam dois atiradores de elite, e por conseqüência, podemos deduzir que Carlos Lacerda, o tal que engessou o pé ferido por bala, nunca foi o alvo real...

Golbery esteve presente em todas as insurreições militares desde o golpe de outubro de 1945 até o golpe de 01 de abril de 1964! Golbery escreveu o manifesto dos ministros militares contra a posse de Jango e presidiu o IPES sendo assalariado pela CIA. O corpo de espionagem norte-americano no Brasil inclui o embaixador brasileiro e sua esposa em Cuba em 1961 que recrutaram a irmã de Fidel para trabalhar para a CIA.

O embaixador Pio Correa antes de criar o Serviço de Informações do Itamaraty, fez trabalho de campo como espião para a CIA no México, recebendo elogios da Agência norte-americana em 1964, antes de ser nomeado embaixador no Uruguai para vigiar o presidente no exílio.

Jango foi alvo de uma intensa campanha de difamação. Antes durante e depois do governo foi acusado de comunista. Jango nunca foi comunista, mas como de fato ficou registrado pelo próprio Kennedy em gravações na Casa Branca, admitia que o presidente brasileiro não fosse, mas que esta difamação seria uma das armas usadas contra ele.

Jango foi alvo de mais de 200 processos promovidos para manchar sua reputação e honra, mas se defendeu em todos e provou sua inocência. Jango foi acusado de presidir um governo fraco, mas na verdade a história demonstra que reuniu um ministério de notáveis e desenvolveu um projeto de nação capaz de gerar o desenvolvimento nacional.

A quebra da autoridade moral não está circunscrita a pessoa do presidente João Goulart, foi extendida a todos os homens comprometidos com o nacionalismo e dois anos antes do golpe um relatório do setor de informações já apresentava a lista de todos os homens do governo Jango que seriam caçados e perseguidos em 1964.

Diversas “covers actions” forma promovidas contra o Brasil e a diversificação, o número e os recursos envolvidos são espantosamente altos. O pesquisador Carlos Fico da UFRJ lista dezenas de tipos de ações encobertas no seu livro o Grande Irmão cuja conclusão é pobre, pois responsabiliza os brasileiros pelos resultados de uma irresistível Guerra Fechada promovida por meio de ações indiretas.

A CIA patrocinou a campanha de deputados e senadores que fizeram e/ou permitiram a fraude da declaração de vacância da presidência. A CIA também patrocinou passeatas e usou o manto sagrado de Deus e da Família para recrutar colaboradores em todas as camadas de nossa sociedade. Hoje, estas pessoas, autoridades, senadores, deputados, generais, empresários, funcionários públicos e muitos outros só podem ser considerados inocentes úteis ou traidores na História do Brasil.

O departamento de Estado norte americano e a CIA tiveram de cumprir leis e divulgaram provas suficientes de que Jango é o mártir da causa republicana no século XX. Perdemos nossa soberania em 01 de abril de 1964!

A difícil decisão de Jango de combater o golpe sem fazer uso das armas, preservou nossa integridade territorial. O que fazer? Ficar em silêncio quando finalmente existem documentos que desautorizam a continuidade da Mentira e desnudam a verdadeira face dos golpistas como traidores do Brasil!

A maior autoridade diplomática norte-americana no Brasil de 1964, o embaixador Lincoln Gordon veio ao nosso país em 2002 vender a confissão de que a CIA tinha patrocinado o golpe e a eleição de membros do congresso nacional!

O que fazer? A família Goulart decidiu processar o governo norte-americano que descumpriu sua própria carta constitucional e todos os compromissos de Estado assumidos pelos Estados Unidos da América mediante a subscrição da Carta da OEA.

O Brasil precisa conhecer o valor do Estadista que preservou a unidade nacional, quando a tirania tomou conta do Brasil. Jango precisa receber o desagravo devido ao líder legítimo desta nação que foi alijado da presidência por forças e interesses estrangeiros e de traidores.

O verdadeiro resgate da soberania nacional começa com o desagravo e o reconhecimento públicos do valor da resistência pacífica de Jango contra a insurreição militar dos traidores de nossa pátria que preservou a integridade nacional.

Acreditar que não podemos mudar nosso país e que precisamos nos conformar com a situação é obedecer à psicologia de massa usada como amortecedor pelas forças que atuam para impedir o exercício de nossa soberania!

Acreditamos que, neste momento, a defesa da soberania do Brasil precisa obedecer aos princípios consagrados pela política de Estado de Jango: Resistência Pacífica, Legalidade, Diálogo, Democracia e Justiça Social!

João Vicente Goulart
postado por Joao Vicente Goulart às 20:48

Drª Aleida Guevara, filha do Che, na Bahia

24 de março de 2010



Com firmeza e sem perder a ternura, Aleida Guevara, médica, filha do revolucionário argentino /cubano, Ernesto Che Guevara, veio ao Brasil, convidada para a inauguração de um hospital em Sergipe que leva o nome de seu pai.
Aleida discursou para uma platéia atenta e receptiva que lotou o auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA em Salvador, BA. Telões tiveram que ser adicionados em dois andares.
A presença de estudantes universitários e de Ensino Médio, militantes, jornalistas, professores, advogados, educadores e cineastas marcou o encontro onde a Drª Aleida, cujo tema inicial da palestra, foi a integração latino-americana, transitou por variados pontos referentes à Cuba. Acostumados a informações peneiradas pela grande mídia, o público sorvia as palavras da filha do revolucionário e por vezes, se emocionava, e por vezes, gargalhava diante daquela que, carinhosa e francamente, desenvolvia cada uma das questões colocadas por uma gente ávida de informações.
Uma Cuba, diferente, foi surgindo daquela que estamos acostumados a ver na grande imprensa e aspectos da Revolução Cubana foram esclarecidos, tal como as eleições em Cuba, por muitos, ignoradas.
Atentou Aleida para a importância da integração e autonomia latino-americanas e para as nada inocentes bases militares implantadas pelos EUA na Colômbia.
Chamou a atenção para a importância do principal recurso natural para a humanidade e sem o qual, o Homem não sobrevive, a água, objeto farejado, além do petróleo, pelos EUA na Venezuela.
Ressaltou a importância da juventude em qualquer processo de transformação, pois livres de condicionamentos, os jovens são portadores de um honesto espírito crítico.
Esclareceu sobre o embargo econômico sistemático que os EUA fazem há cinqüenta e um anos à Ilha, trazendo sérios danos que atentam aos direitos humanos da população cubana.
Respondeu com tranqüilidade a respeito das greves de fome e alertou os presentes para uma leitura apurada sobre tudo o que se diz e se escreve a respeito de Cuba .
Relatando a presença de médicos cubanos em vários países do mundo, permitiu aos presentes terem uma dimensão da cultura de solidariedade, fruto da Revolução.
Enfim, Salvador teve a oportunidade de, com o exemplo vivo da filha do Che, a Drª Aleida, resgatar valores humanos que apontam ser possível um mundo melhor.

postado por Maísa Paranhos. às 16:14

Entrevista ao Jornal do Commercio: "Jango estava na lista da Operação Condor". João Vicente.

18 de março de 2010
"Jango estava na lista da Operação Condor"

“JANGO ESTAVA NA LISTA DA OPERAÇÃO CONDOR”
Publicado no Jornal do Commerco, Recife, em 14.03.2010
Filho mais velho do ex-presidente João Goulart, João Vicente tem como objetivo prioritário na vida conseguir que a Justiça ordene uma ampla investigação sobre a morte do pai. No entanto, ele, pessoalmente, não tem mais dúvidas: foi um ato da Operação Condor. Para intensificar sua luta, João Vicente fundou, no Rio, o Instituto João Goulart. Ele narrou ao JC sua versão dos fatos, citou nomes de oficiais e agentes envolvidos e reforçou as críticas à hesitação do Ministério Público em pedir a reabertura do processo.

JC – O senhor luta há anos para que se investigue a morte do ex-presidente João Goulart. Como está esse processo atualmente?
VICENTE GOULART – Nossa luta é, em princípio, uma questão de soberania nacional. Quando surgiram os primeiros boatos sobre a possível morte de meu pai no exílio, tivemos certa surpresa de que isso pudesse ter acontecido. Tínhamos algumas dúvidas lógicas dos acontecimentos daqueles dias do enterro. Desde o falecimento em 6 de dezembro de 1976, na sua fazenda La Villa, na província de Corrientes, na Argentina. Haviam fatos duvidosos, como a não permissão de abrir o caixão durante o velório, e causava espécie que nem as autoridades argentinas exigissem uma autópsia no corpo, nem as autoridades brasileiras, depois que o féretro chegou ao território brasileiro. Nem sequer permitiram que o povo se acercasse do caixão. Fizeram um cordão de isolamento pelos 200 quilômetros que separam a Ponte da Amizade de Uruguaiana e São Borja, cidade natal de Jango. Quando olhamos a certidão de óbito emitida pelas autoridades argentinas, maior foi a surpresa. Estava escrito em espanhol: “muerte por enfermedad”! Ora, morte por “doença”, sem autopsia, em um ex-presidente da República que vivia sob ameaça das ditaduras latino-americanas, que vinham exterminando outros líderes de esquerda na Argentina – tais como (Carlos) Prats, (Juan José) Torres, (Zelmar) Michelini, (Héctor) Gutierrez Ruiz e tantos outros – era, no mínimo, suspeito. Mas ainda assim, estávamos sob a ditadura, e Jango já estava descansando em sua terra, da qual saiu vivo, pensando em um dia voltar.

JC – E quando as suspeitas de assassinato ganharam corpo?
GOULART – Após a abertura foram surgindo novos fatos, que viriam a ser divulgados em escala homeopática por processos abertos à medida em que as ditaduras iam terminando. A descoberta dos arquivos no Paraguai, pelo dr. Martín Almada, intitulados “Operación Cóndor”, foi a ponta do iceberg. Veio o sequestro de Lilian Celiberti e Universindo Dias no Brasil, veio o descobrimento da Operação Andréa (fábrica de venenos no Chile, conduzida pelo químico “Hermes” Berríos, ligado ao general (Manoel) Contreras, chefe da Dina, que era dirigida pelo agente (da CIA) Michael Townley. Esse agente veio assassinar (o ex-ministro) Orlando Letellier na cara dos gringos, a poucos metros do Congresso Americano (Washington). E, por fim, houve os desaparecimentos em massa de militantes uruguaios na Argentina, comandados pelo coronel Gavazzo, que operava clandestinamente sequestrando e matando os jovens militantes tupamaros e parentes, que nem eram do movimento. Ele fazia os “voos da morte”, jogando-os no Mar del Plata em pleno voo. Essas arbitrariedades foram vindo à tona e, com elas, novas informações de agentes, alguns sem emprego de espionagem, dada a política de direitos humanos que vinha sendo implementada aos poucos para distender a pressão sobre a América Latina e implantar a nova doutrina mundial econômica: A globalização do capital.

JC – João Goulart estava entre os “alvos”?
GOULART – Surgiram listas que colocavam o nome de Jango na quarta posição da Operação Condor. Foi aí que, com muita fé e espírito altivo, meu tio Leonel Brizola me chamou no seu apartamento na Avenida Atlântica (RJ) e me disse: “João, estou plenamente convencido que o nosso Jango foi assassinado, e vou pedir uma comissão de investigação na Câmara dos Deputados. O deputado Miro Teixeira (PDT) assumiu a relatoria e as investigações preliminares foram em frente. É interessante ler o relatório final, publicado pela Câmara. Principalmente o relatório de Miro, que diz: “Não podemos afirmar, por enquanto, que o presidente Jango foi assassinado, mas seria uma temeridade dizer que não o foi”. Hoje, passados dez anos dessa comissão, temos um inquérito em andamento promovido pelo Instituto Presidente João Goulart, fundado pela família, que busca indícios para que o Ministério Público Brasileiro se digne a encaminhar a um juiz Federal a abertura de ação civil pública para ouvir os agentes americanos envolvidos nos relatos. Entre eles, Frederick Latrash, denunciado por mim na última campanha presidencial americana como assessor direto do ex-candidato a presidência John McCain.

JC – Quais os próximos passos que o senhor vai empreender?
GOULART – Os passos são vários, mas agora cabe saber se nossas autoridades terão coragem para interpelar os agentes americanos. Outros países já o fizeram: Itália, Espanha. Mas não importa, pois o espírito de luta é o último que se perde. O inquérito está repleto de provas para serem vistas por um juiz. Há o relato do agente Mario Neira Barreiro, dando detalhes da reunião da “Operação Escorpião”, que determinou a eliminação de Jango, e as pessoas que dela participaram, como (o delegado do DOPS) Sérgio Fleury, o general Queirolo (chefe de inteligência do Exército uruguaio), Frederick Latrash (chefe da CIA no Rio da Prata), o capitão Adonis (químico uruguaio) e o grupo de ação do tenente “Tamuz” (codinome de Mario Neira Barreiro) com mais dois agentes. Porque não dão conhecimento dos rumos destas investigações? Só o tempo nos dirá. Quando começamos, dizendo que para nós trata-se de soberania, imaginamos que uma Nação pretensamente independente deve querer saber o que aconteceu com o seu único presidente constitucional republicano a morrer no exílio, derrubado pela prepotência do terrorismo de Estado. Estamos esperando pela Justiça.

JC – Mas a família e o instituto têm se movimentado?
GOULART – Nós solicitamos, através de nosso instituto, que é uma OSCIP, a abertura de uma ação civil pública. Era a forma, porque se o fizéssemos através da família, teríamos sem dúvida uma resposta lacônica ao pedido. Assassinato prescreve em 20 anos! Esta é a figura lacônica da não revisão de cláusulas de nossa Lei de Anistia. Em todos os países civilizados, os acordos internacionais de Direitos Humanos prevêem que esses tipos de crimes políticos – assassinatos, sequestros, desaparecimentos, torturas – são crimes de lesa-humanidade, inanistiáveis e imprescritíveis! Vamos esperar para ver o que o Brasil deseja fazer com a memória de seu ex-presidente. Se não, vamos tomar o caminho dos tribunais internacionais para proceder à investigação. Jango morreu em território argentino, e lá não tem lei que prescreva quando há assassinato político. Quem sabe a Argentina não deseja cicatrizar as suas feridas do passado investigando a morte de um esquecido presidente brasileiro? Ou, em última instância, a Justiça brasileira será denunciada na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA.

JC – Há um agente da Operação Condor preso no Brasil. O que ele revelou?
GOULART – É o Mario Neira Barreiro. Suas suas declarações não estavam ainda transcritas na primeira investigação da Câmara Federal, mas muito bem explicitadas na investigação da Assembleia do Rio Grande do Sul. Essas declarações estão retificadas pela Polícia Federal, a pedido do ex-ministro Tarso Genro, e anexadas ao inquérito. No começo, eu é que fui ao presídio de segurança máxima de Charqueadas, como se fosse repórter da TV Senado, e tirei as declarações iniciais que fazem parte do processo e do documentário “Jango em três atos”.

JC – Em entrevista ao JC, pouco antes de morrer, o ex-governador Miguel Arraes revelou ter recebido agentes do serviço secreto argelino em sua casa, durante o exílio. Eles o avisaram sobre planos para assassinar os principais líderes da resistência no Brasil e na América do Sul. Entre eles, o próprio Arraes, Leonel Brizola, João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. Alguns, de fato, morreram logo depois, inclusive integrantes da cúpula do PCB, como David Capistrano. O que o senhor sabe sobre isso?
GOULART – O desaparecimento de líderes latino-americanos se produziu de forma seletiva. Arraes sabia, mas quem soube através de um agente argelino que Jango era o quarto da lista foi Neiva Moreira, que até hoje não disse o nome do agente. Juscelino também é suspeito de atentado. Lacerda, a mesma coisa. A grande pergunta é: para abrir o capital de uma forma globalizada, em certo momento, os americanos não se importavam mais com quem era ou não comunista. O muro (de Berlim) falava por si só. Mas quem poderia se opor à globalização, que teria que ser feita de forma democrática, eram os nacionalistas. E isso eles não controlariam sem o fim dessas pessoas. Os outros eram controláveis através de uma forte e maciça imprensa destrutiva. Graças a Deus, hoje a internet as está desmistificando.

JC – O senhor testemunhou as ações da ditadura militar não somente no Brasil, mas também no Chile, Argentina e Uruguai. Que análise faz desse período e da suposta interferência de forças externas, como a CIA? Foi, de fato, uma extensão da “guerra fria” na América do Sul?
GOULART – Eu diria que da guerra não-convencional. A CIA opera na América Latina com muita força desde os primórdios do pré-colonialismo inglês, transferindo a hegemonia econômica aos americanos no pós-guerra. Nós perdemos a guerra fria em 1964, pois com a desistência de Jango em resistir – e ele sabia da quarta frota americana de desembarque para apoio a República de Minas – não quis jogar o país numa guerra civil fratricida entre irmãos. O modelo americano era a divisão territorial onde seus interesses eram ameaçados, como o Vietnã, a Coréia. Mas as ações encobertas já vinham sendo praticadas, corroendo as instituições latino-americanas. Isso foi revelado em 2002, quando o ex-embaixador americano Lincoln Gordon declarou ao Fantástico (TV Globo) e ao Roda Viva (TV Cultura), que havia usado cinco milhões de dólares para comprar parlamentares brasileiros na eleição de 1962. E os parlamentares vieram a declarar vaga a presidência da República, em 1964, com Jango dentro do país. O presidente do senado, Áureo Moura Andrade, tinha desfilado em São Paulo, poucos dias antes, abraçado ao Padre Payton, conhecido agente da CIA. Ou seja, a CIA está convosco. Ela está no meio de nós.

JC – Como o senhor está vendo esse processo de abertura dos arquivos da ditadura e a criação da Comissão da Verdade? Países como o Chile e a Argentina fizeram as aberturas. Mas no Brasil parece haver uma certa hesitação, sobretudo um temor de provocar os militares...
GOULART – A Argentina, o Chile, o Uruguai estão fazendo o dever de casa no que se refere ao conhecimento da verdade. Tenho participado de todos os debates no Ministério da Justiça sobre a Comissão da Verdade. É de fundamental importância para qualquer país civilizado e é importante que um debate sem paixões anteceda sua formação. Isso se acelerou na crise do golpe de Honduras, e houve as consequências que todos conhecemos. Quando estávamos falando em democracia e a favor do presidente deposto, recebemos um petardo do Roberto Micheletti (interventor em Honduras): “Ora, vocês brasileiros falando em democracia, se nem ao menos detém uma comissão da verdade!”. Ele nos esbofeteou na dialética. Fomos então para o debate da construção da comissão, que após meses de discussão veio inserida no Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Teria que ser uma proposta independente, debatida primeiro no âmbito dos direitos humanos. Não foi o que aconteceu. Ainda em um debate, o ministro Nelson Jobim )Defesa) propôs que o nome fosse mudado para “comissão da verdade e da reconciliação”, coisa que só o Jobim poderia esperar que fosse aceita. Só faltou ele vestir uma roupa camuflada, pegar aquela jibóia que costuma sair nas fotos e vir discutir o paradeiro dos corpos do Araguaia com as famílias que perderam seus entes lutando pela pátria. Ou então ir correndo ao encontro do presidente para ameaçá-lo institucionalmente com sua demissão, junto com os comandantes militares. Esse joguinho não serve ao Brasil. As cartas da verdade devem ser expostas. Podem até vir a ser perdoadas, mas devem ser expostas com clareza e dignidade, como as cláusulas de nossa Constituição, votadas em plenário.
postado por Joao Vicente Goulart às 20:18

Aniversário de Jango

11 de março de 2010

Aniversário de Jango

Na data de 1° de março de 1919 nascia em Iguariaçá, interior de São Borja, um menino franzino com a saúde debilitada, filho de Vicentina Marques Goulart e do Coronel Vicente Goulart. Sua mãe fez uma promessa para que o menino sobreviva. Com a Graças de Deus o menino franzino ficou forte. Batizado com o nome de João Belchior Marques Goulart, esse foi o começo de vida do nosso último Presidente Trabalhista do Brasil, que se vivo fosse, completaria 91 anos.

Parabéns meu avô! Jamais te curvaste perante os obstáculos impostos, tanto no início de tua vida, como pelos tiranos da pátria, que até hoje não querem um povo livre. O povo brasileiro saúda teu legado indicando as reformas da sociedade brasileira. O Rio Grande do Sul se orgulha de seu Presidente missioneiro, que mesmo tendo já falecido há 33 anos, segue vivo na alma dos mais humildes.
De nada adianta a teimosia de muitos buscarem obscurecer tua obra, jogando teu valor a um segundo plano. Foste Grande. Honraste com coragem os interesses da imensa maioria da população brasileira de excluídos, contrariando a lógica de um mundo espoliativo e desumano. Não é pouca sorte lutar e morrer por um sonho libertário. O povo não esquece.

Aquele menino franzino virou um dos maiores fazendeiros do país, pregando reforma agrária, como nenhum outro Presidente na história do Brasil se empenhou. O empreendedor capitalista dedicou-se à prática política da conciliação entre o capital e trabalho. Com isso, contrariou interesses de poderosos, até ser arrancado de sua pátria pela força das armas, e condenado a jamais retornar. Sem dúvida, um ativista humanitário, que deixou para as próximas gerações o caminho para as Reformas de Base.

Seguiremos teu exemplo, lembraremos de teu sacrifício. Morrem os homens, mas não suas idéias. Pela tua mensagem de emancipação nacionalista, somos agradecidos. Feliz Aniversário. Parabéns Presidente!

Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
 

postado por Christopher Goulart às 14:41

O maior comício de todos os tempos

11 de março de 2010

O maior comício de todos os tempos

Treze de março de sessenta e quatro. Há exatos quarenta e seis anos atrás, nosso país acompanhava o Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Em pauta as reformas de base do Governo de João Goulart, acontecimento este que foi um dos motivos principais para o golpe civil-militar, que ocorreria no dia primeiro de abril daquele mesmo ano, dia da mentira. Naquele dia, Jango se comprometeu perante duzentas mil pessoas em praça pública com as reformas da sociedade brasileira. Tal compromisso custou-lhe o cargo de chefe da nação, e até mesmo a vida.

Muitos já conhecem esta história. Muitos contemporâneos de João Goulart ainda hoje saúdam com reverência a coragem do seu Presidente em encampar os ajustes estruturais e institucionais da nação. Mesmo assim, nunca é demais relembrar nesta data, o pensamento de Jango sobre as reformas de base que vieram a derrubá-lo. No site WWW.institutojoaogoulart.org.br podemos acessar a íntegra do discurso, bem como o documento enviado pelo Presidente ao Congresso Nacional, dois dias após o maior comício de todos os tempos, intitulado “Os novos tempos e as novas tarefas do povo brasileiro”.

Num país de memória curta, tal data simbólica é fundamental também para que as novas gerações saibam que já tivemos um Presidente reformista, empenhado em remover privilégios centralizados, consagrando assim um Brasil com justiça social. João Goulart transcendeu ao discurso, mesmo sabendo que seria derrocado, para na prática aplicar medidas concretas. Ao seu amigo e chefe da casa Civil Darcy Ribeiro, confessou: “Eu caio, mas caio de pé”.

A importância de conhecer o discurso da Central, e também o documento enviado ao Congresso Nacional, reside no fato de depararmos com a realidade de que as reformas propostas naquele momento – agrária, tributária, administrativa, urbana, educacional, política, bancária – mesmo ainda hoje reclamadas pela sociedade brasileira, jamais saíram do plano da teoria. Conhecendo o fundamento do comício do dia treze de março de sessenta e quatro, entendemos melhor os problemas estruturais e institucionais que perduram até hoje no Brasil.




Christopher Goulart
Presidente da Associação Memorial João Goulart
 

postado por Christopher Goulart às 14:40

A democracia e a visita do presidente

06 de março de 2010

 

Considerado por muitos o maior historiador das Américas, o professor baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira, palestrando em Salvador, atentou para a importância do Brasil na defesa dos interesses da América do Sul. Ressaltou que as economias mundiais funcionarão por Blocos e explicou ainda que os impérios, após atingirem o cume de sua ascensão, na curva de seus declínios, têm uma tendência a se aferrar com mais intensidade a seus dominados, fazendo alusão aos grandes impérios que dominaram o mundo, inclusive o dos EUA.
Quando o governo brasileiro aproxima-se econômica e solidariamente dos países irmãos da América Latina, visa justamente o que é nacional, pois é o fortalecimento do Bloco que garantirá a autonomia e soberania de cada um dos seus componentes.
Políticas de governo, de curto espaço de tempo, pouco podem fazer para implantação de mudanças estruturais em seus países. É sob esta ótica que se deve entender as Reformas Constitucionais na Bolívia, Venezuela e Equador . Com aprovação da maioria pelo pleito eleitoral, estes países vem realizando verdadeiras revoluções através da implantação de tais Reformas. O que é chamado por vezes “perpetuação no poder”, é a opção democrática, através do voto, pela continuidade de tal ou qual governante. Nesses países a democracia é participativa. A Venezuela, por exemplo, teve recentemente promulgada a Lei do Conselho Federal de Governo que transfere para as comunidades a execução de projetos de qualquer natureza, inclusive a decisão sobre recursos públicos.
No processo revolucionário cubano, as instâncias de participação popular são, em sua maioria, ignoradas pela opinião pública norteada, fora de Cuba, pelas informações da grande mídia, nem sempre fidedignas.
Há cinqüenta e um anos, Cuba trava uma luta sistemática em defesa de sua soberania constantemente ameaçada pela ação norte-americana que bloqueia a Ilha, impedindo o seu comércio com as demais nações.
Dessa forma, presença, investimentos e solidariedade do Brasil à Cuba, na pessoa de seu Presidente, deve ser interpretada como ação democrática, ficando bem distante os tempos em que se afirmava “o que é bom para os EUA, é bom para o Brasil ”.

postado por Maísa Paranhos. às 12:09